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23 de junho de 2018
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Policial

Ex-aluno que atirou na USP culpa bullying

Jovem de 23 anos disse que entrou em depressão, pois era perseguido. Polícia Civil pediu prisão temporária do suspeito em São Carlos, SP.

30 AGO 2013 - 10h45min
G1
O ex-aluno da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos, que invadiu um alojamento do campus na noite de quarta-feira (28) e efetuou alguns disparos, relatou ao G1 por telefone nesta quinta-feira (29) que sofre bullying dos estudantes na universidade e na internet há pelo menos seis meses, depois que denunciou ter sofrido um suposto abuso sexual em um trote. Ele afirmou que foi armado à universidade porque estava com raiva. "Eu estava totalmente desequilibrado", disse.
 
A Polícia Civil pediu a prisão temporária do jovem, que continua foragido. A USP informou, em nota, que vai reforçar a segurança na universidade com a ajuda da Polícia Militar a partir desta sexta-feira (30). Os estudantes do alojamento estão com medo de voltar ao local.
 
Bullying
 
Segundo o rapaz de 23 anos, os alunos utilizavam as redes sociais para pressioná-lo. ?Isso persistiu até a semana passada. Faziam palhaçadas com a minha foto e brincadeiras sem graça com fotos de animais. Eu estava tentando preservar o que restava da minha imagem?, contou.
 
O ex-aluno do curso de ciências exatas, que trancou a matrícula após o episódio ocorrido em março, disse ainda que também sofria ameaças e difamações quando postava alguma crítica no Facebook em relação à situação que vivenciava. ?Dei minha opinião em em um dos grupos sobre determinado assunto e disseram assim: ?estupra, mas não mata?, se referindo a mim?, contou.
 
O estudante disse que ficou cada vez mais revoltado com a hostilidade sofrida. Ele também afirmou que estava bem depressivo pelo fato de ter abandonado a faculdade. ?Nem sou mais aluno e mesmo depois de ter saído continuaram me perseguindo. Eles sabiam que isso chateava, eu pedia para parar, mas não paravam?, relatou.
 
Ele também acusou a universidade de ser omissa diante dos casos de violência. "A violência dentro da USP é uma coisa bastante descarada, vulgar. A universidade tem conhecimento disso, mas não toma providência, é bastante negligente. Foi um dos motivos que me fez desistir da universidade", afirmou. Procurada pelo G1, a USP não comentou as acusações.
 
Tiros
 
O ex-aluno disse que foi à universidade durante a tarde de quarta-feira para acessar a internet do local. Ao chegar, se deparou com um dos estudantes que, segundo ele, participou das agressões no alojamento seis meses atrás. ?Ele foi bastante hostil comigo e tivemos um bate-boca?, relatou.
 
Segundo o ex-aluno, ele foi para casa com raiva e à noite voltou à USP, armado. Ele se recusou a falar quando e como conseguiu o revólver. Na universidade, disse ter encontrado outro estudante que também participou do incidente no alojamento. O rapaz acabou levando uma coronhada porque desobedeceu a ordem de ficar parado.
 
?Ele fez um movimento brusco e me assustei. Eu estava com arma abaixada, não apontada. Foi uma forma de intimidar. Eu não pensava em atirar. Dei uma coronhada e acabou disparando. O primeiro foi acidental, depois o pessoal começou a correr, disparei mais duas vezes. Na minha cabeça passou pouca coisa aquela hora, a consciência mesmo estava nula. Não pensava em muita coisa?, contou.
 
O ex-aluno disse que atirou para o alto sem mirar em ninguém, mas que tomaria outra atitude como reação de defesa caso tentassem tomar a arma dele. Disse ainda que foi a primeira vez que atirou. Os disparos acertaram as paredes e as janelas do alojamento, mas não atingiram ninguém. O estudante que levou a coronhada foi socorrido à Santa Casa, medicado e liberado.
 
?Eu não estava mais respondendo por mim. Quando atirei não, pensei em nada, estava totalmente desequilibrado. Eu me sinto vítima, não tenho culpa disso. Se estou desequilibrado, é porque o pessoal não para de me atormentar", declarou.
 
Fuga
 
O estudante contou que após a ação fugiu  de bicicleta para Araraquara, que fica a 43 quilômetros de São Carlos, e que dormiu sentado na rodoviária. ?Tentei procurar um hotel para ficar, mas não achei nenhum de custo acessível. Comi um lanche, estava com pouco dinheiro, fiquei até certo horário e depois peguei um ônibus?, relatou. Ele afirmou que se desfez da arma, mas não deu detalhes.
 
O jovem disse que não falou nada para o pai, que mora na capital, porque ele sofre com problemas de saúde. Para a mãe, contou apenas que aconteceu algo, mas sem se aprofundar.
 
O estudante ressaltou que não irá se apresentar à polícia até ligar para a universidade nos próximos dias para fazer algumas cobranças, principalmente em relação ao que foi apurado na sindicância sobre o susposto abuso.
 
?Eu torço para que as pessoas que cometeram o erro se arrependam porque estão me dando esse transtorno há muito tempo, o que mexe com o meu psicológico. É divertido para eles ficar me aborrecendo?, concluiu.
 
Suspensão das aulas e segurança
 
A Universidade de São Paulo (USP) suspendeu as aulas de graduação em São Carlos nesta quinta-feira (29), para garantir a segurança dos estudantes. Em nota, divulgada durante a tarde, a assessoria de imprensa informou que, após uma reunião entre dirigentes do campus e a PM, foi decidido que a segurança será intensificada.
 
"Como providência imediata, foi definida a intensificação da fiscalização e do patrulhamento no interior e ao redor do campus, através do trabalho conjunto entre a Superintendência de Prevenção e Proteção Universitária da USP e a Polícia Militar, tendo como objetivo uma maior percepção de segurança", diz um trecho da nota.

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