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Bodoquena

Tetraplégico após montaria em touro, ex-peão agradece à mulher por não o ter abandonado

Família promove bingo beneficente para ajudar nos custos do tratamento de Oemison

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Amante de rodeios desde os 18 anos, o ex-peão profissional Oemison Silva dos Santos, de Bodoquena, escapou da morte e teve uma nova oportunidade de viver, após a queda grave de um touro durante uma competição ocorrida em Anastácio, na noite do dia 2 de novembro do ano passado.

Aos 33 anos, Oemison ficou tetraplégico decorrente do impacto que sofreu na coluna. Para ele, a palavra “tetraplégico” por si só é forte, mas conforme relata, o acontecimento fatídico o fez refletir sobre a vida e como isso fortaleceu seu sentimento de gratidão a Deus por ter sobrevivido ao acidente.

“Graças a Ele estou aqui vivo e em recuperação. Agradeço à minha família, à minha esposa que não me abandonou, ao meu filho que tem 13 anos e entendeu bem o que aconteceu, à minha mãe, irmãos e aos amigos de Bodoquena que fizeram o primeiro bingo para nos ajudar com o tratamento. Eu não tenho o que reclamar do que aconteceu, foi um aprendizado mesmo.”

No momento de maior dificuldade, quando veio o diagnóstico médico no qual atestava a grave lesão, a esposa do ex-peão, Gesiane de Oliveira Trindade, de 32 anos, não pensou duas vezes e decidiu largar tudo para cuidar de Oemison. A comerciante deixou a loja de moda country aos cuidados de parentes para se dedicar exclusivamente ao marido.

Conhecida em Bodoquena por Zizi, ela se recorda dos momentos de desespero ao ver o marido caído na arena em que competia na cidade de Anastácio. “Quando eu vi que ele caiu e não se mexeu mais, achei que tivesse morrido. Depois Oemison recebeu os primeiros socorros em Aquidauana. De lá, conseguimos vaga zero para Campo Grande. Foi quando o médico confirmou que possivelmente ele nunca mais recuperaria os movimentos dos braços e das pernas”, relembra emocionada, mas sem se deixar abater.

Oemison tem esperança e fé de recuperar os movimentos. Foto: Ricardo Flores

Dificuldades

Há 7 meses em tratamento, o ex-peão e a mulher vivem da solidariedade dos amigos e da ajuda da Prefeitura de Bodoquena para sua recuperação. Ambos tiveram que se adaptar a uma série de mudanças. “Para mim, tudo mudou da água pro vinho. Eu era muito ativo, não parava e trabalhava qualquer hora que fosse, de dia ou de noite. Depois que bati no chão e não senti mais as pernas e braços, percebi que o negócio foi sério mesmo”, constatou.

Ter que lidar com as limitações diárias não foi nada fácil. Oemison passou a depender dos familiares para tudo, como comer, beber e se deslocar. “É algo do tipo humilhante a gente não ter a capacidade de fazer as necessidades sozinho. Não é fácil. Eu acho que muita gente deveria passar por isso para poder dar mais valor aos amigos, à família, para perceber o quanto é importante cada movimento que a gente tem.”

Zizi complementa que o marido precisa de cuidados em tempo integral. “A nossa casa ainda não é adaptada para cadeirante, no banheiro, por exemplo, a gente se vira. Mas a ajuda dos amigos foi de grande importância, porque na verdade nunca estamos preparados para enfrentar esse tipo de situação”, desabafou.

O caso de Oemison comoveu os bodoquenenses. De acordo com a esposa, hoje, o ex-peão necessita de fraldas, medicamentos, retornos ao médico, tudo com alto custo para a família. “É muito caro. A média de gastos só com fraldas gira em torno de 1200 reais por mês.”

Como Oemison ainda não está aposentado, o casal conta mesmo com a ajuda da comunidade. O próximo bingo solidário está marcado para o dia 10 de agosto com a finalidade de ajudar no pagamento das despesas médicas e com sessões de fisioterapia.

Esperança de voltar os movimentos

Oemison sonha em recuperar os movimentos de seu corpo. Apesar do diagnóstico de tetraplegia, Zizi argumenta que há esperança do ex-peão voltar a andar. “Naquele momento de angústia, a gente não sabe o que faz. Mas depois dos exames complementares, soubemos que a medula óssea não foi rompida completamente, só foi machucada. Então a gente acredita sim que ele pode voltar a andar, que vai dar certo”, concluiu.

“É preciso ter muita fé porque eu passei por uma experiência muito ruim. Mas eu sei que Deus vai me mostrar o caminho certo para recuperação. Eu vou conseguir”, garante Oemison que dá uma lição de otimismo e força de vontade.

Para quem quiser contribuir com o bingo beneficente ou ajudar nos custos do tratamento de Oemison, o telefone de contato é o (67) 99697-3323.

*Com informações de Ricardo Flores.

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