Saúde
Todos os estados registram casos e pessoas vulneráveis são as mais atingidas
“Sim! Podemos acabar com a tuberculose”. Este é o lema para chamar a atenção do dia 24 de março, dia Mundial de Combate à Tuberculose.
A data foi criada no ano de 1982, pela OMS (Organização Mundial da Saúde); para homenagear os 100 anos do anúncio do descobrimento do bacilo causador da tuberculose, que ocorreu em 24 de março de 1882, pelo médico Robert Koch (bacilo de Koch).
De acordo com dados da OMS, um terço da população mundial está infectada pelo Mycobacterium Tuberculosis e em risco de desenvolver a doença. Segundo a Organização, há cerca de 8,8 milhões de pessoas doentes no mundo e cerca de 1,1 milhões de morte por ano no planeta.
Saindo dessas estatísticas mundiais, para falar da doença aqui no Brasil, o professor Titular da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (SP )da USP e Presidente da Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose – REDE TB, Ricardo Alexandre Arcênio, explica o quadro da doença aqui no País.
“A tuberculose é uma doença endêmica no Brasil, que afeta todos os estados brasileiros. O Brasil está na lista de países (33 países) com a mais alta carga da doença, estando na 19ª posição segundo relatório da OMS. É uma doença que afeta, principalmente, os pulmões, mas pode também afetar outros órgãos. Há 25% da população que está infectada pela doença e, destas 10% irão adoecer, 5% assim que se infectam e outros 5% em algum momento da vida (doença latente). As pessoas adoecem em decorrência da fragilidade imunológica (principalmente pelo HIV, diabetes, tabagismo, etilismo, fatores sociais)”.
Ricardo Arcênio explica que alguns estados brasileiros como Rio de Janeiro, São Paulo, Amazonas e Pernambuco, apresentam uma maior incidência da infecção, mas de uma forma geral na maioria das capitais brasileiras a tuberculose é bastante presente e um desafio. Para o professor, a melhor maneira de prevenir a tuberculose, é identificar precocemente os casos.
O Ministério da Saúde orienta através do “Manual de Recomendações Para o Controle da Tuberculose no Brasil”, 2ª edição, atualizada (2019), que o Programa Nacional de Controle da Tuberculose é responsável, entre outras ações, por estabelecer as diretrizes para o controle da doença, que tem tratamento padronizado, exclusivamente oferecido no serviço público de saúde. É importante saber que a transmissão da doença ocorre por via respiratória, pela inalação de partículas produzidas pela tosse, fala ou espirro de uma pessoa com tuberculose ativa pulmonar ou laríngea. Segundo o manual, estima-se que uma pessoa com o bacilo pode infectar de 10 a 15 pessoas em média, em uma comunidade, durante um ano.
Os fatores que contribuem para esses números, não são apenas o contágio. Para a OMS, existem outras condições que favorecem a disseminação do vírus, que podem ser o econômico e social. O órgão alerta que a pobreza, a má distribuição de renda, a Aids, a desnutrição, as más condições sanitárias e a alta densidade populacional, são propícias para a disseminação do vírus.
Os especialistas da área da saúde, alertam que a pessoa precisa estar atenta aos possíveis casos de tuberculose e, ao menor sinal ou dúvida, procurar atendimento médico.
“Tosse há mais de duas semanas, perda de peso, inapetência, sudorese noturna, sangue nas secreções nasais”, alerta o médico. Ele acrescenta que “o tratamento da doença se dá na rede pública de saúde; o processo dura seis meses. Hoje estamos todos mobilizados em pesquisas para reduzir o tempo de tratamento para quatro meses”.
Em 2017, o Brasil assumiu o compromisso de eliminar a tuberculose por meio do “Plano Brasil livre da tuberculose”, um projeto construído pelo Ministério da Saúde, com a participação de gestores estaduais e municipais, academia e sociedade civil. Esse compromisso foi submetido à consulta pública e aprovado pela Comissão Intergestores Tripartite. O documento estabelece prevenção e cuidado integrado e centrado na pessoa; políticas arrojadas e sistema de apoio; intensificação da pesquisa e inovação. O “Plano Brasil livre da tuberculose” estará em execução em 4 fases, que irão desde a sua elaboração até o ano de 2035.
Veja quais são os principais sintomas da tuberculose
De acordo com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), a doença tem como principais sintomas emagrecimento acentuado, tosse com ou sem secreção por mais de três semanas, febre baixa geralmente à tarde, sudorese noturna, cansaço excessivo, falta de apetite, palidez e rouquidão. Recomenda-se que toda pessoa com sintomas respiratórios por um período maior do que três semanas seja investigada para tuberculose.
Saiba como se prevenir da tuberculose
Para prevenção da tuberculose, é aplicada a vacina BCG em crianças, a qual previne somente a forma grave da doença. O contágio também pode ser evitado com tratamento e orientação dos infectados além de melhorias nas condições de vida da população, já que a enfermidade está associada à pobreza e à má distribuição de renda.
Veja onde buscar tratamento
O tratamento pode durar seis meses a um ano e é feito à base de antibióticos. O tratamento é gratuito e está disponível no SUS (Sistema Único de Saúde).
Uma das dificuldades no combate à tuberculose é a falta de adesão ao tratamento - por ser longo e apresentar resultados rápidos, alguns pacientes o abandonam – o que acaba por provocar o desenvolvimento de uma forma da doença resistente aos medicamentos, conhecida como tuberculose multirresistente. Este tipo de tuberculose tem crescido mundialmente.
Transmissão da tuberculose ocorre por via respiratória
A transmissão da tuberculose acontece por via respiratória, pela eliminação de aerossóis produzidos pela tosse, fala ou espirro de uma pessoa com tuberculose ativa, sem tratamento; e a inalação de aerossóis por um indivíduo suscetível. Calcula-se que, durante um ano, em uma comunidade, uma pessoa com tuberculose pulmonar e/ou laríngea ativa, sem tratamento, possa infectar, em média, de 10 a 15 pessoas.
A tuberculose não se transmite por objetos compartilhados. Bactérias que se depositam em roupas, lençóis, copos e talheres dificilmente se dispersam no ar e, por isso, não têm papel importante na transmissão da doença.
Com o início do tratamento, a transmissão tende a diminuir gradativamente, e em geral, após 15 dias, o risco de transmissão da doença é bastante reduzido.
A bactéria responsável pela tuberculose é sensível à luz solar e a circulação de ar possibilita a dispersão das partículas infectantes. Por essa razão, ambientes ventilados e com luz natural direta diminuem o risco de transmissão. A etiqueta da tosse, que consiste em cobrir a boca com o antebraço ou lenço ao tossir, também é uma medida importante a ser considerada na prevenção da doença.
FORMAÇÃO GRATUITA
Formação terá 200 horas e aulas no período vespertino; selecionadas poderão receber auxílio para alimentação e transporte
EXERCÍCIO SIMULADO
Exercício de simulação de guerra acontecerá entre os dias 09 e 26 de novembro; população deve observar movimentação atípica nas áreas urbanas e rurais
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