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Força-tarefa deve identificar mortos na operação no RJ até o fim de semana

Nomes dos já identificados não foram divulgados

O objetivo da operação era conter o avanço do Comando Vermelho / Tomaz Silva/ Agência Brasil

As pessoas que foram mortas durante a Operação Contenção deverão ser identificadas até este final de semana, de acordo com o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos. Segundo o secretário, foi montada uma força-tarefa no IML (Instituto Médico Legal). Os nomes dos 100 já identificados ainda não foram divulgados.

“No IML, foi montada uma força-tarefa para fazer a identificação. Existem processos de identificação: identificação da própria parente, que reconhece a vítima, a pessoa morta; tem o processo da dactiloscopia; e os mais complexos, de DNA e outros tantos. Então, não é fácil, não é rápido, mas a gente acredita que até o final de semana, dentro dessa rotina, a gente consiga fazer a identificação de todos”, afirmou Santos.

O secretário falou com a imprensa em entrevista coletiva, após reunião com parlamentares nesta manhã, no Centro Integrado de Comando e Controle da Secretaria de Estado de Polícia Militar do Rio de Janeiro. Ao todo, participaram da reunião dez deputados federais, nove deputados estaduais e quatro vereadores da capital.

O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, acrescentou que há muitos mortos que são de outros estados. "A identificação leva mais tempo, justamente porque a gente tem que falar com a polícia técnica desses estados correspondentes, para obter mais dados e ter a identificação precisa desses corpos. Por isso, que está levando um pouco mais de tempo”, afirmou.

Perguntado sobre a divulgação dos nomes dos mortos, Curi disse que uma lista “será divulgada no momento oportuno”.

A Operação Contenção, realizada nesta terça-feira (28), nos complexos do Alemão e da Penha, contou com um efetivo de 2,5 mil policiais e é a maior realizada no estado nos últimos 15 anos e também a mais letal. O estado reconhece 119 mortos, sendo quatro deles policiais, e admite que ainda podem aumentar as vítimas. Segundo organizações da sociedade civil, já ultrapassam 130 os mortos na operação.

Doca não foi preso

O objetivo da operação era conter o avanço do Comando Vermelho e cumprir 180 mandados de busca e apreensão e 100 mandados de prisão, sendo 30 expedidos pelo estado do Pará, parceiro na operação.

O principal alvo da operação, Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, considerado o principal chefe solto do Comando Vermelho não foi preso. O secretário Victor Santos diz que, apesar disso, a operação foi um sucesso, prendendo 113 pessoas. Ele destaca que, entre as apreensões, estão HDs que podem levar às formas de lavagem de dinheiro e contribuir para as investigações policiais.

Segundo pesquisa divulgada no ano passado pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF) e pelo Instituto Fogo Cruzado, o Comando Vermelho foi a única facção criminosa a expandir seu controle territorial de 2022 para 2023, no Grande Rio. Com o aumento de 8,4%, a organização ultrapassou as milícias e passou a responder por 51,9% das áreas controladas por criminosos na região.

A pesquisa mostrou que o Comando Vermelho retomou a liderança de 242 km² que tinham sido perdidos para as milícias em 2021. Naquele ano, 46,5% das áreas sob controle criminoso pertenciam às milícias e 42,9% ao Comando Vermelho.

Apesar da operação ter apreendido toneladas de drogas – o total ainda não foi precisado – Curi reconhece que a droga não é a principal fonte de financiamento do crime organizado.

“A droga hoje é cerca de 10 a 15% do faturamento das facções. Ela enxergou que o território é sinônimo de receita, de dinheiro, exploração econômica desse território. Justamente explorando tudo que tem no interior dele: internet, gás, energia elétrica, água, construções irregulares, extorsão de comerciantes no interior de comunidade, de moradores e etc. Então, é isso que o comando vermelho quer. Justamente explorar economicamente o território”, disse.

Vazamento da operação

Questionados sobre possível vazamento de que a operação ocorreria nos complexos da Penha e do Alemão, Santos diz que não houve vazamento grave e que os objetivos da operação foram atingidos.

“Em uma operação dessa, com a mobilização de 2,5 mil policiais, naturalmente, alguém fica sabendo disso pela própria mobilização. E também por esse efetivo, certamente essa operação vai se dar em um grande complexo. O que a gente verifica é que não houve um vazamento que a gente entenda como grave, um vazamento qualificado, ou seja, nós chegarmos ao objetivo e o objetivo não ser atingido”, disse.

Marcas de tortura

Desde ontem os secretários são questionados sobre torturas que teriam sido feitas por policiais e sobre execuções de pessoas que teriam se entregado. Eles negam e dizem que isso será verificado nas perícias feitas pelo IML. Curi diz que foi instaurado inquérito para apurar o crime de fraude processual por suposta remoção de roupas e coturnos dos corpos. Sobre as lesões, ele diz que elas podem não ter sido feitas por policiais.

Nesta quarta-feira (29), cerca de 60 corpos foram localizados e retirados de uma área de mata do Complexo da Penha por moradores, após a Operação Contenção realizada pelas forças de segurança do estado, nessa terça-feira (28). Os corpos foram reunidos na Praça São Lucas, no centro da comunidade.

Segundo as famílias, eles apresentavam marcas de tortura, e os parentes receberam provas de que eles haviam se entregado.

*Com informações da Agência Brasil

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