25 de julho de 2021
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Diversidade

Lésbica aos 30, Katia se livrou de segredo para seguir "feliz e completa" ao lado da esposa e filhos

Ela demorou para conseguir se assumir pelo medo de envergonhar a família

22 JUN 2021 - 10h55min
Raul Delvizio

Demorou exatos 32 anos para que Katia Cristina dos Santos conseguisse trocar o segredo de ser uma mulher lésbica para viver verdadeiramente como uma. Hoje aos 34, ela recebe o amor incondicional de Crislane Dias Villas Boas e de Lara, filha biológica da esposa e sua filha de coração. Porém, para que conseguisse chegar nesse patamar – como ela mesma diz – "de ser feliz e completa", Katia passou por provações pessoais e familiares só por gostar de alguém do mesmo sexo.

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À esquerda, Katia, a filha Lara e a esposa Crislaine; juntas, todas elas formam uma família como outra qualquer.

"Foi difícil conciliar isso dentro de mim pois venho de uma família tradicional. Sempre soube que eu gostava de meninas, mas tinha medo de contar para os meus pais e virar a 'vergonha da família'. Morar no interior do Estado, fora o fato deles serem bastante conhecidos na cidade, me impedia de me assumir plenamente", relata.

"Minha infância foi em Campo Grande, até que mudei no final de 1999 para Anastácio. Quando tinha 13, no início dos anos 2000, dei meu primeiro beijo – heterosexual, claro. Foi assim até os meus 31 anos".

Ela conta que o resultado da autoaceitação demorou para chegar mesmo que sua descoberta interior seja de muito tempo antes, quando tinha apenas 5 aninhos.

"Eu sentia atração por meninas desde pequena, e nunca me abri com ninguém sobre isso. Até meus 31 anos, eu vivi alguns relacionamentos passageiros com mulheres, mas tudo em off. Contava nos dedos os amigos que sabiam desse meu segredo. Mas quando conheci minha atual esposa pude descobrir o que é se apaixonar de verdade", admite.

 "Quando a conheci descobri o que é se apaixonar de verdade", diz Katia sobre o sentimento que nutre pela esposa.

O ano era 2019. Ela e Cris trabalhavam na mesma instituição da área da saúde, porém até então nunca haviam se cruzado. "Um dia uma colega em comum nos 'shipou', isto é, disse que a Cris também era 'do arco-íris' e eu deveria tentar a sorte. Expliquei que mesmo sendo gays isto não significaria que teríamos algo logo de cara".

A vida que é uma caixinha de surpresas quis contrariar e mostrar que – no caso – Katia era a errada. "Alguns dias se passaram e resolvi montar um grupo de WhatsApp só com mulheres lésbicas e bi da nossa região. Por meio dessa colega em comum, perguntei se a Cris não gostaria de participar. Resumo da história: conversamos pelo celular, marcamos um tereré na Lagoa Comprida e desde então não nos largamos mais", relata.

Na parede, fotos formam a recordação que conta a história de amor, coragem, desafios e uma pitadinha de afeto.

Dois meses depois, as duas já estavam morando juntas. Foi aí que Kátia assumiu de fato. "Meus pais ainda estão passando por um processo de aceitação. No caso da minha mãe é algo mais 'de boa', enquanto que para o meu pai é algo que ele não toca no assunto ou se dirige à minha esposa", descreve.

Entretanto, Katia tem o que agradecer: "mesmo em tom de desaprovação, foram eles quem cederam a casa onde vivo junto da Cris e de Lara". São atitudes como esta mostram que o amor sempre vence.

"No começo, ouvia que nada disso era 'coisa de Deus', mas eu sabia que com o tempo todos iriam compreender que Deus é amor. Quando resolvi sair do armário, já tinha me livrado de todos os medos e monstros que me rodeavam, que me impediam de eu ser feliz por completo".

"Para mim e Cris, viver uma vida juntas de mulheres casadas era algo novo, particularmente pois eu nunca havia me relacionado com ninguém a esse ponto. Cada dia veio um novo amadurecimento, ainda mais pela Lara passar pelo processo da separação dos pais, de um casamento de 5 anos. Eu, que já tinha o Emanuel, meu outro filho de coração que mora com meus pais, pude ver um laço forte e saudável ser criado entre as crianças e nós adultos. Hoje, eles entendem nossa relação e sabem que tem sim duas mães que se amam muito. No fim das contas, também somos uma família como outra qualquer", opina.

Katia ao lado do outro filho de coração tiram selfie com Crislaine e Lara; para as duas, ser lésbica não a fazem inferior.

Intolerância – Pelo seu comportamento caracterizado como "mais discreto", Katia diz não sofrer tanto preconceito como outros conhecidos sofrem. "Evito trocar beijos e carícias com minha esposa justamente para não ser atingida. Porém, nas redes sociais já fui, quando pessoas usam o nome de Deus pra destilar veneno e ódio. Gostaria sim de poder andar de mãos dadas com quem eu amo sem receber olhares tortos. É triste, mas nós da comunidade LGBTQI+ ainda vivermos isso na pele", afirma.

Para encerrar, Katia ressalta que hoje entende que é melhor receber amor mas só daqueles que a amam verdadeiramente. "Daqueles que me querem por perto e que me fazem bem. A maioria das pessoas que eu convivia antes de me assumir continua ao meu lado; já outras, se afastaram – o que penso que foi um 'livramento'. Ser lésbica não me faz inferior, pois o meu caráter, minhas atitudes, são os que mais importam".

"Gostaria sim de poder andar de mãos dadas com quem eu amo sem os olhares tortos. É triste ainda vivermos isso".

A cada semana do mês de junho, O Pantaneiro lança uma reportagem diferente sobre o mesmo tema: #Diversidade. Contando histórias da nossa gente, a série promove uma reflexão sobre respeito, amor e aceitação – independente de gênero e sexualidade.

Tem uma sugestão de pauta? Mande a sua via WhatsApp!

 

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