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Editorial: O Trem do Pantanal e outros trens

Texto de O Pantaneiro fala de alternativas do futuro na área de transporte

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A discussão sobre a ampliação da diversidade dos meios de transportes no país é velha e esbarra-se em alguns lobbies históricos visando a manutenção de monopólios que variam de acordo com a região. Se em algumas regiões, onde os transportes ferroviário e fluvial deveriam ser incentivados, para desafogar nossas rodovias e reduzir a triste estatística dos acidentes, há a barreira dos grandes grupos que comandam o transporte rodoviário, no norte, a necessidade deste encontra a oposição de outros, que comandam o transporte de balsas, nos rios amazônicos.

Mas se poucos avanços tivemos nesta luta, nos últimos anos, pelo menos não faltam movimentos em favor do obvio: o país precisa repensar essa estrutura abusiva. No setor ferroviário, que já foi responsável pelo desenvolvimento de várias regiões do país, inclusive Aquidauana, em sua fase mais esplendorosa, alguns projetos já saíram do papel e outros estão em vias de seguir o mesmo caminho.

O Trem do Pantanal, por exemplo, mesmo com os problemas iniciais, é uma das opções que tem tudo a ver com esse futuro melhor que se espera na área de transportes, no país. Hoje ainda restrito ao trajeto Campo Grande (Indubrasil) a Miranda, quando chegar a Corumbá já terá um incremento maior do público a que se destina: os turistas. Aliás, os críticos do projeto – que não se cansam de destilar azedumes nas mídias sociais nossas de cada dia – esquecem-se deste perfil do projeto, envoltos num saudosismo que a nada mais serve do que as boas lembranças de um momento histórico da região.

Se olharmos para o futuro reconhecendo que um dos caminhos para nossa região é o turismo e acreditarmos que a Zona de Processamento de Exportações, em Corumbá, pode ser uma realidade, concluiremos que temos que celebrar a volta do Trem do Pantanal. As perspectivas são tão boas, que ninguém deveria levar muito a sério as avaliações negativas que alguns fazem. Delas talvez devamos considerar alguns pontos que precisam, de fato, ser melhorados e que os próprios envolvidos no projeto reconhecem.

No embalo deste Trem, que projetou Aquidauana há um ano atrás pelo concorrido lançamento – com a presença dos presidentes Lula e Lugo (Paraguai) e uma infinidade de autoridades – outros projetos de transporte férreo tem sido pensados ou resgatados em nosso Estado. A luta por uma ferrovia ligando a maior região produtiva de Mato Grosso do Sul, a partir de Maracajú, ao Estado do Paraná, uma espécie de ferrovia dos grãos, teve capítulos importantes nos últimos meses, tendo como resultado mais animador a sua inclusão no PAC. Viajando na mesma idéia, alguns saudosistas brincaram ao usar a expressão “ferrovia do tereré” para a ligação entre a capital e Ponta Porã, como antigamente. Mas, considerando-se o grande fluxo na rodovia, na direção da fronteira, para compras lícitas e ilícitas, por que não? Finalmente, nesta semana o professor aposentado da UFMS, Wilson Valentim Biasotto veio a público para defender o resgate de uma idéia sua dos tempos de vereador: o Trem Universitário. Segundo ele, esse Trem poderia ser concebido tendo como ponto de partida uma estação nas proximidades do Parque de Exposição, seguindo até as proximidades da Cidade Universitária e de lá até o entroncamento com Itahum, onde o Trem já passou, exatamente na rota do “futuro Trem do Tereré”.

Afora o nosso Trem do Pantanal, esses outros trens estão apenas no imaginário de homens visionários. Quem viver, contudo, quem sabe ainda não verá, no futuro, os monopólios de algumas modalidades de transporte sendo quebrados e o Brasil simplesmente entrando numa rota que outros países já entraram, com resultados promissores. Quanto a nós, que temos o Trem do Pantanal, deveríamos mais aplaudir os que lutam por sua consolidação, um ano depois de voltar numa versão moderna, direcionada para um público diferente. Atirar pedras? Nem nos trilhos!

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