Vida e Obra
A pesquisadora dedicou parte de sua vida acadêmica e de pesquisa para escrever sobre a importância do rio Aquidauana para a história da cidade
A renomada historiadora Joana Neves, escritora do livro “Porto para o Pantanal. A Fundação de Aquidauana: civilização e dependência”, participa de uma aula pública sobre Educação e a Fundação de Aquidauana, na noite desta quinta-feira (24). Neves deu uma entrevista exclusiva ao jornal O Pantaneiro e compartilhou um pedaço de sua trajetória.
Nascida de Sertãozinho, cidade interiorana de São Paulo, filha de mãe semi analfabeta, Joana Neves, doutora pela USP e apaixonada pelo Portal do Pantanal, disse que “se pudesse, trocaria minha naturalidade para a cidade de Aquidauana”.
Fruto desta paixão, nasceu sua dissertação de mestrado, intitulada “Um porto para o Pantanal: a fundação de Aquidauana – civilização e dependência”, onde apresenta um arcabouço histórico sobre a gênese aquidauanense. Em seu trabalho, a professora explica que o Rio Aquidauana foi de suma importância para o fomento do agronegócio na região pantaneira.
Conforme disposto em sua obra, Joana Neves conta que o rio era utilizado como ferramenta de transporte, sobretudo de gado, até o mercado paulista. Devido a essa importante ferramenta econômica, fazendeiros (cinco, conforme ela relata) decidiram comprar as terras próximo ao Rio Aquidauana para construir um porto para onde o gado seria transportado.
Para Joana, Aquidauana tornou-se um relevante marco para a economia local, em sua época de fundação.
“O grande problema para os fazendeiros que criavam gado no Pantanal Mato-grossense, era como eles transportavam estes rebanhos para as cidades que tinham locais para comercializar os gados”, explica.
Centro Pedagógico de Aquidauana, o “C.P.A" - Foto: Arquivo / O PantaneiroContinua, “um grupo de fazendeiros decidiu que o Rio Aquidauana precisava de um porto, já que no início o gado chegava para Corumbá e com a companhia Mate Laranjeira enviava a mercadoria para a Europa”.
Para a professora e pesquisadora, o Rio Aquidauana foi basilar para fundamentar a economia pantaneira, até a chegada das estradas de ferro, que assumiram a frente da comercialização das mercadorias.
A pesquisadora, professora e educadora, publicou mais de 33 artigos sobre o ensino de História e diz que, em sua história enquanto professora, aprendeu uma coisa: “O aluno é o sujeito da educação”. Em outras palavras, ela acredita que a educação deve ser plural, democrática e baseada nos saberes compartilhados entre os indivíduos que compõem a sala de aula.
Ao jornal O Pantaneiro, Joana conta que revisitar Aquidauana faz ela se sentir em casa novamente.
O Pantaneiro realizou uma entrevista com a escritora Joana Neves na Igreja Matriz - Foto: Ronald RegisJoana Neves é professora aposentada da Universidade Federal da Paraíba, desde 1995. Foi aluna da USP na graduação e no mestrado, e após a aposentadoria, defendeu sua tese de doutorado na mesma instituição. Formada desde 1966, Joana Neves morou e lecionou em Aquidauana, sendo uma das idealizadoras do curso de Estudos Sociais do CPA.
Em 1970, com o fim das escolas experimentais e o fechamento do Serviço de Ensino Vocacional no estado de São Paulo, a professora Joana recebeu o convite de lecionar em Aquidauana, então município do estado de Mato Grosso, na recém fundada Universidade Estadual de Mato Grosso/UEMT que, a partir de 1978, com a divisão do estado, tornou-se a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul.
Desde então, Aquidauana foi muitas vezes tema de pesquisa da historiadora, que não esconde o carinho que tem pela cidade.
AFOGAMENTO
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SOLIDARIEDADE
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