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O gol de um fotógrafo

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Quando um jogador de futebol faz um belo gol, principalmente daqueles que envole um alto grau de dificuldades, e as imagens correm o mundo, esse é o momento mágico para sua carreira. Para um repórter de TV regional uma grande conquista é ver sua matéria sendo destacada na chamada grande rede. Para o fotógrafo, principalmente das regiões interioranas, a publicação de uma foto na grande mídia, tem o mesmo efeito de um gol de letra apra o jogador de futebol ou de uma reportagem televisiva na mídia global, para um repórter do setor.

Nos últimos dias um profissional da casa, o fotógrafo Rhobson T. Lima, conseguiu assinalar mais um tento em sua premiada carreira, quando as fotos da mortandade de peixes no Rio Negro ganharam as páginas de diversos órgãos de comunicação de ponta do país. Mais do que projetar o seu nome e da empresa que representa - a família de O PANTANEIRO - sua iniciativa tem grande valor social. As imagens, que falam mais do que qualquer coisa, associadas aos textos produzidos por jornalistas de vários matizes, mundo afora, tem o mesmo efeito de uma profecia para um mundo cada vez mais imerso em projetos desenvolvimentistas e nem sempre atendo às questões ambientais.

Não se sabe, ainda, se a tragédia do Rio Negro, que deixou impactados todos aqueles que amam as belezas naturais de nosso pantanal e lutam em várias frentes por sua preservação, foi ocasionada pela irresponsabilidade humana ou se foi resultado de algum fenômeno da própria natureza. Mas, a quantidade impressionante de peixes mortos num Rio onde pescá-los, hoje, pelo menos dentro das normais legais, nem sempre é fácil, mostra-nos que a natureza ainda resiste às agressões que o  homem contra ela desfere, vorazmente, ao longo das últimas décadas. Até quando? Não sabemos! Daí, a relevância das imagens de Rhobson, que nos convida a várias reflexões, uma delas sobre os destinos de nossas maiores referênciais ambientais se o progresso não levar em conta os necessários cuidados preservacionistas.

Para um fotógrafo profissional, cenas como as do Rio Negro, tomado por peixes mortos ou agonizantes, não são fáceis de serem registradas. A dor é tão grande como a de um médico que vê a vida esvair-se de um paciente, quando os recursos disponíveis nada podem fazer. Mas, é preciso que alguém esteja no cenário da morte, para registrar os pormenores que a esclarecerão. Rhobson, envolto na forte emoção que as cenas proporcionavam, fez isto. E alí, nas margens outrora felizes do conhecido Rio, teve que manter a calma que o momento requeria e a sensibilidade para registrar os ângulos que mais tocavam a sua alma. Sabia que estava contribuindo para também tocar, de alguma forma, a todos nós, e provocar manifestações que podem suscitar cuidados às vezes esquecidos por nossas autoridades em relação a um dos bens mais preciosos que ainda temos, a natureza. Valeu Rhobson!

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