Mahmoud Ahmadinejad é um nome complicado, não? Esse é o nome do líder político maior do Irã. Há poucos dias ele referiu-se ao presidente brasileiro, Luis Inácio Lula da Silva, como “bom amigo”. Até aí, tudo bem. Amizade é uma coisa muito pessoal. Tem homens que se dizem até “amigos” do próprio diabo e com “ele” fazem pactos. Contudo, ao dizer que o Brasil e o Irã compartilham valores morais e que ambos são contra a discriminação, o preconceito, a agressão e a tirania, ele subestimou a nossa sabedoria.
Naquele país asiático (antiga Pérsia) dissidentes que se rebelam contra o imperialismo preponderante há muito tempo são presos, torturados e enforcados, as minorias religiosas – como os bahais – são perseguidas, assim como outras minorias e a situação da mulher é de produzir arrepios em qualquer militante dos direitos humanos em nosso país, muitos dos quais do próprio partido do presidente (sem nenhum demérito).
Acredito que essa tal amizade serve a determinados interesses, aparente e contraditoriamente chamados de “democráticos”. E se Lula não abrir os olhos com determinados “amigos”, como outro muito destacado só que na conjuntura latino-americana – Hugo Chaves – pode experimentar o mesmo fim do Rei Josafá, de Judá, citado no livro bíblico de 2 Crônicas. Por muito tempo esse monarca foi um homem justo, admirável. Até que se tornou “amigo” de Acabe, um dos piores reis da história de Israel. Foi o início de sua queda. Alertas não faltaram da parte de Deus sobre o perigo da amizade. O profeta Micaías chegou especificar as conseqüências trágicas.
Ahmadizejad só não tem a influencia, no poder, da mulher, até pela condição humilhante das mulheres em seu país. Se isto o diferencia de Acabe, que tinha a força diabólica de Jezabel, sua esposa, tem contudo como semelhança maior uma astúcia que supera a de Acabe e Jezabel, que sucumbiram diante do exército Assírio. O presidente iraniano, pelo menos por enquanto, consegue manter-se de pé e enganar o homem que chegou a receber o título de maior personalidade política do momento, o nosso presidente Lula.
Antes que me julguem contra Lula registro que nele votei. E concebo que no seu governo o país avançou muito, em quase todas as áreas. Contrariamente a muitos que gostam de lembrar dos deslizes semânticos do presidente brasileiro, vejo-o como um homem inteligente, até porque tem nas relações de amizades algumas das mentes mais pródigas deste país, e destas fontes deve beber conhecimento, constantemente. Temo, porém, que Lula esteja se envaidecendo com algumas conquistas pessoais. E percebo que em algumas questões tem se colocado acima do bem e do mal. Só Deus incorpora esse status. E Lula, convenhamos, não é Deus.