Eduardo está feliz da vida. Ouviu dizer que a maconha pode ser legalizada no país. Gosta de fumar um baseado. Mas, tem um medo muito grande toda vez que procura pelos fornecedores. Mantém o vício às escondidas. Os pais são religiosos praticantes. Por interesse pessoal tem acompanhado os debates sobre o tema. Está feliz com a ideologização do assunto, pois acredita que isto pode ajudar na aprovação da matéria nas esferas mais altas das decisões.
Sabe que o caminho é difícil. Contra os ventos favoráveis levantam-se homens como o juiz Paulo Giordano, da 2ª Vara de Entorpecentes do Distrito Federal, uma das poucas do país que cuida exclusivamente dos crimes relacionados na Lei de Drogas. Segundo este, a repercussão social dos danos, diretos e indiretos, advindos do consumo e do tráfico da droga estão sendo tratados de forma rasa.
Destaca Paulo Giordano, que as conclusões sobre a legalização da maconha, especialmente da parte de intelectuais, resumem-se a teorias e mais teorias, muitas vezes formuladas em razão da ânsia de impor a legalização como um projeto pessoal. É a surrada necessidade de enxergar a legalização como símbolo das liberdades individuais ou como expiação para o fato de se viver, num aspecto muito específico da vida em sociedade, uma vida toda à margem do “sistema”.
Já dominado pelo vício, Eduardo dá de ombros a uma observação preocupante do experiente juiz de direito: “na prática qualquer sinalização no sentido da descriminalização da maconha implica numa explosão do consumo de drogas”.