Mais um ano está se findando na história de nossas vidas. Se numa visão de conjunto, que envolve a análise e interpretação de informações e estatísticas públicas, é possível dizer que 2010 foi um bom ano, um olhar mais rigoroso pode levar-nos a concluir que existem muitos desafios a serem vencidos, no tempo que está por vir, a começar por 2011, para que vivamos realmente num país melhor, o que significa ter dias e anos melhores.
É certo, contudo, que 2010 foi melhor para os brasileiros do que muitos povos, que vivem abaixo da linha da miséria. É certo que continuamos a avançar no processo de construção de uma sociedade com menos desigualdades sociais. É certo que estamos amadurecendo, como pode se deduzir da forma como estamos enfrentando as primeiras etapas de uma crise econômica global. É certo, enfim, que o Brasil está melhor.
Mas, temos problemas crônicos, que não podem ser ignorados, sob pena de perdermos a sensibilidade e sermos uma nação sem alma. Nossos problemas maiores talvez nem sejam de ordem social. Antes, estão fundamentados numa crise de valores que continua a gerar estatísticas vergonhosas, tirando o brilho das outras conquistas e inviabilizando um avanço ainda maior nos índices que medem a qualidade de vida dos brasileiros. Ou seja, poderíamos fechar este ano com menos miséria, menos violência, menos “isto”, menos “aquilo”, se conseguíssemos frear o avanço de certos males, especialmente a corrupção.
A corrupção, entendida como a utilização do poder ou autoridade para obter vantagens, ou seja, como o roubo oficial, continuou sendo, em 2010, o nosso mais grave problema, a mais clara referencia desta ausência de valores. Continuou a se infiltrar em todas as áreas da vida nacional. Até no poder judiciário, como evidenciado em um ou outro caso apurado por investigações. E apesar dos esforços de alguns homens de bem, principalmente nesta mesma área, por mais paradoxal que seja, continuou sem a devida punição.
O que fazer, diante de tão grande mal e desta preocupante constatação? Respostas não faltam de parte daqueles que não se conformam com este câncer maligno e desejam extirpá-lo da vida nacional. Grupos de discussão diversos tem sido formados para apontar um norte. Mas, como ainda respiramos o chamado espírito natalino, talvez a resposta mais pertinente venha da religião. A corrupção, nosso mal maior, responsável direta por uma cadeia de distorções, só será excluída quando os homens verdadeiramente voltarem-se para Deus. Não apenas invocá-lo, porque somos os campeões em invocação da divindade, mas tomarem ciência de ensinamentos como os de Jesus de Nazaré e procurarem transformá-los em regra de fé e prática.
Assim, que nesta época do ano, o nascimento do Menino Jesus transcenda do lugar meramente histórico e adentre ao coração de mais e mais brasileiros, especialmente de nossos políticos, diminuindo os índices de corrupção e oportunizando um domínio maior de amor, justiça e paz. Se isto acontecer, teremos verdadeiramente um próspero ano novo!