A propósito das atividades agendadas país afora na Semana Mundial do Meio Ambiente, que começou no dia primeiro último, uma palavrinha não muito usual precisa ser pinçada para aqueles que se preocupam com a maior extensão úmida contínua do planeta, o pantanal, do qual Aquidauana se orgulha de ser o portal. Pelo menos de duas formas a expressão “ainda” foi muito citada em alguns textos publicados pela mídia.
Com certa preocupação lemos nesta semana que este santuário perdeu 12,4 mil quilômetros quadrados de vegetação em seis anos, segundo uma pesquisa preparada por organizações não-governamentais e a Embrapa. A pesquisa não indica o tamanho das áreas mais afetadas pelo desmatamento, se em Mato Grosso do Sul ou de Mato Grosso. Apesar do lamento de ambientalistas e de todos que na verdade se preocupam com o nosso futuro, a nota cuidou de observar que a situação do Pantanal “ainda” é melhor que a de outros biomas do país, especialmente a Amazonia que registra uma taxa anual de desmate da ordem de 7 mil quilômetros quadrados. Dá até para imaginar uma conversa de dois peões, desses apaixonados pelo pantanal, lendo ou ouvindo a matéria, comentando entre si: “pior seria se pior fosse”.
Na verdade “ainda” é tempo de se fazer alguma coisa para que os principais problemas ambientais deste rico ecossistema não sejam agravados: a pesca predatória, a caça de jacarés, a poluição dos rios da bacia do Paraguai, os garimpos do Estado de Mato Grosso, que poluem as águas de muitos rios com mercúrio, entre outros. Um líder católico de nossa região, com base em pesquisas acadêmicas, cita também como um dos agravantes, os projetos de plantação de eucaliptos nos visinhos municípios de Anastácio e Dois Irmãos, que estariam trazendo prejuízos para o volume de águas do Rio Aquidauana.
Como temos 4,9% da área total do pantanal, precisamos fazer a nossa parte em ações preventivas e de conscientização. Se é verdade, por um lado, que “ainda” a situação do pantanal é melhor do que a situação de outros biomas no que diz respeito aos desmates, é verdade também que nas regiões que já avançaram mais, como na Amazonia, os responsáveis pelo processo já estão mudando de comportamento. Uma das ações que começa a ganhar corpo é o reflorestamento. Obviamente um dos fatores são as multas pesadas e nem tanto a consciência ecológica. “Ainda” assim, menos mal.
Ora, se “ainda” não chegamos ao índice lamentável de agressão que se verificou na Amazonia, no mesmo período pesquisado, ou seja, seis anos, não podemos ser estúpidos de comemorar ou não fazermos nada para que a ocupação do pantanal aconteça simplesmente sem a observação dos critérios básicos de preservação exigidos pelas organizações ambientais. O pantanal também é nosso, num sentido mais amplo. Ou seja, transcende a determinadas ambições pessoais. Sua preservação ou não reflete-se na qualidade de vida de todos nós. E se onde o mal já foi feito uma das reclamações é que faltou orientação adequada sobre determinados cuidados que os que ocupam uma área devem ter, “ainda” temos tempo para minimizar os efeitos do mal menor que já foi feito por aqui, fazendo exatamente isto. “Ainda” que 12,4 mil quilômetros quadrados de desmate em seis anos seja menos que 7 mil quilômetros por ano, no confronto Pantanal x Amazonia, trata-se de um índice que não pode ser subestimado. Podemos evitar, amanhã, de chorar pelo leite derramado! “Ainda” temos tempo!