O Festival de Inverno de Bonito abriu espaço, na última quinta-feira (21), para que a cultura indígena ecoasse no palco principal por meio da dança ancestral do povo Terena. Representantes da Aldeia Água Branca, em Aquidauana, apresentaram o Híyokena Kipâe — a tradicional Dança da Ema — e emocionaram o público ao trazer para a cena não apenas um espetáculo, mas um ato de memória, resistência e afirmação cultural.
O grupo de guerreiros, denominado
Kipaexoti, não se restringe a uma formação fixa. É composto por crianças, jovens, adultos e anciãos da comunidade, que mantêm viva a prática da dança como parte essencial da identidade Terena. Para o festival, 14 integrantes foram selecionados, além de um responsável pelo registro audiovisual da apresentação.
Segundo Doglas Sebastião, representante da Aldeia Água Branca e proponente da iniciativa, a participação no festival foi possível graças a um edital lançado pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, que selecionou apenas duas propostas no eixo de Artes Cênicas, na linguagem Dança.
“Escrevi o projeto e submeti como forma de apresentar nossa cultura ancestral. Quando vimos que tínhamos sido escolhidos, foi uma alegria coletiva. Fizemos reuniões, ensaios e até um teste no palco para alinhar a apresentação. Era importante levar o melhor da nossa aldeia para esse momento”, conta Doglas.
A presença no festival marcou a primeira vez que a Aldeia Água Branca se apresentou em Bonito. Para Doglas, a oportunidade foi significativa não apenas para dar visibilidade à tradição Terena, mas também para ocupar espaços simbólicos da arte.
“Foi um sentimento de felicidade para todos. Estávamos ali, no palco, mostrando que nós, povos indígenas, também devemos ter oportunidades de expressar nossa ancestralidade, compartilhar a nossa cultura e sermos reconhecidos por isso”, destacou.
A Dança da Ema é uma manifestação que acompanha a história da aldeia desde sua organização social em 1972. Em novembro, a comunidade completará 53 anos de existência e resistência, e a apresentação em Bonito foi vista como um marco no fortalecimento dessa trajetória.
“Esperamos voltar mais vezes. O festival foi também uma chance de conhecer a cidade turística e trocar experiências, mas acima de tudo foi um espaço para reafirmar quem somos. O Kipaexoti é a nossa forma de dizer que seguimos firmes, dançando, rezando e mantendo viva a memória de nossos antepassados”, afirmou Doglas.