dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
Abriu a caixa postal, dentro encontrou contas/folhetos e um envelope pardo, etiquetado com o seu nome/endereço. Envelope comercial, timbrado, com a devida identificação/logomarca. Abriu e. . . cinco/cinco fotos coloridas nas medidas convencionais (10 x 15 cm) fizeram-se presentes. Cinco fotos que, aparentemente, pouco em nada diziam e, nada/nada mais. Cinco fotos, endereço e marca desconhecida; desconhecida e estranhas imagens. Quem teria emitido? Postado? Por que? Qual. . . seria a seqüência de "leitura/decodificação", se é que haveria afinidade na exposição das mesmas ou. . . cada uma, seria apenas, cada uma?
Na hierarquia encontrada, a "primeira" seria (?) um detalhe íntimo. Um ângulo de alcova ou algo equivalente. Para inferior de um leito, lençol amarelo presumivelmente em uso, dobras/marcas; em segundo plano uma fração de tapete vermelho com arabesco e franjas pardas; um par de chinelos na posição de disponibilidade "levantar/calçar"; um sapato preto, salto alto, tiras, em repouso lateral, o outro, fora do tapete; no término do móvel, bem próximo do encontro do lençol com o claro piso, uma instigante calcinha branca, rendada, "demarcando" o rubro tapete. Instigante peça, intrigante fato!
A outra foto retirada era de cunho gastronômico: uma mesa para dois/dois pratos/taças-talheres/bebida. Mesa redonda, toalha de fundo branco/xadrez em tons azulados, alimentos semi-consumidos, taças com restos de vinho tinto, pratos com fragmentos de carne assada, sobras de "espaguete ao suco", castiçais com acesas velas. . . tudo, como se os comensais tivessem interrompido a "celebração" para a documentação/fixação do momento. Cena cotidiana. . . manchas de vinho e molho na toalha. . . cativante mas, nada/nada ostentatório. Coloquial no dia/dia, inclusive pela marca de batom na transparência da taça.
Duas fotos de intimidade - a alcova, a refeição: o macho/fêmea (presume-se) na convivência, na busca eterna do diálogo, dicotomia cama/mesa ou meras sugestões/hipóteses de um recebedor de envelope pardo? Provocante, irreverente!
A fachada de um prédio desses conjuntos populares, de oito apartamentos, dois por andar. . . foto típica de amador. Péssimo enquadramento, iluminação deficiente, enfoque forçado-foto/prédio igual a milhares espalhados pelas periferias das grandes cidades. Um carro estacionado à frente, chapa propositadamente identificável "AB-1940"!
Haveria analogia com as demais? O roteiro/interpretação não estava delineado. . . três fotos, três situações, três circunstâncias. . . parte ou final de um encontro/tentativa. . . certo/certo apenas que, um dos elementos seria militar ou um ente que usasse calcinha, batom, sapato de salto. . .
Um anel em estojo vermelho que tanto poderia ser de brilhante/zircônio/cristal ou. . . quem sabe? Estojo aberto, pedra reluzente/faiscante-elegante peça. Gosto apurado, clássico estilo. . . estojo vermelho repousando em superfície-fundo de tecido amarelo/amarelo que bem poderia ser/ser o mesmo do lenço. . . issso se as fotos, bem, as fotos. . . e, a quinta. . .
A última fotografia. . . um parque infantil, crianças/acompanhantes, sol, lazer. . . trivial/costumeiro. . . seriam fotos afins? Por que deveriam ser? Seria uma charada? Um quebra-cabeça? Crianças, brinquedos, adultos. . . luzes/sombras/ócio. . . e, nada mais havia no envelope pardo, apenas, cinco fotografias.
Olhou na parede, o relógio acusava 20:40 horas. . . pegou o copo, o líquido rubro foi postado ate a altura convencional. . . 20:40 horas demarcada no branco mostrador que tinha como fundo a frente e o nome da cantina, olhou o envelope pardo "descansando" ao lado do cinzeiro, sobre uma toalha que já fora branca. O celular na mão, tenta o número do "iconográfico relicário". . . quatro chamadas e, silêncio/silêncio. . . sem resposta.
Pediu um café, acendeu o cigarro, um gole, uma tragada. . . tomou da pasta deixada em cadeira, uma caneta e, no verso de cada foto demarcou os números 1, 2, 3, 4 e 5. . . assim poderia manusear o rol sem alterar a "ordem" recebida, afinal, qual seria o ponto de partida. . . o prédio/carro/chapa:. . . o parque. . .: aliás a única com conotação de descendência, a geração. . . o aneel, jóia de "bom gosto" que destoava da. . . vaticinava quando foi interrompido pelo garção:
- O senhor quer mais café?
- Por favor, e a conta!
Pagou. . . acendeu mais um cigarro, colocou o envelope na divisória da maleta, fechou-a, despediu-se ganhou a rua/cidade. . . uma garoa fina embaçava uma visão mais detalhada da praça. As "operarias da noite" procuravam abrigo sob o toldo das lojas.. . partiu!
(continua)
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