15 de junho de 2021
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Autoaceitação

Nem fofinha ou fofona: Bruna é a fotógrafa e modelo "de peso" que abraça o ser gorda

Sem constrangimentos, ela se libertou dos padrões e influencia o mesmo nas redes

10 JUN 2021 - 09h25min
Raul Delvizio

A jovem Bruna Juliany Bay Oliveira, 30 anos, descobriu na marra que para viver feliz com o próprio corpo bastou se livrar dos "inhos" – fofinho, gordinho, cheinho – e simplesmente se aceitar enquanto mulher gorda e ponto. E olha que uma "de peso": ela é a fotógrafa e modelo plus size (aquela que se veste a partir do tamanho 44) que abraça todos os seus quilos "extras".

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Aos 30 anos, Bruna Juliany é a fotógrafa profissional e modelo plus size que se sente orgulhosa e bonita de ser gorda.

Nas redes sociais, é a influenciadora sem constrangimentos que prega a autoaceitação por meio de como se veste e se sente e mostra que, quando se trata de beleza, é a gente mesmo quem faz. Para chegar a isso, entretanto, conta que percorreu um longo processo pessoal.

"Passei 27 anos da minha vida me odiando, tentando me encaixar em 'padrões' que não me pertenciam, fazendo dieta atrás de dieta, correndo nas academias e tudo mais que você possa imaginar. Minha ansiedade era imensa, de tal forma que dominava a minha fome e consequentemente meu peso. Eu era pautada na minha própria frustração e dos meus familiares, que apontavam o dedo para que eu emagrecesse, fizesse cirurgia, enfim, coisas que uma pessoa enfrenta simplesmente por ser gorda", relata.

Sem constrangimentos, ela mostra o corpo como qualquer pessoa; para chegar nisso, entretanto, foi um processo.

Na infância, Bruna revela que a escola foi seu maior terror. "Vivia escutando aquelas piadinhas bestas dos colegas – de baleia e mais – que prefiro nem me estender. Cheguei a abandonar a escola por 1 mês por conta disso. Não vou negar que até hoje pensar nisso me magoa. O nome disso é bullying, gordofobia pura. Naquela época, chorava quando alguém me chamava de gorda, sendo que hoje tenho a sorte de considerar gorda como um adjetivo. Sou gorda sim, feliz e bem resolvida, obrigada", afirma.

Assim, demorou praticamente 27 anos para que Bruna incorporasse a autoaceitação em sua vida.

Para a jovem, infância foi um forte trauma, principalmente na época de escola: "me sentia feia e só chorava", conta.

"Me ver como uma gorda livre, que tem sua própria beleza e deve se respeitada por isso vai muito além do meu próprio peso. Reconheço que o extremo, como a obesidade, por exemplo, se trata de uma doença, mas muitas pessoas gordas – o que me inclui nisso – se exercita, cuida da alimentação e é saudável como pode. Não estou aqui para fazer apologia, mas gostaria de apenas dizer: devemos nos sentir lindos como realmente somos", acredita.

Beleza "de peso" – Bruna conta que sempre fui uma menina que gostava de se arrumar, mesmo que estivesse "fora do padrão" de peso, isto é, interpretando a ditadura da beleza como uma máxima. Nessa época, ainda garota, sua autoestima estava colada no chão, diz.

Nas redes sociais, Bruna posa de biquini sorridente; motivo é simples: encontrou o caminho para a autoaceitação. 

"Quando fiz meu perfil no Instagram, postava somente foto de rosto e escondia meu corpo. Olhando outras gordas e modelos plus sizes, pensava: 'um dia vou chegar lá' – e cheguei". Assim que seu processo teve início. Com muita autoavaliação, principalmente na frente do espelho, Bruna acabou descobrindo que poderia amar o que via na reflexo.

Foi então que Bruna recebeu o convite para modelar com itens de lingerie para um sex shop da cidade. Já em Campo Grande, fez trabalhos de uma loja plus size. Para ela, passar por isso foi libertador. "Não pense que todo dia é mil amores e autoestima nas alturas. Tem dia que não me sinto 100% bonita e tudo bem. O importante é o caminho, o processo de se amar como realmente é", opina.

bruunisse_121170767_183962516587911_5208109998088053011_nAlém de fotógrafa, ela já posou como modelo plus size; claro que o caminho não foi fácil e a gordofobia continua.

Antes disso, porém, a fotografia já fazia parte do seu ser. "Desde que tinha 11 anos de idade, minha mãe me presenteou com câmeras digitais. Eu me trancava com as amigas no quarto, maquiava elas, fazia cabelo e fotografava até a bateria acabar. Lá era meu mini estúdio, meu santuário", recorda.

Cansada de mexer com o comércio dos pais, em 2014 se lançou como fotógrafa. Adquiriu câmera profissional, fez cursos, anunciou serviço de ensaios. "Hoje estou aqui eternizando lindos sorrisos de cada cliente, o que sou muito grata. Continuo conciliando minha vida de fotógrafa com a de modelo. Quero levar a bandeira plus size por onde eu passar, mostrar que as gordas podem ser felizes com seus corpos. Eternizar pessoas, sorrisos, é muito gratificante, mas empoderar outras meninas gordas – seja atrás ou na frente das lentes – é sensacional.

Desde os 11 anos de idade, ela brincava de ser fotógrafa; hoje é a profissional que inspira outras mulheres gordas.
Bruna durante sessão fotográfica com uma cliente; compromisso de mostrar que beleza é a gente mesmo quem faz.

Claro que nem tudo foram flores pois o preconceito ainda é uma barreira. "Recentemente, passei por uma situação em que o cliente disse na cara dura que não me contrataria por causa do meu peso. O que a aparência tem a ver com minha qualidade de trabalho? Sou fotógrafa há 7 anos e meu corpo nunca me impediu de fazer fotos espetaculares onde quer que seja", julga.

Para ela, nada de "fofinho" ou "fofão". Entender que uma pessoa gorda também é gente ainda é um processo bastante abrangente, que abarca vários segmentos da própria sociedade. "Mas nada impede de ser quem somos, desde o trabalho até momentos de lazer. 'Fofinho' é urso de pelúcia. Hoje sou resolvida suficiente para me chamar de gorda com 'G' maiúsculo. Sou extremamente feliz com meu próprio corpo e espero que quem esteja passando por esse processo transformador também acabe por se sentir assim como eu: completa", encerra.

 

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