Luto
Antonio Carlos Felix Nunes, o Aroeira, sempre foi referência na luta pelos direitos dos trabalhadores
Luiz Guido Junior
Publicado em 13/03/2017 às 10:01
Atualizado em 10/09/2026 às 14:35
Jornalista, autodidata, nascido em Itirapina, interior de São Paulo, com uma longa folha de serviços prestados ao jornalismo e cultura dos movimentos operários, como o jornal A Tribuna, do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista e o jornal “O Aroeira”, de Anastácio, em Mato Grosso do Sul, Antonio Carlos Félix Nunes, conhecido por alguns como pelo nome do jornal, morreu na manhã desta segunda feira, 13, no Hospital Regional, em Aquidauana, de causa ainda não confirmada, aos 85 anos de idade. Ele foi internado no domingo, 12, por volta das 18h00.
Na década de 90 do século passado, num intervalo das muitas atividades que exercia no movimento sindical, Félix foi convidado para uma pescaria, em Aquidauana. “Me encantei com as belezas daqui, a natureza, a calma e a paz do lugar”, relatou na época. Aposentado por tempo de serviço, resolveu deixar “a loucura de São Paulo”, como relatou ao amigo e jornalista Armando Anache, e se estabeleceu em Anastácio, onde comprou uma casa.
Sua história é rica em detalhes, realçando criatividade e amor pelas bandeiras que defendia. Basta lembrar que apenas com o antigo curso primário, conseguiu desenvolver uma trajetória singular no jornalismo, atuando em órgãos de ponta como a Folha de São Paulo, além de criar diversos personagens de ampla projeção na história do sindicalismo nacional, construídos a partir de seu vínculo com expoentes deste universo, como Luis Inácio Lula da Silva, ex-presidente da república, do qual foi parceiro e amigo.
Apesar deste contexto maior, na região de Anastácio e Aquidauana e no Estado de Mato Grosso do Sul, contudo, Felix sempre foi e será conhecido pelo jornal que editou, com um perfil diferenciado, de cunho mais popular, e referência na região pelo combate a oligarquia local, propondo um diálogo permanente com os trabalhadores da região. O nome, “O Aroeira”, surgiu por causa da árvore, “imponente pelo seu porte, pela dureza da madeira e que carrega a fama de ser a mais resistente do pais”, como gostava de lembrar.
Apesar de seu estilo combativo, Felix conseguiu conquistar o respeito até dos adversários políticos em Mato Grosso do Sul, especialmente na região pantaneira, que sempre “representaram as oligarquias”, na sua ótica, associados aos chamados partidos de direita. O Velório está acontecendo em Anastácio.
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