21 dias de ativismo
A iniciativa busca mobilizar a sociedade para combater um problema estrutural e persistente, promovendo o debate público e fortalecendo políticas de proteção às mulheres
A campanha dos Dias de Ativismo contra a Violência da Mulher teve início nesta segunda-feira (25) em Aquidauana, com uma série de ações voltadas para a conscientização e prevenção da violência de gênero. A iniciativa busca mobilizar a sociedade para combater um problema estrutural e persistente, promovendo o debate público e fortalecendo políticas de proteção às mulheres.
A importância do ativismo em Aquidauana
Em entrevista ao jornal O Pantaneiro, a delegada da DAM de Aquidauana (Delegacia de Atendimento a mulher), Isabelle Sentinello destacou que os Dias de Ativismo desempenham um papel essencial na sensibilização da população.
“Esses momentos permitem romper o silêncio em torno da violência, incentivando vítimas a buscarem ajuda e promovendo uma cultura de respeito e igualdade. No contexto de Aquidauana, uma região com particularidades socioculturais e econômicas, essas iniciativas são fundamentais para ampliar o acesso das mulheres a recursos e serviços essenciais", afirmou.
Desafios enfrentados pelas vítimas
As mulheres vítimas de violência em Aquidauana enfrentam barreiras significativas, como dificuldades de acesso a delegacias e serviços assistenciais, especialmente em áreas rurais e aldeias indígenas.
“A dependência financeira do agressor, o medo do julgamento social e a falta de conhecimento sobre direitos e recursos disponíveis também são desafios importantes”, explicou a delegada.
Além disso, normas patriarcais e aspectos culturais locais perpetuam o ciclo de abuso, reforçando a necessidade de ações educativas e preventivas.
Ações da Polícia Civil e parcerias institucionais
A Polícia Civil de Aquidauana, por meio da Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM), desempenha um papel central no combate à violência contra a mulher.
“Oferecemos um ambiente acolhedor para as vítimas, com escuta ativa e orientação desde o registro da ocorrência”, explicou Isabelle.
Além disso, a delegacia atua em parceria com o Poder Judiciário para agilizar a concessão de medidas protetivas e com o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) para garantir suporte psicossocial.
Outras parcerias incluem o PROMUSE (Programa Mulher Segura da PM), a Defensoria Pública, o Ministério Público, escolas e universidades, que juntos formam uma rede de apoio integral às vítimas. Campanhas educativas também são realizadas em colaboração com organizações comunitárias para promover a conscientização sobre os direitos das mulheres e os canais de denúncia.
Números que preocupam
De acordo com dados da Polícia Civil, até 20 de novembro de 2024, foram instaurados 247 inquéritos policiais relacionados à violência contra a mulher em Aquidauana.
“Esses números representam apenas uma fração dos casos reais, evidenciando a necessidade de maior conscientização para que as vítimas quebrem o silêncio”, alertou a delegada.
Ferramentas de denúncia e suporte às vítimas
As mulheres em situação de violência podem buscar ajuda em diversos canais:
Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM): Localizada na Rua Francisco de Castro, 730, Guanandy, oferece um ambiente acolhedor para registro de denúncias.
Disque 180: Canal nacional de orientação e denúncia que funciona 24 horas, garantindo anonimato.
190: Para emergências, a Polícia Militar pode ser acionada para intervenções imediatas.
CRAM: Centro de Referência que oferece suporte social, psicológico e jurídico às vítimas.
PROMUSE: Programa da PM que acompanha e protege mulheres em situação de risco.
As vítimas também são encaminhadas para assistência social, atendimento médico, exames no IML e suporte jurídico, conforme a gravidade do caso.
Mensagem de encorajamento
Para as mulheres que ainda têm medo de denunciar, a delegada Isabelle Sentinello reforça que “denunciar é um ato de coragem. Você não está sozinha. Existem redes de apoio prontas para garantir sua segurança e bem-estar. Sua vida é uma prioridade, e romper o silêncio é o primeiro passo para a liberdade”.
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