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De volta o velho drama!

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Quase todo ano, em seu começo, especialmente março, lá vem as águas do Rio Aquidauana, transbordantes, volumosas, acrescidas das águas das chuvas, geralmente abundantes no período. E todo um ciclo se repete: preces, vigílias, expectativa dos moradores que moram na região sobre sair ou não sair, etc. Quase sempre muitos deles têm que se retirar. Novas perdas, inclusão numa comunidade provisória, até que as águas baixam, e tempos depois lá estão eles de volta. E tudo recomeça.

Nas ruas mais próximas do Rio em Aquidauana todos tem histórias para contar. E dificilmente existe uma casa sem as marcas deixadas pela presença das águas. O quadro já faz parte da cultura local. Acrescente-se a ele a visita de políticos, as promessas de dias melhores e as medidas paliativas de sempre, entre elas cestas básicas. Em 2010 até o governador André Puccinelli marcou presença na área. Anunciou um pacote de medidas: retirada desses moradores, que seriam transferidos para casas em áreas mais elevadas, onde não corram perigo; recuperação de estradas e pontes e obras de prevenção.

As enchentes recentes, porém, agora, mostram que poucos avanços aconteceram para resolver um problema que já faz parte de nosso cotidiano como algo normal, infelizmente. Mas, até quando? A história é pródiga em nos mostrar que certas tragédias são precedidas de alguns sinais muito claros, que não podem ser ignorados. Ainda é tempo de se evitar algo que parece irreversível, no futuro, até por conta do avanço comprovado do processo de assoreamento do Rio Aquidauana.

O que fazer? Todos sabem. “A solução definitiva é a drenagem para devolver ao leito do Rio a sua profundidade natural e um trabalho de recuperação das encostas, de forma a evitar o assoreamento”, lembrou nesta semana o nosso representante na Assembleia Legislativa, Felipe Orro. O governador sabe disto. O prefeito Fauzi Suleiman também. Encaminhamentos já foram feitos. Mas, certamente, esbarram-se em problemas como a burocracia estatal ou a falta de vontade política nos interregnos entre uma enchente e outra.

Como o momento não permite outra ação mais relevante do que o socorro às vítimas, o que está sendo feito pela Defesa Civil, resta-nos torcer para que o desejo manifestado pelo também estreante na Assembleia Legislativa, Lauro Davi, transforme-se em realidade, depois que as águas baixarem: um amplo debate da sociedade organizada.

Talvez isto, por mais comum e previsível que seja, contribua para que as várias medidas já anunciadas para resolver o problema transcendam o mero discurso ou despertem as instancias maiores do poder decisório para liberar os recursos necessários para efetivá-las. Afinal, a vida é o bem mais precioso que temos. E por aqui, todo ano, no período das chuvas, ela fica comprometida, com os problemas que decorrem das cheias, entre eles a proliferação das doenças transmitidas por microorganismos, como a leptospirose.

 

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