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Censo: Bonito lidera ranking estadual de moradores ausentes para pesquisa

Cerca de 16,78% dos moradores da região ainda não atenderam recenseadores do IBGE por não estar em casa

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O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta sexta-feira (3) o balanço parcial do Censo Demográfico. Em Mato Grosso do Sul, a cidade de Bonito lidera o ranking de moradores que não foram encontrados em casa para responder a pesquisa. Cerca de 16,78% da população foi considerada ‘recusa velada’. 

Mais de 2.504.514 pessoas foram recenseadas, o que representa a prévia de 89,3% da população no Estado, até 31 de janeiro.  A taxa média de pessoas que se recusaram a responder o Censo é de 1,74%, abaixo da média nacional que é de 2,43%. 

A recusa velada é o termo dado aos moradores que remarcaram entrevistas ou tiveram o endereço visitado por mais de quatro vezes, sem sucesso no atendimento por parte da equipe. Além de Bonito, estão na lista dos maiores índices nessa categoria as cidades de São Gabriel do Oeste (16,26%), Caracol (15,20%), Dourados (14,09%), Jardim (12,99%), Água Clara (11,58%), Ribas do Rio Pardo (11,01%), Ivinhema (10,97%), Porto Murtinho (9,44%) e Nova Andradina (8,96%).

 “Neste processo, são desperdiçados tempo e recursos públicos. Além disso, o profissional vai ficando desgastado também. É esse tipo de situação que chamamos de recusa velada, o comportamento do morador impede a obtenção das informações, mesmo que não diga expressamente que se recusa a dá-las”, relata Alex Uchôas, coordenador operacional do censo em MS.

Os municípios de MS com os maiores índices de recusa são: Terenos (8,89%), Corguinho – (3,79%), Sidrolândia (3,62%), Ladário (3,29%), Bataguassu (2,88%), Rio Negro (2,75%), Ivinhema (2,63%), Dourados (2,44%), Bela Vista (2,40%) e Nova Alvorada do Sul (2,31%).

Classe alta tem maior índice de recusas

Conforme relata Sylvia Martinez Assad Oliveira, que coordena o Censo em Campo Grande, alguns trabalhadores foram ameaçados. “O processo eleitoral, simultâneo ao Censo, gerou confusão e certa hostilidade em parte da população. Os bairros de média e alta renda são os que demandam mais esforço de convencimento e revisitas. Muitas vezes as pessoas estavam em casa e mesmo assim sequer atendiam a campainha ou o interfone. Não tínhamos como explicar a importância da pesquisa.”

Quando há recusa, o supervisor vai ao local para verificar a situação e explicar a importância e segurança de responder à pesquisa, mas há casos que necessitam de um esforço maior. Mario Alexandre de Pinna Frazeto, Superintendente do IBGE em MS, relembra que condomínios estão, cada vez mais, fechados para pesquisas.

“A população está mais distante e receosa depois da pandemia e de inúmeros golpes virtuais. Chegamos a ter casos de locais que, em um primeiro momento proibiram o trabalho do recenseador em sua área interna. Foi necessário buscar a ajuda da procuradoria federal para esclarecer a importância do trabalho, além do embasamento em lei, tanto do sigilo das informações, quanto da obrigatoriedade de responder ao Censo.”

MS se classifica em 5º no ranking de moradores ausentes

Quando ao cenári9o nacional, o Estado se classifica em 5º lugar entre os estados brasileiros com maior índice de moradores ausentes, ficando atrás de Mato Grosso (14,04%), Espírito Santo (9,58%), São Paulo (8,04%) e Tocantins (6,01%). Para efeitos de comparação, no Censo de 2010, não havia um indicador separado para recusa e moradores ausentes.

Para facilitar a conclusão da pesquisa, até abril, o Disque-Censo 137 foi disponibilizado desde o fim do ano passado para atender essas demandas. Quem não respondeu ao questionário do Censo pessoalmente também pode ligar para o 0800 721 8181, que estará disponível até o dia 20 de fevereiro ou procurar uma agência do IBGE na sua cidade.

Os recenseadores estão há seis meses em campo para coleta de dados do Censo 2022. O maior desafio relatado pelos trabalhadores continua sendo moradores que não estão em casa e reverter recusas de pessoas desinteressadas em responder o questionário. O Censo Demográfico é a principal pesquisa do país que permite traçar um perfil socioeconômico da população.
 

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