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Aquidauana

Aquidauana e o empenho coletivo por metas

Município, que completa 121 anos de fundação nesta quinta-feira (15), tem 18 equipes de Saúde da Família

Equipe da Estratégia Saúde da Família José Vória / Arquivo Agecom

Aquidauana, município sul-mato-grossense com mais de 45 mil habitantes, que completa 121 anos de fundação nesta quinta-feira (15), tem 18 equipes de Saúde da Família (eSF). Ao tomar conhecimento do PMAQ-AB, a gestão municipal estabeleceu critérios para selecionar cinco equipes que poderiam aderir ao programa. Das cinco inscritas, no entanto, apenas três puderam aderir, informa a coordenadora de Atenção Básica de Aquidauana, Andréia Cézar de Oliveira. Uma das escolhidas foi a da unidade Estratégia Saúde da Família (ESF). As outras duas equipes, vinculadas à Unidade de Saúde da Família Santa Terezinha, são a ESF José Vória e a ESF Cláudio Fernando Stella.
As três equipes, já certificadas, apresentam semelhanças. Todas obtiveram como conceito no PMAQ-AB ?desempenho muito acima da média?, realizam visitas domiciliares, efetuam o acolhimento/atenção à demanda espontânea, fazem curativos/nebulizações, aplicam vacinas, realizam ações de saúde bucal, acompanham as pessoas com doenças crônicas e ofertam ações educativas. Também obtiveram ?desempenho muito acima da média? no conceito relativo à satisfação e percepção dos usuários em relação à utilização do serviço de saúde e ao cuidado recebido.
As semelhanças se estendem às primeiras impressões e aos resultados efetivos para o movimento de mudança no trabalho dos profissionais. Para as equipes das unidades Cláudio Fernando Stella e São Pedro, o PMAQ-AB pareceu, de imediato, instrumento de ?burocratização? do trabalho, impressão que se assemelhava à ideia de fiscalização. O propósito do programa, no entanto, pôde ser compreendido à medida que as rodas de conversas entre a gestão municipal e as equipes ocorriam. Os profissionais perceberam que a melhoria do atendimento e da atenção básica dependia da mudança nos métodos de trabalho, proporcionando ? a partir da reorganização de suas práticas ? a otimização dos recursos humanos e materiais disponíveis nas unidades. Para a equipe José Vória, a possibilidade de aderir ao programa foi positiva. Segundo o enfermeiro Rodrigo Cardoso, ?foi um processo trabalhoso, onde a gente teve que construir muitas coisas juntos, passamos por várias etapas, mas nos sentimos privilegiados?.
Outro ponto em comum registrado pelas equipes foi a melhoria da integração entre os profissionais, fazendo com que o cuidado ao usuário passasse a ser também um empenho coletivo, bem como a busca para o atingimento das metas pactuadas no ato de adesão ao PMAQ-AB.
ESF Enf. Hilda P. Gonçalves
Para esta equipe, o programa estimulou a criação de instrumentos que ajudaram a orientar os serviços prestados na unidade. ?O nosso cotidiano estava muito administrativo, e a burocracia tomava mais tempo do que a assistência à comunidade. Com o PMAQ-AB, retomamos a força da assistência, que estava um pouco a desejar?, avalia Daniele Ferreira de Souza, enfermeira da equipe.
Algumas inovações surgiram por estímulo do programa. Para o acompanhamento do calendário de vacinação, foi criado o agendamento das crianças com as informações do bebê e contatos da família. Desse modo, quando os pais não levam os filhos no dia em que deveria ser aplicada a vacina, os profissionais entram com contato com os responsáveis pela criança. A equipe avalia que, agindo dessa maneira, a comunidade se sente acolhida e valorizada.
Na opinião da equipe, a principal mudança que obtiveram foi a humanização do atendimento, o que representou levar a comunidade para dentro da UBS e, assim, aumentar o vínculo com as famílias.
ESF José Vória
O processo de autoavaliação ajudou a equipe a encontrar em suas ações fragilidades que precisavam ser sanadas. Isso fez com que todos os profissionais pensassem juntos nos ajustes que seriam necessários. Um dos elementos detectados foi a puericultura. De acordo com a equipe, o prontuário era o único instrumento disponível e, por esse motivo, foram criados outros para avaliar melhor as crianças, proporcionando um acompanhamento mais próximo desse público, o que contribuiu para qualificar o atendimento às crianças naquela comunidade.
O acolhimento e a humanização foram demandas que surgiram a partir do PMAQ-AB. Esses conceitos foram discutidos coletivamente e resultaram na criação de um acolhimento mais qualificado para a comunidade. O atual desafio da equipe é melhorar a assistência. Como o município não tem um programa direcionado à saúde do homem, a equipe pensa em desenvolver alguma ação que atenda a essa demanda, e uma das possibilidades seria criar um terceiro turno de serviço, que ainda não pôde ser concretizada.
ESF Cláudio F. Stella
Antes do PMAQ-AB, alguns instrumentos praticamente não eram utilizados. O processo de autoavaliação levou à visão de que era necessário avançar em muitas questões básicas relacionadas à qualidade do atendimento.
A mudança para ESF parece ser um marco importante que veio junto com o processo do PMAQ-AB. O programa ajudou muito no registro do trabalho da equipe, o que contribuiu também para a integração com os pacientes. Quem nunca havia acessado a unidade passou a acessar. Entre os desafios que ainda imperam está a troca constante de médicos na equipe, fato que implica diretamente o estabelecimento de vínculo com o usuário e, consequentemente, a continuidade do cuidado.

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