No seu tempo de mando na política douradense o prefeito Braz Melo tinha sempre uma frase pronta para definir a disputa pelo poder, não só nas picuinhas internas, entre assessores, como também no âmbito partidário: "a pior coisa que existe é ciúme de homem". Na verdade, Braz queria dizer ciúme entre homens. Pois não é que ele estava certo? É que pode ter sido passional a motivação do maior escândalo político da cidade! Sim, "ciúmes de você", como diz o rei Roberto Carlos, o que levou à cadeia e à renúncia o prefeito Ari Valdecir Artuzi, seu vice, Carlinhos Cantor e quase toda a Câmara Municipal. Ciúme de amor (entre homens) mesmo. De amor e muito sexo!
A juíza Dileta Terezinha Thomaz terá que preparar o ouvido e, muito mais, o estômago, pois causam enjoo, para dizer o mínimo, as histórias que começam a rolar nos bastidores da política douradense e que devem passar a constar dos autos do processo da operação Uragano. Histórias cujos detalhes as tornam cada vez mais sórdidas, na medida em que as reflexões, atrás das grades, de alguns dos envolvidos, começam a ser expostas, em consequência do constrangimento a que estão sendo submetidos, não só pelo estrago pecuniário, como pelas dificuldades de convivência social e, em alguns casos, até familiar. Para agravar este quadro, mais recentemente, as chantagens de que têm sido vítimas, principalmente após o retorno de Eleandro Passaia (foto, com Valdecir), o causador de toda esta confusão.
Um exemplo: Quem não ficou com o coração partido com aquela historinha bolada por Passaia, de que a gota d'água para que chutasse o balde fora uma cirurgia plástica feita pela ex-primeira dama Maria Artuzi com dinheiro público no mesmo dia em que uma criança tinha o quadro de saúde agravado por falta de atendimento no sistema municipal de saúde? Só que Passaia não contou a história inteira. A história de que no mesmo dia - e na mesma clínica - ele também passara por um procedimento lipo-escultural e de botox para arredondar as maçãs daquele rostinho cínico e tirar os pneuzinhos de suas ancas. E quem garante que também não tenha sido com o mesmo dinheiro?
Fatos ou histórias, como esta, têm aos montes. Por enquanto, prevaleceu a versão do maior dedo-duro da história - o herói de pés de barro. Têm histórias de achaques a empresários, de dinheiro que era pra sicrano ou beltrano, que votaria contra isso ou aquilo, não acontecendo nem uma coisa nem outra. Ou seja, o dinheiro saiu do bolso dos empresários achacados, mas não chegou ao destinatário, que muito menos votou contra isto ou aquilo. As mais assustadoras dessas histórias, entretanto, são as de alcova, envolvendo gente mais que posuda da cidade.
Pode parecer o cúmulo, mas diante desses novos desdobramentos dos escândalos da Uragano Murilo Zauith pode ter sido singelo em sua analogia um dia após a eleição de 2008, quando comparou a Dourados do Valdecir a Roma de Nero. Valdecir e seus asseclas não se limitaram a provocar focos de incêndio na região dos antigos guavirais, onde está hoje o CAM, e que por pouco não se alastraram por toda a cidade. O despreparo, o deslumbramento, a ganância e a estupidez chegaram a tal ponto de perversidade que muito mais do que a Roma incendiada de Nero, por muito pouco não se repete em Dourados a maldição de Sodoma e Gomorra.
Com isso, também, começa a ficar claro aquilo que todo mundo já desconfiava: por que, afinal, Eleandro Passaia fez tudo o que fez e do jeito que fez. Lembrando: Nunca antes na história de Dourados um secretário (o mais poderoso) gozou de tanta confiança e teve tanta intimidade com o chefe. Tanto que, inconformado, completamente transtornado e amargurado com o pedido de demissão de seu queridinho, depois de dramáticos apelos públicos, o Valdecir conseguiu trazê-lo de volta, com a garantia de fazer (ou pagar) o que ele quisesse (ou pedisse).
Este novelo da mais podre linha da história de Dourados só começou a se desenrolar. Os (as) protetores (as) de Eleandro Passaia não adoram uma baixaria? Parece que terão de monte, pra nunca mais faltar recadinho malcriado nas coluninhas de mexerico político e "caluniosas" sociais.
E assim, esta nova maldição, diante das ameaças, da chantagem e do achaque de Eleandro Passaia, em conluio com elementos da mídia em busca de audiência na internet, pode mudar o rumo das investigações da Operação Uragano, da Polícia Federal, cujo objetivo era desmantelar a quadrilha do Valdecir. Se vier a público tudo o que está circulando em conversas mais que reservadas, a pedido de ex-presidiários, e que será anexado nos autos do processo, o efeito destruidor será maior que o próprio furacão que abalou a estrutura política e administrativa da cidade. Acabará, aí, o pouco que restou das famílias de alguns dos envolvidos e, finalmente, o feitiço poderá virar contra o feiticeiro, já que o próprio Passaia é o protagonista de algumas das mais picantes dessas mal resolvidas histórias. Histórias de amor, traição, e sexo.