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Apelo à vida: o último momento de Eudes Paulo

Editorial de O Pantaneiro fala de uma página que agora se fecha

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A triste tarde de 7 de abril de 2009 parecia estar inserida numa página virada de nossa história, exceto para aqueles que viveram próximos do jovem Eudes Paulo Cunha Viana, como seus amigos e os pais Elpídio e Elina. Para eles, ao longo desses quase dois anos de dor, muitas perguntas foram inevitáveis, predominando uma: Quem fez aquilo? Ou seja, quem tirou a vida de um jovem de 23 anos de idade, que tinha, como descrevemos num artigo da época, “o cotidiano marcado pelo trabalho, vida em família, apego aos amigos e as coisas comuns de todo o jovem saudável de sua geração”. Um jovem que, em síntese, sonhava com um futuro bom e saudável, que nunca chegou.

Eudes, assassinado de forma estúpida nas proximidades da BR que demanda a Nioaque, numa região rural, sonhava, como todos os cidadãos de boa índole, com um futuro melhor e ao pensar no futuro, projetava esposa, filhos e a vida comum do lar. E como qualquer ser humano normal, jamais imaginava que a maldade, em sua forma mais atroz, cruzaria seu caminho, corporificada na pele de Ronei Grumiker Schmidt e Claudinei dos Santos, ambos de 25 anos, cunhados, como finalmente descobriu-se nesta semana.

O Pantaneiro não tem a intenção de tocar em conteúdos que machucam a vida das pessoas. Basta a dor que a perda de Eudes já causou a seus pais, irmão, amigos e familiares. Mas, como é preciso que determinadas feridas fiquem definitivamente curadas, faltava aos que até essa semana buscavam respostas e nunca aceitaram o desfecho fatídico daquela trama motivada pela ganância humana, saber como foram os últimos momentos de Eudes. Certamente ninguém nunca duvidou de que ele amava a vida que tinha e que jamais gostaria de deixá-la. E foi isto mesmo. Segundo os frios assassinos, o jovem aquidauanense, de grata memória para seus parceiros de história, pediu para não ser morto. Infelizmente não foi atendido!

O que dizer, agora, que tudo foi elucidado? Continuamos com a resposta predominante naquele dia em que o emocionado cortejo dominou as ruas de Aquidauana: pelo menos por aqui, no plano terreno, não temos uma resposta que aquiete a alma e o coração. Até sabemos que ações como aquela resultam dos instintos primitivos que dominam o comportamento de muitos homens. Mas, uma resposta mais satisfatória mesmo só pode ser encontrada num plano superior. Como vivemos hoje numa realidade que se assemelha a um espelho, não podemos entender plenamente. E Embora não console ninguém, menos mal que os algozes fortuitos de Eudes Paulo não estão mais soltos, pois poderiam repetir, a qualquer momento, o rito de morte que produziu lágrimas que ainda não foram enxugadas dos olhos de muitos.

 

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