Servidor público de 61 anos foi atingido quando estava na varanda da casa ao tentar tomar posse do imóvel arrematado em leilão; Bernal se entregou à polícia e alega legítima defesa
Alcides Bernal alega legítima defesa / Campo Grande News
O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, matou a tiros o fiscal tributário do Estado, Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, na tarde desta terça-feira (24), em um imóvel na Rua Antônio Maria Coelho, no bairro Jardim dos Estados. O crime ocorreu no momento em que a vítima chegava acompanhada de um chaveiro para abrir a residência, que havia sido arrematada por ela em leilão judicial.
De acordo com informações apuradas pelo site Campo Grande News, Mazzini foi até o local munido de uma notificação extrajudicial de desocupação, datada de 20 de fevereiro, que estabelecia prazo de 30 dias para a saída voluntária de Bernal. O prazo já havia expirado, mas não havia ordem judicial para reintegração de posse. Ao chegar na varanda da casa, o servidor foi atingido por dois tiros.

Equipes de socorro foram acionadas e realizaram procedimentos de reanimação por cerca de 25 minutos, mas a vítima não resistiu e morreu no local. Após o crime, Bernal fugiu sem prestar socorro, mas se apresentou pouco tempo depois na 1ª Delegacia de Polícia e foi encaminhado para a Depac do Cepol, onde prestou depoimento.
Em depoimento, o ex-prefeito alegou que agiu em legítima defesa. De acordo com seu advogado, Oswaldo Meza, a entrada da vítima com o auxílio de um chaveiro foi ilegal, já que não havia decisão judicial autorizando a desocupação forçada. Bernal afirmou ter sido avisado de uma invasão e reagido ao ser agredido.
“Desta vez, fui avisado. Estavam arrombando a porta da sala. Quando me viram, tentaram me agredir e tive que me defender”, teria dito o ex-prefeito a um jornalista antes de se apresentar à polícia.
O imóvel, avaliado em R$ 3,7 milhões, com área construída de 678 m², foi a leilão em 2025 devido a dívidas. O lance mínimo era de R$ 2,4 milhões. Apenas em IPTU, o débito acumulado desde 2018 chega a R$ 344 mil, já com juros e multas.
O caso se soma a uma série de pendências judiciais envolvendo Bernal. Ele responde por condenação à devolução de cerca de R$ 2,9 milhões aos cofres públicos por irregularidades em convênios firmados durante sua gestão à frente da prefeitura. Também enfrenta ação de execução de pensão alimentícia movida por um filho, com valores que ultrapassam R$ 172 mil, além de disputas por área rural em Sidrolândia e outros conflitos patrimoniais.
Alcides Bernal, advogado e radialista, foi vereador de Campo Grande por dois mandatos, deputado estadual em 2010 e eleito prefeito em 2012, com 62,55% dos votos no segundo turno. Sua gestão foi marcada por conflitos políticos que resultaram em sua cassação pela Câmara Municipal — tornando-se o único prefeito cassado da história da cidade. Ele retornou ao cargo por decisões judiciais entre 2014 e 2015 e tentou a reeleição em 2016, mas não avançou ao segundo turno.
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