Aos 42 anos, mecânico industrial relembra com carinho os encontros com Oliria de Paula Berto, a Babalu, e conta como as lembranças da terra natal ainda confortam seu coração
Tiago e Sibele mantêm vivo o respeito e a admiração por Mato Grosso do Sul / Arquivo Pessoal
A notícia da morte de Oliria de Paula Berto, a Babalu, aos 86 anos, no último domingo (10), ecoou muito além das fronteiras de Aquidauana e Anastácio, onde a figura irreverente e alegre se tornou um símbolo das noites pantaneiras. A 929 quilômetros dali, em Botucatu, no interior de São Paulo, o coração de Aliomar Tiago de Souza Campos, de 42 anos, se apertou ao reconhecer nas redes sociais do O Pantaneiro a foto da mulher que marcou sua infância.
“Eu fiquei meio assim, a gente fica triste, né, porque foram pessoas que fazem parte da vida da gente”, disse Tiago, que mora fora de Aquidauana desde 2010. “Ela era a grande Babalu, miúda para os íntimos. A Babalu fez parte da minha infância, assim como a Betinha, o Birigui e alguns outros personagens de Aquidauana.”
Tiago é filho de Dona Teresa de Sousa Campos e do sargento Gonçalo, que já morreu. Sua infância foi no bairro da Serraria, próximo à Sanesul, onde a família inteira ainda vive. “Ela ia no bar de São Luís, ali perto da casa da minha mãe. Eu encontrava ela sempre lá, ou quando eu ia na Chácara do Taboco, próximo à Lagoa Comprida. Ela estava sempre rodeada, sempre no meio da festa, sempre animada, sempre animando o povo”, recorda.
A alegria de Babalu, segundo Tiago, era contagiante e inconfundível. “Era uma pessoa divertida. Você não via confusão onde ela estava, somente alegria, festa e muita dança. Todos adoravam ela. Era uma pessoa muito divertida, trazia muita alegria onde ela estava perto.”
A notícia veio pela reportagem do O Pantaneiro. “Eu acompanho o Pantaneiro, as redes sociais. Comentei com um conhecido meu e ele confirmou. Aí eu fiquei triste”, conta ele, que ainda mantém amigos de infância em Aquidauana.
Mesmo tendo saído de Mato Grosso do Sul há mais de uma década, Tiago nunca perdeu o vínculo com a terra natal. “Saí daí de Aquidauana em torno de 2010. Fui para Botucatu, rodei o estado de São Paulo trabalhando. Hoje sou mecânico industrial, atendo a região de São José do Rio Preto, faço instalação de gás industrial”, explica.
Casado há dez anos com Sibele Mathias da Cruz, que nasceu em Dracena (SP), mas foi criada em Campo Grande, o casal mantém vivo o afeto por Mato Grosso do Sul. A última vez em que estiveram no Estado foi em fevereiro deste ano, para celebrar os 80 anos da mãe de Tiago.
Apesar da distância, as raízes permanecem fortes. Tiago é pai de uma menina de 24 anos, que ainda vive em Aquidauana, e de um rapaz de 19, que mora em Campo Grande. E é justamente nessas memórias afetivas – nos encontros no bar de São Luís, nas festas da Chácara do Taboco, na figura inconfundível de Babalu sempre dançando – que ele encontra conforto.
A despedida de Babalu, que morreu aos 86 anos (a família acredita que a idade verdadeira fosse ainda maior, já que o registro civil só foi feito na fase adulta), comoveu Aquidauana e Anastácio. Figura presente nos antigos clubes e bailes populares, ela deixou nove filhos, netos, bisnetos e uma legião de amigos. Para Tiago, ela seguirá viva nas histórias de uma infância repleta de alegria no bairro da Serraria. “A gente fica triste, mas as lembranças boas são o que ficam”, conclui.
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