Só no último fim de semana, foram três acidentes confirmados; uma criança morreu
Durante a madrugada da última segunda-feira (25), uma garota de três anos foi atacada por escorpião, enquanto dormia, em Brasilândia, devido à gravidade do estado de saúde da garota, ela teve que ser transferida para o Hospital Regional de Três Lagoas, mas faleceu após sofrer paradas respiratórias.
As médicas plantonistas que prestaram atendimento para a garota, constataram que ela sofreu abuso sexual e acionaram a Polícia Civil, que está investigando o caso.
Apenas no último fim de semana, pelo menos três pessoas foram vítimas de acidentes com escorpião, no interior de Mato Grosso do Sul. Os casos acontecem após cerca de um mês da morte de Pyetro Gabriel, que faleceu em 22 de agosto, aos cinco anos, uma semana após a picada.
Com o recente aumento de casos, agências de saúde e regulação emitiram alerta para a população, a fim de evitar que mais acidentes aconteçam. No que diz respeito a ataques de escorpião, uma das justificativas deste aumento é resultante do período elevadas temperaturas.
Os dados mais recentes do Centro de Informações e Assistência Toxicológica de MS (Ciatox), no primeiro semestre deste ano, houve 2.234 notificações de acidentes por escorpião no Estado.
A maior parte dos casos costuma acontecer em épocas de tempo quente e úmido. Logo, estamos entrando na fase em que o número de casos deve aumentar.
O levantamento do Ciatox mostra que nos três primeiros meses do ano foram registrados mais casos: janeiro (378), fevereiro (411), março (456), abril (362), maio (346), junho (175) e julho (106).
Campo Grande lidera o número de casos, com 673 notificações, seguida de Corumbá, com 113, e Dourados, com 96.
Neste mês de setembro, com o aumento do calor, é esperado que o número de casos voltem a subir.
Conforme divulgado pelo Ministério da Saúde do Brasil, existem algumas medidas que são importantes serem tomadas para evitar o risco de acidentes com escorpiões:
Em caso de ataque, a recomendação é procurar o hospital de referência mais próximo e com urgência.
Conforme balanço de notificações de acidentes por escorpião, entre 2020 e 2023, no Mato Grosso do Sul - compilados pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) - este ano já tem o pior primeiro trimestre dos últimos três anos.
Em números de vítimas por ano, cada primeiro trimestre registrou:
Em todo o ano de 2022, MS confirmou 3.205 ataques de escorpião, segundo o balanço da SES, somados os casos do primeiro semestre deste ano (2.234), até julho, 2023 já estava a 971 casos de distância da marca registrada no ano passado, quando Mato Grosso do Sul bateu os 3.205 ataques de escorpião.
A recomendação é ir imediatamente ao hospital de referência mais próximo. Se possível, levar o animal ou uma foto para identificação da espécie, permitindo assim uma avaliação mais eficaz sobre a gravidade do acidente.
Acesse a lista de hospitais referência para utilização do soro antiescorpiônico
É importante lembrar que não é em todo caso de acidente que o soro será indicado, e apenas o profissional de saúde poderá fazer essa avaliação. O antiveneno é indicado em casos moderados ou graves. Limpar o local da picada com água e sabão pode ser uma medida auxiliar, desde que não atrase a ida ao serviço de saúde.
Os casos leves, que não necessitam da aplicação do antiveneno, representam cerca de 87% do total de acidentes. Desta forma, o soro antiescorpiônico é disponibilizado apenas nos hospitais de referência do Sistema Único de Saúde (SUS).
As ampolas são enviadas pela pasta aos estados, que são responsáveis pela distribuição aos municípios e pela definição estratégica das unidades de referência para o atendimento destes casos.
Essa logística deve ser feita de acordo com a situação epidemiológica de cada região e os estados possuem também autonomia para remanejar o soro de uma cidade para outra quando necessário. Os soros também não são disponibilizados na rede particular de saúde.
No Brasil, a espécie de escorpião que causa mais acidentes, Tityus serrulatus, tem se expandido para um número maior de cidades, onde até então não era encontrada. Esta espécie possui facilidade para se reproduzir e colonizar novos ambientes.
Os acidentes escorpiônicos ocorrem em todo o Brasil. Desde 2009, o Ministério da Saúde realiza capacitações de identificação, manejo e controle de escorpiões nos estados brasileiros, em cooperação com as secretarias estaduais de saúde. O objetivo é que cada estado multiplique as informações recebidas a todas as suas regionais de saúde e municípios.
O Ministério da Saúde registrou, em 2018, 141,4 mil casos de acidentes com escorpiões em todo o país. Em 2017, foram 125 mil registros de acidentes. Esses dados ainda são preliminares e serão revisados, portanto estão sujeitos a alteração. Em 2016, foram 91,7 mil casos. Em relação às mortes, em 2016 foram registrados 115 óbitos em todo o país e, em 2017, 88.
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