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Turismo de Pesca

Polêmica, ‘Cota Zero’ ainda causa discussão entre pescadores amadores e profissionais

Pescador profissional de Aquidauana defende que categoria também precisa ser consciente

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Um dos principais segmentos que movimentam a economia da região Sudoeste de Mato Grosso do Sul, sobretudo nos rios de Aquidauana, a pesca turística começa em 2019, pós o fim do período de defeso, com várias dúvidas e discussões em relação às mudanças impostas pela legislação da “Cota Zero” em vigor desde o último dia 22 de fevereiro. 

A medida prevê que, a partir de 2020, pescadores amadores e esportivos não poderão mais capturar e transportar peixes retirados dos rios de Mato Grosso do Sul, no máximo, poderão consumi-los no local, respeitando as especificações de peso e tamanho previstos no decreto n. n. 15.166, divulgado pelo governo do Estado. (veja a tabela abaixo).

Na visão do governador Reinaldo Azambuja, o fato de estipular o tamanho e quantidade máxima para pesca amadora/esportiva tem justamente a finalidade de manter o trade turístico aquecido com o abastecimento assegurado de peixes nos rios do estado, conforme anunciou em reunião com pescadores esportivos no dia 26 de janeiro, em Campo Grande.

“O nosso peixe está diminuindo a cada ano nos nossos rios. Vamos receber mais turistas, valorizar o pescador profissional e acabar com o atravessador”, disse Reinaldo com base em estudo realizado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro) que apontou a diminuição do volume de peixes retirados dos rios do estado.

De acordo com a instituição, de 1999 a 2016, 1.538 toneladas de peixes pescados no primeiro ano de amostra passou a 370 toneladas, ou seja, a redução da quantidade, em 17 anos, foi de 76%, o que para o governo, aponta a razão para a vigência da nova Lei.

Justificativa - Desde o anúncio da “Cota Zero” para pesca amadora, a posição do chefe de Estado vem sendo amplamente divulgada e corroborada pela Semagro, pasta que criou o modelo da nova legislação e que compete o entendimento entre governo do Estado junto aos empresários do setor do turismo de pesca.

“A partir do dia 1º de março, o pescador amador tem direito a uma cota de 5kg de peixe, mais um exemplar e cinco piranhas É importante observar os tamanhos mínimo e máximo que foram estabelecidos no decreto para cada uma das espécies. Estamos proibindo o transporte intermunicipal e interestadual de pescado, apenas para pesca amadora e esportiva a partir de 2020”, explica o secretário-adjunto da Semagro, Ricardo Senna.

O fato é que as novas regras ainda darão o que falar, entre empresários do setor turístico, pescadores amadores e esportivos e também profissionais que vendem iscas e acompanham turistas nos rios do estado, até que as novas regras sejam devidamente compreendidas e respeitadas por todos os entes envolvidos. O governo do Estado deve manter a cota de 400kg mensais de peixes para pescadores profissionais, como é hoje.

Consciência do pescador profissional

Na última terça-feira (5) o pescador profissional Miguel Ângelo Sirangelo pescou, acompanhado por turistas de São Paulo, um pintado com cerca de 35kg e 1,48 m de comprimento. O peixe foi fisgado no Rio Aquidauana, próximo ao pesqueiro Toca da Onça.

De acordo com o pescador profissional, ele acompanhava turistas vindos de São Paulo e que teriam ficado encantados com o tamanho do animal. Após capturar o peixe, o pescador o soltou no rio novamente, já que o decreto vigente impede que o pescador retire o peixe sem devolvê-lo, conforme as especificações da tabela de peso e tamanho.

“É preciso ter a conscientização de que essas grandes matrizes precisam se reproduzir para povoar os rios. Há muita discussão em torno do decreto do governador, mas é importante frisar que o pescador profissional também tem que ter a consciência de soltar o peixe para que ele possa criar. Assim, outras pessoas e turistas também terão o prazer de pegar o peixe, tirar foto, filmar, assim como esses de São Paulo, que ficaram muito contentes de ter visto esse peixe, pois é muito grande”, defendeu o pescador profissional.

Legenda da Foto

Nesse caso, vieram cinco turistas da Capital Paulista a Aquidauana, de avião. “Eles alugaram carro, ficaram hospedados em pousada da região, alugaram barco, motor, piloteiro por dois dias, ou seja, são turistas que movimentam e trazem dinheiro para o estado, fomentam a nossa economia e por isso devemos pensar em como fazer crescer esse segmento”, concluiu.

Confira abaixo os tamanhos máximo e mínimo de captura para cada espécie, de acordo com o Decreto nº 15.166:

Nome

Tam. Mínimo

Tam. Máximo

Jaú

95 cm

120 cm

Cachara

83 cm

112 cm

Pintado

90 cm

115 cm

Pacu

45 cm

57 cm

Piraputanga

30 cm

Indeterminado

Barbado

60 cm

Indeterminado

Pati

65 cm

Indeterminado

Jurupoca

40 cm

Indeterminado

Curimbatá (curimba, Papa-terra)

38 cm

Indeterminado

Piavuçu

38 cm

Indeterminado

Jurupensém

35 cm

Indeterminado

Armao, armado, abotoado

35 cm

Indeterminado

Cascudo-abacaxi

30 cm

Indeterminado

Cascudo, acari

30 cm

Indeterminado

Corvina

30 cm

Indeterminado

Cascudo-preto

25 cm

Indeterminado

Mandi, mandi amarelo

25 cm

Indeterminado

Piau

25 cm

Indeterminado

Piau-Três-Pintas

25 cm

Indeterminado

Pacupeva

20 cm

Indeterminado

Palmito

35 cm

Indeterminado

Assista o vídeo:

 

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