“Esses professores vagabundos!” – Confesso que não acreditei quando um amigo de outro “costado”, referindo-se a greve havida outro dia, usou a expressão “vagabundos” em conexão com os professores. Sobre a greve, é um direito do trabalhador, inserido nas melhores democracias do mundo. Sobre o conceito emitido, vejo como uma das coisas mais estúpidas que alguém pode pronunciar, conhecendo-se a realidade da educação do país, onde este agente do saber se submete ao desafio permanente de atuar como “cuidador” de quem nem sempre, hoje, com o desmantelamento da família, tem sido alvo de processos educativos eficazes.
O salário, considerado “alto” por alguns, que se referem aos professores como “vagabundos”, entre eles integrantes da equipe do governo Temer, para os quais a “aposentadoria” é de luxo, é, na verdade, uma vergonha, quando se leva em conta outros paradigmas salariais, de países que valorizam o profissional da educação, e o desgaste – especialmente emocional – gerado pela espinhosa missão.
É provável que tenha sim, algum professor vagabundo, como tem, infelizmente, em toda profissão. Eu, que já dei aulas em três escolas públicas, uma particular e duas faculdades, devo ter sido abençoado pelo Altíssimo, porque nunca encontrei nenhum que fizesse jus a essa avaliação tão depreciativa. Ao contrário, encontrei e tenho encontrado parceiros abnegados e comprometidos com os projetos docentes que lhes foram delegados. Quanto ao amigo, autor do veredito, nunca conheceu alguns limites impostos a pobres mortais, pois nasceu em berço de ouro. Nunca o vi trabalhando, pelo menos arduamente. E deve louvar a Deus pela condição que tem. Não fosse isto, o vagabundo a ir pra rua seria ele...
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