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13 de julho de 2020
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Turismo

Peixe do Pantanal: marca rica e inexplorada

27 AGO 2007 - 14h14min
Ariosto Mesquita

Até bem pouco tempo, quando se falava em peixe do Pantanal vinha logo à cabeça a pesca extrativista, descontrolada e ameaçadora de espécies na região. Hoje o quadro é outro. O extrativismo foi reduzido sensivelmente e deu espaço para o peixe de cultivo, aquele desenvolvido em pisciculturas e padronizado para o consumo do mercado interno e até externo. A velha história do "gosto ruim" também acabou. Os peixes de cultivo hoje recebem alimentação balanceada para adequar o sabor e a textura da carne aos padrões do consumidor. Enquanto isso, o peixe de rio come de tudo...ou quase de tudo.


Enquanto isso é cada vez mais cultuada no Brasil e até em outros países a palavra "Pantanal" designando uma região rica em fauna e flora, um paraíso ecológico e recentemente reconhecida pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. Evidente que com todos estes atributos, a região projete nos produtos originários dela uma força mercadológica incomum e uma áurea mítica encantadora para o mercado.


Imagine, portanto, o consumidor médio, nos supermercados e peixarias do Brasil, se deparando com um peixe (inteiro ou em cortes) com a chancela "Pantanal" como sua designação de origem? Evidente que teria uma influência fortíssima na decisão final de compra. E com um detalhe: A designação "Peixe do Pantanal" se aplica a qualquer das várias espécies nativas da região desenvolvidas em cultivo (pintado, pacu, piraputanga, etc). O mesmo, por exemplo, dificilmente se aplicaria ao boi, que não é um animal nativo da região.


No final da década passada o Governo Federal instituiu no país a classificação de produtos com selos de Indicação Geográfica (IG), mecanismo extremamente eficiente mas ainda quase totalmente desconhecido pelo agronegócio brasileiro. Um selo de IG identifica um produto originário de um país ou região que possui qualidade, reputação e característica pela sua origem geográfica. Elementar: uma IG "Peixe do Pantanal" tornaria o produto cultivado dentro das características da região como único, singular e com extremo diferencial sobre a "concorrência".


Na Europa, as indicações geográficas são comuns há várias décadas mas no Brasil apenas três produtos estão usufruindo das benesses do selo (reconhecido no mercado internacional): O "Vinho do Vale dos Vinhedos", o "Café do Cerrado Mineiro" e a "Cachaça do Brasil" (este concedido por decreto federal). No entanto, tem muita gente com visão de futuro no Brasil com pedidos de IG encaminhados junto ao INPI. Dentre alguns produtos que podem receber brevemente a IG estão a "Cachaça de Parati", "Queijo Serrano/RS", "Uva do Vale do São Francisco" e o "Queijo de Coalho do Agreste Pernambucano".


Até 2006 o INPI ainda não havia recebido qualquer pedido de IG proveniente do Mato Grosso do Sul e nem mesmo solicitação de IG para peixe no Brasil. Em Portugal, há estudo para uma IG "Peixe-Espada Preto de Sesimbra". Enquanto muitos se preocupam na proteção e valorização de seus produtos, no Mato Grosso do Sul isso pouco é levado a sério. Há no agronegócio, em geral, uma confusão entre fazer marketing e fazer oba-oba. O que se degusta de produtos sul-mato-grossenses em jantares, coquetéis e badaladas reuniões palacianas pelo Brasil e mundo não está no gibi. Ótimo! No entanto, deixam-se de lado estratégias de resultados perenes e seguros para as cadeias produtivas.


A esperança é que o I Congresso Brasileiro de Produção de Peixes Nativos de Água Doce, que acontece esta semana em Dourados/MS, possa discutir e pelo menos estudar de forma estratégica, a conceituação da marca "Peixe do Pantanal" e dar encaminhamento para que este produto seja efetivamente protegido e valorizado. Ganham os produtores, a comunidade, o estado e o Brasil.


(*) é jornalista, pós-graduado em Administração de Marketing e mestre em Produção e Gestão Agroindustrial - ariostomesquita@globo.com - (67) 9906-1859

 

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