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Turismo

Fazenda pantaneira mostra agro-ecoturismo sustentável

6 SET 2007 - 09h34min
aquidauana news

Produção agropecuária integrada a fauna e a flora da região pantaneira. Este é o cenário da Fazenda San Francisco, em Miranda/MS, onde os jornalistas do Projeto Imagem puderam vivenciar a atividade econômica de um empreendimento auto-sustentável.


Após passar por Bonito e Jardim, o grupo encerrou o roteiro no Estado, no último domingo, fazendo um tour pela propriedade de 14,8 mil hectares onde a lida campeira, o cultivo e o folclore pantaneiro caminham juntos com a preservação ambiental.


A visita da imprensa internacional é uma ação do Conselho Extraordinário de Relações Nacionais e Internacionais para o Desenvolvimento Econômico do Estado (Conex/MS), que promovendo os potenciais econômicos estaduais objetiva abrir novos mercados para Mato Grosso do Sul.


Participaram do Projeto os italianos Manrico Murzi e Luigi Credi (Revista Eurocarni), o russo Petr Kiriyan (RBC Daily), o francês Georges Quioc (Le Figaro), e o malaio Kamarul Aznam Kamaruzaman (Halal Journal of Malaysia).


"O Estado é agropecuário, mas eu jamais imaginei que o governo pudesse atingir o grau de maturidade de criar um instrumento que mostrasse isso lá fora. Além disso, trazer uma pessoa tão conhecedora do mercado internacional para promover nossos potenciais, como o Pratini, mostra realmente que teremos uma gestão comprometida com o setor", avalia Beth Coelho, da Fazenda San Francisco, se referindo ao presidente do Conex, Marcus Vinicius Pratini de Moraes.


Se a empresária rural se surpreendeu com a iniciativa, maior ainda foi o espanto do jornalista do Halal Journal of Malaysia, que disse ter ficado impressionado ao ver um complexo econômico sendo viabilizado em tamanha extensão.


"Na Malásia não é possível ver empreendimentos dessa dimensão. Lá as pessoas não investem no campo nem dão importância à preservação ambiental; eles acham que o trabalho na cidade tem mais glamour. Hoje eu sei que a agropecuária contribui de forma ímpar para o desenvolvimento de uma nação, mas os jovens do meu país não conseguem ver isso", comparou Kamarul Kamaruzaman ao explicar que na Malásia os investimentos ocorrem nos centros urbanos em virtude das inúmeras indústrias de tecnologias, a exemplo da informática.


O malaio comentou ainda sobre a importância do campo para abastecer a cidade. "Precisamos produzir alimentos, pois o crescimento da população é constante. O que eu vi aqui foi uma produção intensiva e altamente produtiva que com a adoção de tecnologia avançada, interfere diretamente no resultado da produção", ponderou ele ao lembrar das explicações feitas pelo proprietário da fazenda, Roberto Coelho.


Assim como Kamarul, os demais jornalistas pontuaram uma série de diferenciais por eles observados na propriedade. Isso porque, durante todo o roteiro que fizeram na San Francisco, puderam conhecer a sistemática aplicada na criação das raças Nelore, Senepol, Montana e Búfalo, feita numa área de 3.300 hectares (onde também existe um confinamento para 1.200 animais), bem como na produção de 4.000 hectares de arroz irrigado e ainda no turismo (a fazenda possui uma reserva florestal de 7.500 hectares).


O russo Petr Kiriyan complementou as ponderações do malaio dizendo de forma breve que "a integração é uma atitude inteligente". Por fim, ele também fez um comparativo entre a economia de Mato Grosso do Sul e de seu país. "Na Rússia, os principais produtos pecuários são os suínos e as aves. Lá, os produtores são organizados em cooperativas e a atividade agropecuária se desenvolve timidamente em pequenas áreas. Os grandes empreendimentos não são propriedades públicas, mas sim privadas", dimensiona o jornalista.


"A San Francisco é considerada um excelente local para a observação de vida silvestre, sobre tudo aves, com 315 espécies catalogadas por biólogos e ornitólogos.


Hoje, a fazenda é viável economicamente graças a essas integrações, o que não ocorre com outras propriedades na região pantaneira devido aos altos custos de produção", explica o médico veterinário Dulcimar Menezes, um dos responsáveis pelo trabalho na propriedade, e que ministrou uma breve palestra sobre o funcionamento do empreendimento.


PROJETO GADONÇA


Numa parceria com a ONG Pró-Carnívoros, instituto que atua pela conservação dos mamíferos carnívoros e seus hábitats, através de pesquisa, manejo e educação, a San Francisco iniciou em janeiro de 2003 o Projeto Gadonça, criando um novo horizonte nas questões de preservação.


Este projeto consiste na captura das onças para colocação de rádios transmissores com o intuito de monitoramento da espécie, procurando identificar as melhores formas de prevenir a predação do gado e de outros animais domésticos.


Sobre o monitoramento das onças os jornalistas tiveram uma palestra ilustrativa com o biólogo Ricardo Luiz da Costa. Além de explicar toda a teoria do projeto, que atualmente mantém sob monitoramento 14 onças - entre machos e fêmeas, onças-pintadas e pardas - num bate papo com o grupo Ricardo Luiz narrou o comportamento dos mamíferos na propriedade. "As onças, segundo a literatura, são animais solitários e territorialistas. Porém, cada vez mais a natureza nos surpreende e mostra que rotina é algo que não existe nesse meio", introduziu o biólogo.


"O fato é que, dois machos adultos de onça-pintada, prováveis irmãos, vêm sendo observados juntos, dividindo o mesmo território e, provavelmente, caçando cooperativamente e compartilhando suas presas. Esses irmãos estão se sentindo tão à vontade que podem ser observados até namorando a poucos metros de distância dos nossos veículos de safári", relata o estudioso aos estrangeiros que na parte da noite, em silêncio, puderam admirar um macho pardo, de aproximadamente 120 quilos, que após o jantar se espreguiçava a menos de 100 metros do veículo. No mesmo passeio foi possível observar três jaguatiricas além de cervos, capivaras, jacarés, entre outros animais.


Mas privilegiada mesmo foi a equipe da televisão inglesa do canal Animal Planet. No mês passado eles estiveram no Brasil fazendo captura de imagens para um documentário exclusivo sobre grandes animais, onde a onça pintada estará representando a fauna brasileira. Vieram na incerteza de conseguirem boas imagens e, ao contrário disso, conseguiram imagens inéditas.


Na chegada à Fazenda San Francisco, conseguiram filmar uma briga entre duas onças-pintadas machos e posteriormente o acasalamento do vencedor com uma fêmea.


Esta fêmea - identificada como "Elisa" - estava equipada com o colar de localização utilizado pelo Projeto Gadonça. Os dois machos não estavam com colar, porém um deles, o "Oreia", nome dado porque lhe falta uma parte da orelha direita, já é monitorado pelo Gadonça há cinco anos.


De acordo com o biólogo Ricardo Luiz, até onde se sabe, não existe registro do ato da cópula da onça-pintada na natureza, portanto, as imagens colhidas são de grande valor científico. A equipe permaneceu na fazenda por quatro dias, colhendo mais imagens de animais e da natureza.

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