05 de agosto de 2021
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Entrevista

Aquidauanense envolvido em projeto de respirador ganha Black Talent Award

Já na fase final de testes, ele está confiante de receber autorização para venda

21 JUL 2021 - 08h37min
Da redação

Com apenas 23 anos, Luiz Fernando da Silva Borges é o "nosso" querido cientista que já manda muito bem. Natural de Aquidauana, graduando em Engenharia da Computação (Insper Instituto de Ensino e Pesquisa) e formação técnica em Informática (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul), sua cabeça cheia de ideias e participação em atividades de pesquisa não pararam. Muito menos na pandemia.

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E foi no início da "temporada" covid que ele acabou migrando o foco da sua colaboração em um projeto científico para o desenvolvimento de ventiladores pulmonares de emergência – os chamados "respiradores" –, porém mais baratos, com interface simples e com operação de até 2 horas fora da tomada. Não foi à toa que a iniciativa ganhou prêmio.

Somando aos outros 60 títulos que guarda na "prateleira" – entre eles a homenagem de ver seu nome em um asteroide –, foi o McKinsey Achievement Award (EUA) sua mais atual conquista. Promovida por uma das maiores firmas de consultoria do mundo, a premiação tem o objetivo de reconhecer minorias que se destacaram em seu campo de atuação.

Negro, nascido no interior de MS e em uma família de pais separados, Luiz mostra que a via lhe trouxe vários motivos de se orgulhar. Confira na entrevista abaixo:

Cientista e pesquisador Luiz Fernando da Silva Borges ao lado da sua criação premiada (Foto: Karenini Komiyama)

Como foi a elaboração desse mais recente projeto?

O projeto do ventilador de emergência começou em março de 2020. Devido a pandemia, eu e o co-fundador Ricardo Nantes (do projeto Hermes Braindeck) tivemos que postergar os testes clínicos da tecnologia capaz de fazer pessoas em coma se comunicarem por meio de suas ondas cerebrais. Decidimos então mudar o foco para a demanda de ventiladores pulmonares de emergência – os "respiradores" – e assim fundamos a Leventronic.

Quais são os diferenciais da máquina criada?

Desenvolvemos o Leven67 levando em conta todos os requisitos de funcionalidade e segurança exigidos pelos órgãos competentes. A máquina é capaz de funcionar em ambientes sem infraestrutura de ar comprimido, com ventilação invasiva, operando fora da tomada por até 2 horas e possuindo uma interface de operação simples mas com os principais modos de controle dos ventiladores convencionais. O custo, entretanto, será várias vezes inferior ao modelo tradicional. Estamos na finalização dos últimos testes em laboratórios para, na sequência, obter a autorização de comercialização.

Com a novidade, você acabou até ganhando um novo prêmio. Qual foi ele?

Foi o McKinsey Achievement Award, promovida pela firma americana de consultoria global McKinsey & Company. O objetivo do prêmio é reconhecer minorias que se destacaram em seu campo de atuação (pessoas negras, mulheres, pessoas LGBTQIA+ e aquelas que vieram de contextos com poucos recursos econômicos). Eu fui premiado na realidade com o título McKinsey Black Talent Achievement Award, em reconhecimento das minhas ações de homem negro no campo da Ciência e Tecnologia.

Luiz já viajou 8 países, recebeu mais de 60 premiações e já tem carreira reconhecida (Foto: Karenini Komiyama)

De que maneira essa colocação traz de representação à você?

Ao falar de minorias em lugares de destaque, me coloco contra o mito que diz que "basta querer que você consegue ser o quiser, independente de qualquer coisa". Sempre aproveitei minhas posições de destaque para reconhecer os privilégios que tive em minha formação, que foram os co-responsáveis para eu estar onde estou. Apesar de ser negro, de uma família de pais separados, de classe média e do interior do Estado, tive a sorte de crescer sob a influência de três grandes mulheres: minha mãe, minha tia e minha bisavó (hoje falecida e principal motivação por trás de minha pesquisa com comunicação com pessoas em coma usando eletroencefalograma).

Elas foram meus maiores exemplos de autoestima e disciplina. Foi assim que tive acesso ao meu primeiro kit de química, microscópio, telescópio, livro de ciências e também a estar em lugares como bibliotecas, museus e concertos. Minha mãe, principalmente, sempre abriu mão de muita coisa para que eu tivesse vários privilégios que eram alheios a pessoas de nossa raça, classe social, localização.

Essa sua fala mostra quanto o Brasil ainda é polarizado racialmente?

Infelizmente. A maior parte das pessoas em situações similares pode não contar com a mesma sorte que eu tive. Depois, se cobra exacerbadamente quando vê na mídia aqueles que "chegaram lá", e dizem que o esforço é a única coisa necessária. Acredito que não é preciso evidenciar disciplina e instrução. Afinal, elas são essenciais para que qualquer objetivo seja conquistado, porém sem as oportunidades corretas ou o meio correto, a pessoa não terá uma mente onde essas virtudes possam se desenvolver.

Quero algum dia ser capaz de retribuir isso para a sociedade, a fim de torná-la mais igualitária, fazendo da Ciência e do método científico os meios de transformação e mobilidade social. Enxergo minhas ações como formas de retribuir para a sociedade parte dos privilégios que recebi graças aos sacrifícios daquelas que me criaram.

Para Luiz, ciência é sinônimo da sua felicidade, e o estudo o caminho para alcançá-la (Foto: Karenini Komiyama)

Cientificamente falando (risos), o que te motiva?

Tenho a intenção de sempre estar envolvido com o desenvolvimento de tecnologias que possam diminuir o sofrimento humano e até mesmo salvar vidas. Estarei sempre no ambiente que dispor de mais recursos (ideológicos, profissionais e materiais) para que este objetivo seja alcançado. Ao final de minha vida, quero ter a certeza que minha existência possibilitou a continuidade da existência de outras pessoas.

Ainda, tenho orgulho de ter a rastreabilidade de minha ascendência afro-brasileira, uma vez que minha tataravó materna nasceu em uma senzala em MG. Nos momentos mais difíceis, frequentemente recorro a especular sobre tudo aquilo que meus antepassados suportaram apenas para que eu existisse nos dias de hoje.

Para quem sonha em ser reconhecido, o estudo é o caminho?

Felicidade é uma habilidade, e como tal pode ser aprendida. Queira, antes de tudo, ser feliz. E isso com certeza não se traduz em "quando eu [fizer, conseguir, alcançar...] serei feliz". Isto se traduz em aprender a encontrar a felicidade no dia a dia. Não deixe que o ensino médio ou a faculdade atrapalhem sua educação. Sim, pois a forma como apresentamos o conceito de "estudar" para as pessoas é quase sempre traumática (igualmente ao de ler). Estude algo que você gosta e fique muito bom nisso. Pode ser sobre futebol, música, cinema… se você estudar muito a fundo sobre algo e começar a praticar isso, será capaz de encontrar exatamente o lugar que irá te reconhecer por isso, pela sua habilidade. Conhecimento não padronizado, criativo e específico é o que o futuro mais próximo vai recompensar.

Confira a trajetória de vida – assim como o currículo completo – desse cientista aquidauanense via seu perfil no LinkedIn.

 

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