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Fevereiro Roxo

"Mas ontem você estava ótima" escuta com frequência quem tem fibromialgia

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Fevereiro recebe a cor roxa pelas organizações de saúde para conscientização sobre Alzheimer, lúpus e fibromialgia. Apesar de serem doenças aparentemente diferentes, elas se aproximas em duas coisas: ainda não possuem cura conhecida pela medicina e são autoimunes. 

Nesta sexta-feira (5) O Pantaneiro conversou com Sandra Martins Felix, de 45 anos, que mora em Anastácio e trabalha no comércio de Aquidauana. Sandra foi diagnosticada com fibromialgia em 2014, após procurar em todos os especialistas uma explicação para as dores crónicas que sente desde sempre.



Essa patologia tem como característica principal as dores crônicas e generalizadas no corpo, que não há sinais físicos, pois está associado ao sistema nervoso. Ainda não foi encontrada uma razão específica para o desenvolvimento da fibromialgia, o que existe até o momento são hipóteses.

“Durante toda a vida eu sempre fui muito sensível a dor, costumava até dizer que tinha ‘a carne e o couro cabeludo dolorido’, além de muita enxaqueca. Em 2014 as dores foram ficando cada vez mais fortes nas costas, nos ombros, a ponto de eu não conseguir sentar”, lembra Sandra.

Ela passou por diferentes especialistas, de médicos renais aos que tratam na coluna, inúmeros exames de imagem, mas nada apresentada um resultada que justifica aquelas dores. Até que um reumatologista fez os exames clínicos e testes constaram a fibromialgia. Sandra faz uso de dois remédios diários, uma para dor e outro neurológico, mas isso não livra das crises mais fortes. Em casos assim, mais remédios para dores e relaxantes musculares para tentar aliviar.

WhatsApp Image 2021 02 05 at 13.50.29Há casos em que a crise de dor é tão intensa que só com remédios intravenosos para diminuir as dores de Sandra - Foto: Arquivo Pessoal

“O que é mais dolorido para quem tem essa doença, que se equiparam as dores, são os julgamentos das pessoas. Julgam dizendo que é algo apenas psicológico, ou fazem comentários como ‘mas ontem você estava ótima’, ‘não dá para acreditar que sente dor direto’... Pois é uma doença que não aparece, só tem quem entende como é”, desabafa Sandra.

“O fardo feminino” – por Dráuzio Varella 

Existem dez vezes mais mulheres atingidas que homens. Segundo o National Institute of Arthritis and Musculoskeletal and Skin Diseases, entre 80% e 90% das pessoas com fibromialgia são mulheres. O machismo enraizado em nossa cultura mostrou-se muito eficiente para transformar um fato científico em uma característica inerente ao gênero. Se as pacientes são mulheres, provavelmente a dor é psicológica, frescura, drama, sintoma de TPM (Tensão Pré-Menstrual) etc. E assim, gerações de mulheres passaram a vida resignadas, com dor e outros sintomas.


 
A ligação entre fibromialgia e o sexo feminino pode estar na serotonina, neurotransmissor que influencia o sono, a produção de hormônios, o ritmo cardíaco e outras funções fisiológicas importantes. As mulheres produzem menos serotonina, e por isso são mais propensas a problemas como depressão, enxaqueca e transtornos de humor, principalmente no período de TPM. Como o neurotransmissor também participa do processamento da dor, talvez esse seja a explicação para o número muito maior de pacientes mulheres.

Além da forte relação com o sexo feminino, a doença tem laços estreitos com a depressão. Cerca de 50% dos fibromiálgicos apresentam também esse transtorno grave, com um quadro agravando o outro: a dor e o descrédito provocam reclusão, piorando a depressão, que por sua vez intensifica a dor – de forma real, e não psicológica.

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