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Política

Lula diz que eleição no Brasil é eterna e critica classe política

27 JUL 2007 - 07h23min
folha on line

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou ontem seus opositores e disse, em João Pessoa (PB), ter a sensação de que a eleição no Brasil é "eterna". Para ele, a classe política tem que se tornar "mais civilizada" para compreender o "momento de fazer oposição e o de construir o Estado."


"No Brasil [a eleição] não termina nunca. Acabou uma eleição, ela continua. Ela é eterna", disse o presidente. "Você pode mandar qualquer projeto, pode ser um projeto para melhorar qualquer coisa. As pessoas, se são contra o governo, dizem: eu voto contra. Não se preocupam sequer em analisar se aquilo vai beneficiar [...] o povo da cidade, o povo do Estado e o povo do nosso país", declarou.


Segundo Lula, "enquanto a classe dirigente fica brigando pequeno, fica com mesquinharia, o povo fica sofrendo, fica na expectativa de que apareça um milagroso para salvá-lo e não tem", afirmou o presidente.


Lula também comparou o desempenho econômico de seu governo com as administrações anteriores. "Vocês estão lembrados que quando nós tomamos posse este país vivia mendigando todo final de ano dinheiro do FMI para poder pagar as suas contas", declarou. "Vocês agora lêem nos jornais: este país não deve nada ao FMI, ao Clube de Paris, e ontem atingiu R$ 154 bilhões em reservas", afirmou. "Hoje, a nossa preocupação não é ir atrás de dólares, mas é evitar que continue entrando essa enxurrada de dólares aqui."


Em seu discurso, Lula, que veio a João Pessoa para assinar convênios de obras previstas no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), fez apenas uma menção ao acidente da TAM. Antes de falar, pediu um minuto de silêncio às vítimas do desastre aéreo. A platéia, formada por 800 convidados, entre políticos, sindicalistas e integrantes de movimentos sociais, não cobrou explicações nem fez referências ao assunto. As faixas espalhadas no auditório limitavam-se a demonstrar apoio ao presidente.


Do lado de fora, dois pequenos grupos faziam reivindicações pontuais. Ex-funcionários da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) pediam a reintegração na estatal. Portuários de Cabedelo (18 km de João Pessoa) protestavam contra a ociosidade do porto.


Os ministros das Cidades, Márcio Fortes, e da Casa Civil, Dilma Rousseff, também não mencionaram a crise aérea em seus discursos. Fortes chegou a saudar a vitória da equipe feminina de futebol nos Jogos Pan-Americanos. "Foi a pátria de salto alto, não de chuteiras."


Na parte final de sua fala, Lula pediu apoio ao projeto de transposição do rio São Francisco. Disse que o valor da obra, orçada em R$ 6 bilhões, não era a questão relevante no caso e criticou os governantes que atacam o projeto.


"Nós não aceitamos que as pessoas digam: vai custar R$ 6 bilhões. Que custe sete, que custe oito", declarou. "Mas eu estou vendo gente ser contra. A gente visita os Estados e eles nunca fizeram um centavo de investimento para evitar que o esgoto da sua cidade fosse jogado dentro do rio São Francisco através de seus afluentes."

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