Bodoquena
Hoje a humanitária contribui com a distribuição de refeições a quem muitas vezes não tem o que comer
Zenaide de Souza Vieira tem 52 anos e há apenas um mês decidiu fazer o que poucos tem coragem: tomar a atitude de ajudar ao próximo, que passa por dificuldades diárias e muitas vezes não consegue se alimentar direito. O projeto social criado em Bodoquena pela humanitária atende diversos públicos e as crianças são as que mais adoram. Além do sopão, distribuído com a ajuda de outros voluntários que contribuem na mão-de-obra e com a doação dos ingredientes, os encontros ainda trazem uma palavra de conforto espiritual, com orações e dinâmicas entre os participantes.
“Sempre tive no meu coração essa vontade de fazer algo por alguém. Então, eu levantei da cama numa madrugada e pensei em ir a um mercado da cidade. Se Deus me abençoasse que o estabelecimento me patrocinasse com os alimentos, eu iria fazer um sopão para distribuir às pessoas carentes das vilas”, explicou Zenaide, que atendeu ao chamado para as obras sociais. E foi o que aconteceu. A ajuda veio e o trabalho começou.
Superando as dores com humanitarismo
Antes de decidir criar o projeto de distribuição de refeições, Zenaide estava em uma situação delicada de saúde. Com problemas na coluna, ela permanecia ora deitada ora sentada o tempo todo e dependia de outras pessoas para ajudá-la a se levantar.
“Eu já passei dois anos sem poder fazer nada, com problema na cervical, só dentro de casa. Foi quando eu fiz um voto com Deus que, se me tirasse daquela situação, mesmo se não tivesse condições de fazer o trabalho braçal, que eu pudesse liderar um grupo para ajudar aos mais necessitados”, se recorda, emocionada.
A voluntária recebeu, como de praxe, várias críticas à época por decidir tocar o projeto das refeições. “Muitas pessoas me disseram: você tá louca! Pensei: se Deus está no comando, vai dar tudo certo”.
Boas ações só agregam mais pessoas que acreditam na mesma causa. E assim, Zenaide foi ampliando a rede de contatos com mais voluntários que se predispuseram a contribuir na empreitada. Com algumas empresas patrocinadoras e pessoas que conheceram seu trabalho, a rede solidária só tem aumentado. “Estou muito feliz por realizar este trabalho. Não sou apenas eu, mas uma equipe que, graças a Deus, se interessa, tem o mesmo objetivo que o meu e estamos juntos nessa. Estamos começando da estaca zero”, considera.
Crianças fazem fila para comer feijoada e arroz com legumes. Foto: Ricardo FloresO exemplo é a inspiração
Zenaide é um exemplo para comprovar que toda ação tem uma reação. Ela ficou encantada com a atitude de um motorista da Secretaria da Saúde do município, que levou lanches no ônibus a quem não tinha dinheiro para poder comprar alimentos enquanto seguiam em tratamento para Campo Grande.
“Há cerca de 1 ano e três meses, estava indo em um ônibus da Saúde para Campo Grande, para prosseguir o meu tratamento, quando o motorista ofereceu um lanche para o pessoal. Eu costumava levar um dinheirinho a mais para ajudar aqueles que não tinham condições de lanchar no trecho. Ele ofereceu bolo e suco e isso fez toda a diferença para quem estava com fome naquele momento. Foi um dos motivos que me despertou essa vontade de ajudar mais”, relembra.
Zenaide já começa a ser reconhecida pelos parceiros e, segundo ela, muitos já a param na rua para oferecer alimentos. E o grupo não serve apenas sopão. Conforme explica, as refeições são elaboradas de acordo com os tipos de alimentos que chegam. “Hoje temos feijoada e arroz com legumes. A gente faz um agradecimento, canta, realiza dinâmicas e então serve a refeição”, descreve.
A voluntária diz ter certeza que o trabalho social é, definitivamente, recompensador. “Eu não tenho boa saúde, mas o projeto é algo que me traz muita alegria. Parece que a gente fica mais leve quando podemos contribuir com a felicidade de alguém”, finaliza.
Como ajudar
Para quem tiver interesse em contribuir com o projeto de Zenaide, tanto na ação voluntária quanto na doação de alimentos, basta procurá-la na Rua Antônio Ferreira Vital, n. 289, : Bairro Santo Afonso. O telefone de contato é o 9 9928-6216 .
*Com informações de Ricardo Flores
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