Em um período marcado por promessas vazias e gastos cada vez maiores com campanhas políticas, a vida de um morador anastaciano depende da arrecadação de R$ 100 mil para uma cirurgia. Pai de família, provedor de um lar, ele enfrenta uma triste situação, corriqueira para muitos brasileiros, pagando seus impostos e não obtendo o devido retorno em qualidade de vida.
Gildo Lozano, 51 anos, sofre de Neurocisticercose, uma grave doença que afeta o sistema central, ocasionada pela ingestão de água ou alimentos contaminados com ovos parasitas de Taenia Solium. Devido ao diagnóstico tardio da enfermidade, que já está em um nível avançado, a cirurgia é o único caminho para resolver o problema.
Primeiros sinais
Casado há 12 anos com Valéria Alves, Gildo é pai de duas crianças, Daiane (10 anos) e Davi (3 anos). Ele já trabalhou no frigorífico e em uma empresa de manutenção asfáltica. Depois, ficou desempregado, mas nunca deixou faltar nada em casa. Sem desanimar, passou a andar vários quilômetros de bicicleta para fazer diárias em fazenda. A compensação não demorou a vir, e o pai de família conseguiu uma excelente oportunidade de emprego perto de casa.
No entanto, a rotina dele veio a mudar no ano passado, quando surgiram os primeiros sinais da grave doença. O anastaciano começou a reclamar de fortes dores de cabeça, que logo se espalharam por outras partes do corpo. Após passarem por vários consultórios médicos, os familiares descobriram que Gildo estava com Hidrocefalia - acumulação de líquido no interior da cavidade craniana.
Agravamento
Com o agravamento das dores, Gildo não teve mais condições de trabalhar e nem mesmo conseguia comer. Ao longo desse período de sofrimento, perdeu mais de 40 quilos. Foi com muita luta que os seus familiares conseguiram agendar uma cirurgia, em Campo Grande, em fevereiro deste ano. O procedimento atestou que o líquido era apenas consequência de algo mais grave, até então desconhecido. Poucos dias depois da cirurgia, o trabalhador voltou a se sentir mal, com vômitos frequentes.
Eles retornaram para a Capital e, através de ressonância magnética em uma clínica particular, veio à tona o diagnóstico de Neurocisticercose. De acordo com os médicos responsáveis pelo atendimento, o problema pode ser resolvido através de uma cirurgia, por meio do SUS (Sistema Único de Saúde). Entretanto, Juliana Alves, irmã de Valéria e cunhada de Gildo, reclama dos transtornos que a família vem enfrentando com os hospitais públicos.
"Os hospitais de Campo Grande ficam em jogo de empurra e, enquanto isso, o tempo passa e a doença avançando. O Hospital Regional não tem infraestrutura suficiente, e a Santa Casa, que teria, diz aceitar apenas urgência e emergência, como se o caso não fosse urgente. Nesse impasse, o neurocirurgião que o trata encaminhou tratamento fora de domicílio, mas o pedido é negado porque alegam que o Estado tem condições de resolver a situação", diz Juliana. Ela ressalta que o caso está na defensoria pública, mas não caminha na mesma velocidade que a doença.
Campanha
Sem enxergar saída para o caso, os familiares de Gildo iniciaram uma
campanha no Facebook, para tentar realizar o tratamento em um plano privado. Segundo os neurocirurgiões, o custo gira em torno de R$ 70 mil a 100 mil. Apesar de ainda não ter resultado em retornos financeiros, a postagem já ultrapassou a marca de 5 mil compartilhamentos.
"Queremos que o poder público - a Santa Casa, a defensoria pública de Anastácio e as Secretarias de Saúde do Estado - fique pressionado a solucionar o caso. Que seja questionado, investigado, incomodado. É desumano e um descaso o que estão fazendo com ele, pois está morrendo aos poucos, às mínguas, diante de seus dois filhos pequenos", apela Juliana.
Para quem tiver interesse em ajudar, a conta poupança é: 1874-1, Agência 4555, operação 013, Caixa Econômica Federal. O contato pode ser feito através dos telefones: (67) 9239-6164/9638-1911 (Valéria) e 9936-1640 (Juliana).