24 de junho de 2021
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Tristeza

Pandemia fez Gilmar ficar órfão dos pais e dar adeus ao irmão que amava

Em apenas 43 dias, mais da metade da família foi devastada pelo vírus da covid-19

9 JUN 2021 - 07h57min
Raul Delvizio

A pandemia do novo coronavírus que trouxe as mais diferentes adaptações na vida cotidiana também provoca a tristeza e o luto por caminhos antes inimagináveis. Se Gilmar Vieira Coutinho, o engenheiro agrônomo de 37 anos, e sua irmã Meirielly recebessem o aviso que 2021 seria um ano "barra pesada" – quando se despediriam dos pais juntamente com o irmão mais velho – isso certamente viraria piada de mal gosto. Mas a morte deu seu jeitinho traiçoeiro, e a vida na família que era de cinco hoje se resume a apenas dois.

Padaria e Mercearia Dois Irmãos - Institucional - Junho21 - 02
Seu Geraldo, dona Arací e o irmão Tito foram vítimas da covid; na foto, ao fundo, os "sobreviventes" Gilmar e Meirielly.

"Todos acompanhamos no noticiário sobre o perigo da covid e inúmeros exemplos de pessoas enlutadas pelos seus entes queridos que partiram. Não posso dizer que o que aconteceu com minha família foi 'a maior surpresa', pois quando não nos cuidamos adequadamente assumimos o risco fatal. Porém, se vale de consolo, rezo muito e continuarei rezando pelos que faleceram e por todos nós que ainda não estamos livres de contrair a doença", afirma Gilmar.

Na sequência de 43 dias, ele e sua irmã foram obrigados a se despedir abruptamente do pai seu Geraldo (24/4), da mãe e corumbaense dona Arací (10/5) e do irmão mais velho Geraldo Vieira Coutinho Neto, o Tito – este no último dia 6.

Do pai, Gilmar vai levar o jeito simples de ser, a sabedoria de vida e o amor e agradecimento incondicionais da família.

"Meu pai se contaminou no final de março, e depois minha mãe em contato com ele. Ambos ficaram internados na UTI (unidade de terapia intensiva) do Hospital Cassems e, logo depois, transferidos para o Hospital Regional de Aquidauana. Um dia antes do falecimento da minha mãe, Tito fez uma linda homenagem na porta da UTI, com flores e tudo mais. Uma semana depois ele contraiu o vírus e faleceu em questão de horas por uma parada cardíaca", detalha o irmão.

Lembranças no coração – Assim como seu pai, Gilmar conta que ele, Meirielly e Tito nasceram e foram criados trabalhando com fabricação de telhas e tijolos em Aquidauana.

"Desde adolescentes, operamos tratores, dirigimos caminhões e não tínhamos tempo ruim para o ofício", comenta. E a pouca diferença de idade entre os três marcaram essa fraternidade. "Fomos crianças, adolescentes e adultos todos juntos. Mesmo com personalidades contrastantes, o amor de irmãos nos manteve unidos", diz.

Família simples, os pais e seus três filhos fincaram raízes em Aquidauana e por aqui ajudaram a desenvolver a cidade.

De Tito, Gilmar agradece por ter conhecido seu lado mais brincalhão. "Nas festas, era ele o que pegava a maior fatia de bolo, agindo como se nada tivesse acontecido. Sua alegria era de invejar. Tito simplesmente cativava a todos com sua inocência típica, sem vergonha de dar um simples 'bom dia' ou começar o dia tomando café da manhã ao lado dos nossos pais. Meu irmão sempre foi uma pessoa de bom coração", considera.

Para Gilmar, não foi de espantar o imenso cortejo realizado no último fim de semana, onde os aquidauanense mostraram comoção. "Tito e meus pais ajudaram inúmeras pessoas no caminho, inclusive promovendo o desenvolvimento da cidade. Por isso, o forte reconhecimento da comunidade. Estou sem palavras", agradece.

Registro da festa de primeiro aninho da neta Helena, filha de Gilmar, junto dos avós "coruja" que fizeram questão de celebrando a vida, a família, o amor.

Já dos pais – seu Geraldo e dona Arací –, Gilmar leva a sabedoria compartilhada em vida. "De tomar as decisões nas horas certas. Ter simplicidade, respeito e compromisso. Meu pai era trabalhador e tinha essa preocupação natural de servir e ser útil, tanto para si mesmo quanto para nós familiares e também seus amigos e parceiros de longa data", reconhece.

A pequena diferença de idade entre os irmãos também era presente no casal sul-mato-grossense. Nascidos no mesmo ano, em 1961, estavam separados apenas por 14 dias. Por quase 40 anos, partilharam a vida juntos, até na hora da morte: em 16 dias, se reencontram no céu.

"Há muito tempo meus pais preparam nós três para um momento como o de agora. Já até briguei com meu pai para ele deixar essas conversas de lado, de 'quando eu morrer'. Hoje entendo que ele fazia isso por amor, para que o luto não suprimisse o amor e a fé".

Charge assinada por Mayeda (@mau_yeda) no último dia 7; ilustração retrata reencontro no céu do filho com os pais.

É claro que no último mês – e agora com a recente notícia do falecimento do irmão – a tristeza vem acompanhando Gilmar e Meirielly. Entretanto, ela não é eterna como o sentimento de carinho e saudade se sobrepõe. Para que outras pessoas não sofram com a mesma dor que a família Coutinho conheceu de perto, o irmão faz um alerta:

"A covid é uma doença de fácil transmissão que pode ser vencida com simples atitudes e mudanças de hábito que todo mundo já está careca de saber. A pandemia no Brasil só atingiu a proporção de hoje porque utiliza como vetor de propagação a ignorância e a falta de responsabilidade com a própria saúde e a do próximo. Vamos ser mais inteligentes e deixar a vida vencer com sabedoria", finaliza.

 

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