Na tarde desta quarta feira (20), entrevistamos o casal Lucilene Pereira Cruz, 28 anos, e Charles Calder, 39 anos. Ela é anastaciana e vivia na cidade de Valladolid, Espanha, onde trabalhava e morava com uma tia e um primo. Ele morava com sua família na Escócia, mas o destino preparou uma surpresa para os dois. Há cerca de um ano e meio, ambos foram passar férias em Bernidorm, separadamente, mas acabaram se encontrando, e o amor aconteceu. ?É o que costumo brincar com ele, como é que duas pessoas, uma de um lado, e a outra do outro lado do continente, decidem passar as férias no mesmo lugar, se conhecem e se apaixonam?? disse Lucilene em meio a risadas.
Durante a entrevista, Lucilene se encarregou de dar todas as respostas, já que Charles não fala nada de português. Ela conta que se conheceram em um bar em Bernidorm e que Charles ficava encarando-a a todo o momento e, por isso, ela decidiu tomar uma atitude. Pediu para que o camareiro, maneira como os escoceses chamam os garçons, entregasse ao pretendente o seu número de celular. Aos risos, Lucilene conta que o garçom, que também estava interessado na moça, não fez o que lhe foi pedido, forçando Charles a se levantar e entregar o seu contato pessoalmente à brasileira. Depois disso, foi só romance.
Os dois passaram a se comunicar e se ver diariamente durante o período de férias. Após 13 dias de encontros, Charles pediu a moça em namoro, que prontamente aceitou o pedido. Após o término das férias, Charles, que é empresário, voltou para a Escócia e criou contas em redes sociais, como WhatsApp e Facebook, para poder manter contato com a moça. Ele passou a visitar a cidade de Valladolid de dois em dois meses para ver a amada.
Em fevereiro deste ano, após mais uma visita do noivo, Lucilene decidiu voltar com Charles para Escócia, mas por motivos burocráticos, foi barrada e deportada para Madri, mas isso não foi impedimento algum para os dois. Na verdade, foi mais um impulso. Para evitar problemas como esse, e ainda, levar a sua amada para junto de si, Charles pediu a mão de Lucilene em casamento.
O pedido foi feito no dia dos namorados, que diferente do Brasil é comemorado na Espanha, em 14 de fevereiro. Lucilene conta que preparou uma surpresa para Charles, um jantarzinho romântico, e que no fim ela mesma é quem recebeu a maior surpresa, o tão esperado anel de compromisso. A noiva conta que, por exigência dela, o casamento foi realizado em Anastácio, já que toda a sua família é daqui, e depois os dois realizarão outra cerimônia na terra do seu marido.
No meio da entrevista Charles, que é o primeiro membro de sua família e dos seus amigos a vir para o Brasil, fez questão de levantar e mostrar suas pernas que estão tomadas por mordidas de ?muxquito?, ele arrisca o nome do inseto, e só da risadas quando entende sobre o que Lucilene esta falando. Durante a entrevista os dois não param de trocar olhares apaixonados.
A cerimônia civil, realizada nesta quinta-feita (21), no Cartório Medeiros em Anastácio, contou com a presença de Marilene Moraes Coimbra, que é tradutora oficial juramentada do estado de Mato Grosso do Sul. Sem ela o casamento dos dois não teria validade nenhuma fora do Brasil e também não ajudaria Lucilene a entrar no país de Charles. Para que um documento estrangeiro tenha valor legal dentro do território brasileiro, é necessário que a sua tradução seja acompanhada diretamente por um tradutor juramentado do estado, e essa regra vale para o reverso também. Para que a certidão de casamento seja válida no departamento de imigração escocês é necessário que ele seja validado, neste caso por Marilene Coimbra.
Ao contrário da maioria dos casamentos, os quais a roupa da noiva é o que mais chama atenção, neste, o foco foi na roupa do noivo. Como dito antes Charles é escocês, e culturalmente em casamentos escoceses o noivo deve vestir um Kilt, espécie de Saiote feito com metros de tecido xadrez em arranjo. Mas a noiva não ficou para trás, com um tradicional vestido de noiva, um buquê e o cabelo em tranças Lucilene esbanjava sorrisos, e distribuía a sua alegria por onde passava. A cerimônia foi presidida pela Juíza de Paz Rosemara Brito Madruga Martinez e pela tabeliã Maria Simone da Silva Sousa.