17 de junho de 2021
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Anastácio

Em nota, ex-ministro Marun faz homenagem a empresário de Anastácio

Anastaciano Militão morreu por complicações em razão do coronavírus

5 JAN 2021 - 08h15min
Da Redação

Por meio de nota nas redes sociais, Carlos Marun, ex-ministro de Governo na gestão do ex-presidente Michel Temer, publicou homenagem ao empresário anastaciano Milton Machado Gonçalves, o Militão, que morreu na tarde na tarde domingo (03), vítima de infecção em decorrência do coronavírus (Covid-19).

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Conforme noticiado, Milton estava internado há mais de 30 dias e havia sido contaminado no mesmo período que sua esposa, Loreci, que faleceu de parada cardíaca também em decorrência da Covid-19 no dia 11 de dezembro de 2020. Eles foram casados durante 53 anos e deixaram quatro filhos: Ediosandra, Aline, Edilberto e Edinaura.

Em seu texto, Marun lembrou do aprendizado que teve ao lado de Milton e destacou a valentia demonstrada pelo amigo. “Valente é quem desvia as más oportunidades! Esta foi talvez a mais importante das frases que ouvi em toda a minha existência. E é talvez por tê-la ouvido que continuo troteando  na longa estrada da vida”, disse o ex-ministro sobre a sabedoria de Militão.

Marun lamentou profundamente o ocorrido. “Hoje fui eu quem recebi [...] a triste notícia de que o valente Miltão havia partido. Não teve como proteger a si ou a sua esposa e abater com os tiros do seu fazedor de viúvas o vírus mortal. Já deve ter encontrado a sua Loreci que foi há poucos dias.  Que Deus conforte a família e a nós seus amigos, e o tenha entre os Seus”, pontuou.

Confira abaixo o texto na íntegra

VALENTE

“Valente é quem desvia as más oportunidades!”. Está foi talvez a mais importante das frases que ouvi em toda a minha existência. E é talvez por tê-la ouvido que continuo troteando  na “longa estrada da vida”.

Era o ano de 1985. Miltão já não era mais o capataz do Afonsinho. Morava em Anastácio, onde também morava outro amigo, Aristeu Simizak, de Santo Augusto. Era um grande atirador. Corria por MS o relato do dia em que agachado curava um bezerro na mangueira da Faz Nova França e foi atacado pela vaca mãe. Um único tiro na testa acabou com a vida da vaca, que morreu aos seus pés. Miltão levantou, sacudiu a areia e perguntou calmamente de revólver na mão: “Quem foi o tonto que soltou a vaca?”.

Era um “Dia das Mães”. Nós em MS estávamos longe das nossas. Haveria churrasco no Salão Paroquial da Matriz de Anastácio, a 130 Km de Campo Grande. O Aristeu era o festeiro. Miltão o assador. 

O convite foi um prenúncio de confusão. “Vem pilchado. Vamos ensinar estes “paraguaios” a comerem carne mal-passada. Chega dos churrascos torrados que eles servem”.

E lá fui eu. Botas, bombacha branca, chapéu tapeado na testa e lenço vermelho maragato ao pescoço. Faca na guiaca e revólver no chão, no espaço entre a porta e o banco. Colocamos o Passat 4 portas na estrada e seguimos no rumo do Pantanal. Mário Calheiros que morava na mesma República que eu e não tinha o que fazer no domingo foi junto. Lá chegando, vi que Miltão e Aristeu estavam também pilchados. Miltão “bufava” na beira do fogo tentando colocar 200 espetos de 1kg de carne um pouco mal passada a disposição do participantes aí pelas 12.30 horas. Mas já as 11 hs começou a formar-se fila na frente da churrasqueira. Miltão não aguentou a pressão e “soltou a carne” aí pelas 11.30hs. 

Pensem numa carne mal passada. Pensem numa confusão. Os paraguaios acostumados a comer carne “torrada” passavam a faca e jorrava sangue. Eu neste momento estava narrando o leilão e vi que a “bronca” ia ser grande. Já estava arrependido de como narrador ter arrematado um ventilador e ter “gozado” a turma dizendo “este ventilador vai fazer friozinho lá em Campo Grande...”. De repente vi um “paraguaio” levantar, ir até a churrasqueira e arremessar um espeto com carne nos assadores. Me revoltei e estando com o microfone do leilão na mão pedi pelo auto-falante que o agressor se retirasse pois não possuía “condição social de frequentar uma festa como esta”. 

Silêncio. Levantou um “paraguaio” da mesa dos agressores, chegou em mim, me encostou uma faca na barriga e perguntou se eu tinha dito aquilo para ele. Mais silêncio. Ninguem para apartar. Pensem uma “situação brazina”. Decidi ganhar tempo e disse que não tinha sido para ele. Mas que aquilo não era coisa para ser resolvida dentro do ambiente de uma igreja. O convidei para “resolvermos lá fora” e sem esperar resposta virei as costas e fui saindo a passos largos. Olhei para trás e lá vinha o “paraguaio” com a faca na mão. E mais ninguém. Acelerei, ganhei distância, cheguei no Passat e peguei meu revólver. Apontei para o “paraguaio” que se assustou. Disse para ele tudo que tive vontade de dizer, mas felizmente não fiz fogo. Ele se apavorou e daí foi ele quem me deu as costas e voltou para a Igreja. 

Ali foi o meu maior erro. No lugar de ir embora, coloquei o revólver no bolso da bombacha e voltei. Fui direto para a churrasqueira onde um dos filhos do Miltão pulou do meu lado e disse “estamos juntos”. Os “paraguaios” se aglomeravam do outro lado do salão. O Mário estava completamente branco e com os lábios pretos. Vi que o Miltão tinha na cintura, por dentro da camisa, o seu revólver. Mas foi ele quem disse:

-Valente é o que desvia as más oportunidades. Eles vão matar você e o meu filho. Não adianta este revólver. Não és bandido. Vais demorar para atirar dentro de uma igreja em meio a tantas famílias. Tens que fugir daqui. 

E foi assim que como disse Jaime Caetano Braun no “Bochincho” eu “balanceei a situação” e decidi correr “pela porta da frente” Esperei o Mário estacionar o Passat na porta do salão. Puxei o revólver e fui. Cruzei pelos adversários que “se abriram” em função do revólver e me perseguiram me batendo com espetos de bambu. Felizmente não caí. Cheguei ao Passat e o Mário que já me esperava com o carro ligado saiu cantando pneus. Só fomos parar para tomar uma cerveja uns oitenta km depois. 

O Chico floreou a história dizendo que derrubei umas trinta bicicletas na porta do salão e quis me apelidar de “espeto corrido”. Mas a verdade é que em função da sabedoria galoponeira do Miltão é que minha mãe não recebeu naquele “Dia das Mães” uma triste notícia. VMe transformei em um grande amigo da Colônia Paraguaia e a “estória deste bochincho faz parte do meu passado”.

Hoje fui eu quem recebi do Renato Graeff a triste notícia de que o valente Miltão havia partido. Não teve como proteger a si ou a sua esposa e abater com os tiros do seu “fazedor de viúvas” o vírus mortal. Já deve ter encontrado a sua Loreci que foi há poucos dias. 

Que Deus conforte a família e a nós seus amigos, e O tenha entre os Seus!

 

 

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