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Turismo

Livro conta história de um casal que passou nove meses em lua-de-mel

16 AGO 2007 - 07h48min
folha on line

O livro "Guia Fuja por um Ano", da série "Guias Fuja, Fique e Crianças", da Publifolha, traz informações para programar a viagem que pode mudar a sua vida. O volume reúne relatos curiosos de pessoas que encararam a aventura e ajuda o leitor a montar um roteiro e avaliar os destinos.


Confira trecho de um capítulo que conta a história de um casal que passou nove meses entre os países da Europa, Ásia e África.


Todo mundo viaja na lua-de-mel. Mas você já ouviu falar em alguém que tenha feito uma lua-de-mel de nove meses? Agora sim. A arquiteta e professora de artes de colégio particular, Cíntia Valente, e o professor universitário Delmar Galisi Domingues foram apenas coerentes.


Os dois se apaixonaram numa festinha quando, conversando sobre suas viagens pelo Nordeste, um descobriu que o outro conhecia a então amplamente desconhecida cidade baiana de Lençóis, na Chapada Diamantina. Universitários, fizeram a primeira viagem 15 dias mais tarde e, em três meses, estavam na Chapada dos Guimarães.


Nada mais justo que começar a vida de casados, cinco anos adiante, viajando longamente. Delmar tirou licença não-remunerada do cursinho em que dava aulas; Cíntia pediu demissão da emissora de TV em que trabalhava como cenógrafa. Venderam um carro quase novo, juntaram economias e dólares que ganharam de presente e, depois da festa, partiram.


Sede de Conhecimento
Julho, verão europeu. O vôo por uma companhia bem barata não foi lá essas coisas, mas pelo menos avião não caiu (a empresa quebraria antes de eles voltarem). Destinos certos mesmo, apenas Espanha, onde desembarcaram, França e República Tcheca, para onde haviam tirado visto prévio, então obrigatório. Mas carregavam dicas ótimas de toda a Europa, de amigos ou em recortes de jornal.


Carregavam também duas malas cada um que as dores nas costas trataram de reduzir a duas mochilas leves com duas calças jeans e três camisetas por cabeça, mais miudezas. Ficavam em albergues ou dormiam em casas de amigos. A imersão foi intensa e predominantemente cultural muita arte e arquitetura. Só em Paris, visitaram 20 museus. O Louvre, visitaram por três dias de oito horas cada um.


Encontraram três das quatro praças que consideraram as mais belas do mundo: a clássica Place des Vosges, em Paris; a medieval Old Town Square, em Praga; e a Grand Place (ou Grote Markt), em Bruxelas a quarta fica em Cuzco, Peru. Delmar escrevia e Cíntia desenhava: o projeto arquitetônico da estação de trem de Barcelona, a roupa de uma vitrine, uma peça egípcia. "Tínhamos sede de conhecimento", lembram eles. "Mas, quando chegamos a Londres, em janeiro, cansamos."


Era inverno em uma cidade cara, subempregos estavam fora de questão, as pessoas se mostravam de mau humor e indiferentes. E, principalmente, não agüentavam mais ver igrejas e castelos. Mas não se sentiam prontos para voltar ao Brasil. E restava metade dos US$ 14 mil que levaram.


Passagem para a Índia
Desde o início, havia o desejo de conhecer a Índia. E Londres mostrou ser o lugar certo para realizá-lo, rainha das passagens aéreas promocionais. Cíntia e Delmar pegaram um vôo para a Índia pela companhia russa Aeroflot (US$ 510 cada um, ida e volta) e chegaram a Nova Délhi sob um sol de 40 graus.


Por mais que os ocidentais leiam sobre os indianos, nunca estão preparados. No aeroporto, dezenas de carregadores de malas se amontoaram ao redor do casal, tocando seus cabelos, puxando suas malas, enquanto se dirigiam ao ônibus que os levaria à cidade. Eles só aprenderiam a lidar com isso mais tarde. "Não tente conversar, eles ignoram; não tente gritar, eles riem; fixe o olhar em um livro e siga em frente", ensina Cíntia. A dupla percebeu, contudo, que a diferença é parte do encanto indiano. Tudo é diferente. "A noção de privacidade é outra", explica Delmar.


Por exemplo, nos trens e ônibus, eles se sentam em seu colo ou pegam sua revista naturalmente, sem agressividade ("ao contrário, são meio submissos aos ocidentais"). A noção de higiene também é outra. Eles não têm papel higiênico no banheiro. Não é que sejam sujos com o corpo; preferem lavar-se com água. O segundo encanto indiano está nos templos, palácios e forts hindus, um estilo de exuberância incomparável. No primeiro dia de Nova Délhi, pegaram um city tour para se localizar e já viram, além da Casa de Gandhi, o Red Fort (a prefeitura, silenciosa, perto da qual há encantadores de serpentes e homens levitando) e o belo templo Bilarum.


A três horas de trem de lá, em Agra, o lendário Taj Mahal, palácio-mausoléu que um marido apaixonado fez para a mulher morta. "Um dos mais esplêndidos empreendimentos da megalomania humana", escreveu Delmar em seu diário. Eles também visitaram construções arrebatadoras em Jaipur (a cidade rosa, "na verdade, meio alaranjada", com o Palácio dos Ventos, para abrigar esposas e concubinas do marajá), Jodhpur (o Meherangarh Fort) e Khajuraho (cujos templos são decorados com figuras eróticas). A comida indiana é o terceiro encanto. "Esplêndida, baratíssima e com ótimas sobremesas", como o diário de Delmar não deixa mentir. Aliás, ser barato é outro encanto do país. Eles vinham com uma média diária de gastos de US$ 50 e baixaram para US$ 20.

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