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As enchentes e o dever de casa

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 As enchentes de 2010 em Aquidauana e as mais recentes em vários pontos do país, especialmente no Rio de Janeiro, com a morte de mais de centenas de pessoas – os números crescem cada vez mais – deveriam produzir discussões permanentes nos meios responsáveis e afins. E por uma razão: pesquisa feita com 13 mil pessoas em 18 países, apresentada pela rede de televisão pública internacional alemã Deutsche Welle no Fórum Global de Mídia em Bonn em 2010, sugere que os cidadãos comuns no mundo todo estão menos interessados na mudança climática do que se imaginava.

Quem duvida da pesquisa pode perguntar a qualquer cidadão, do mais letrado ao mais comum, ou seja, nas conversas de esquina ou mesmo na Academia, se as alagações que de vez em quando acontecem em Bairros de nossa cidade, em nossa capital, em Teresópolis, no Rio, etc, tem relação com as mudanças climáticas que os cientistas tem informado, associadas a várias advertências. O que dirão?

Como alerta-nos texto de um jornal do norte, onde o fenômeno também acontece, “a tendência é considerar a chuva normal” e que as enchentes seriam facilmente resolvidas se o poder público investisse mais em obras de infra-estrutura, como esgotos. Mas, isto não seria toda a verdade deste problema crônico, embora seja certo que os gestores públicos devem investir mais em obras de longo prazo e de caráter definitivo, como o governo do Estado tem feito nos últimos meses no município de Dourados, onde a maioria das vias principais teve que ser detonada, em partes, para a realização de obras não efetuadas no passado e essenciais para o escoamento das águas da chuva.

A verdade é que este problema resulta de um quadro mais amplo, que envolve inclusive cada cidadão. O famoso entupimento de bocas de lobos, por exemplo, ilustra o mal que uma falha na cadeia de responsabilidades pode gerar. É preciso lembrar que o governo municipal de Aquidauana recuperou esses meios de escoamento nos últimos meses. Quando, porém, em algum ponto da cidade, como nas imediações do 9º BE Cmb, alguns cidadãos jogam lixo a vontade, o reflexo será sentido numa das chuvas de verão que vem por aí. Ou seja, uma ação aparentemente normal, e até por isto nem sempre contestada, parece não ter relação com o problema crônico das enchentes, mas tem.

Como essas coisas só fazem sentido quando muito bem exploradas, especialmente pelos órgãos de comunicação, estamos fazendo a nossa parte. O ideal seria que essa discussão se estendesse a outros setores da vida em sociedade e fosse mais explorada pela mídia local, de forma responsável e coerente, sem os exageros comuns propiciados especialmente por aqueles que tem interesse no pior, por razões políticas, ignorando o bem comum, pelo qual todos precisamos lutar.

Que todos tenham mais consciência neste ano, ainda incipiente, para que vivamos numa cidade mais humana, onde as cenas das enchentes sejam cada vez mais raras pelo fato de todos entenderem que os problemas ambientais envolvem sim a realização de obras de grande alcance, pelo poder público. Mas, também envolve no dia a dia o chamado dever de casa.

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