dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
Chamávamos de tribo, a um conjunto de pessoas que, em determinado período, ocupavam em comum certa área de caça/pesca (alimentação), que comunicavam-se entre si, tudo dentro de uma ordem social de valores aceitos como determinantes. Nômades/semi, aglutinados ou dispersos, alinhavados por processos culturais semelhantes/afins... na etnologia (estudo comparativo dos povos) o termo tem sofrido "elaborações/interpretações" variadas e o que geralmente encontramos é a expressão "grupo tribal" e, outros significados/leituras passou a ter a palavra - "tribo".
Os Jivaros, grupos de difícil contato, confirmam o acima exposto, pelas suas peculariedades: - não eram religiosos, eram individualistas, anarquistas,... situações antagônicas ao próprio conceito estereotipado de grupo (estrutura relações recíprocas, interesses...)
Esses nativos, adeptos da vingança, insubmissos, habitavam a região da alta Amazônia, o piemonte andino (região entre a montanha e a planície) - Peru/Equador, faziam o seu translado na fronteira à cavalo, eram aguerridos guerreiros de relações complexas, interpretados como de "má Índole", exímios no uso de zarabatanas (arma de sopro que expelia setas), do curare (veneno) e marcaram presença na hist6ria pelas "cabeças encolhidas", eram especialistas em taxidermia (empalhadores).
Geralmente os nativos são extremamente religiosos, na tentativa de conseguir explicações/entendimentos de fenômenos - raio/chuva/morte/dia-noite...; socializavam-se na expectativa de segurança/proteção/realização; aceitavam a liderança do mais forte, dos sábios, os Jivaros não seguiam esses ditames, apesar de praticarem: o culto ao "demônio" e aceitarem as influências do xamã (espécie de sacerdote).
O grupo Jivaro apresentava desenvoltura sexual (polígamos), mais um traço marcante da filosofia anarquista - contestavam a autoridade, preocupavam-se com o homem em si e per si, revoltavam-se com imposições... parecem na realidade personagens safados de textos de Tolstoi, Thoreau, Kropotkin... precursores de sociedades não autoritárias, adeptos da anarquia social.
O modo de vida, diferenciado dos demais, causaram surpresas e explicações difusas entre estudiosos/missionários uma vez que em suas atitudes/comportamentos vizualizavam-se traços materialistas, sensualistas e... positivistas.
Positivistas... baseavam-se no observado, no experimentado, buscando o lado prático, do interesse, distanciando-se do misticismo generalizado e da visão colônia do branco, protótipo do colonizador, com concepções de pecado/culpa-castigo.
Os Jivaros não tementes aos invasores, sem escrita, para os eruditos era abominável, uma civilização oral, eram "analfabetos" para os "pesquisadores" da época.
Todo esse "modus vivendi" (maneira de viver), diametralmente oposto aos agrupamentos conhecidos e, as normas básicas da sociologia vigente no século XIX e XX, causaram atração e repulsa.
A comunidade "achuar" é Jivaro, são propensos à discórdia, têm língua afim, técnicas de subsistência (caça/pesca) semelhantes, também são consumidores de drogas (yahuasca...) e violentos/vingativos dentro de uma ritualística própria/específica.
Os Jivaros praticantes da observação/experiência... cultivavam plantas, domesticavam cães, conheciam a zoologia e legaram aos "conquistadores" mais de 40 denominações de formigas e mais de 30 de borboletas. A sabedoria dos mesmos, chegava a cuidados extremos... usavam faca feita de bambu na caça e na guerra, usavam o curare... após abater o animal, colocavam na boca do mesmo um antídoto (contra-veneno), para que a carne da fauna não fosse comprometida e, eram designados por alguns estudiosos como "primitivos".
As relações sexuais dos Jivaros eram de parcerias breves, percebiam o sexo como a realização momento e não como fator de união perene ou configuração familiar... tinham como prática, a provocação cotidiana do vômito, utilizada por povos da antiguidade, passaram aos livros didáticos como "encolhedores de cabeças".
A técnica cirúrgica para a redução era quase perfeita. A cabeça era separada do tronco e o crânio retirado pelo pescoço. A pele com o couro cabeludo eram "banhados" em extratos de ervas, composição essa que dava uma negritude a peça, além de conserva-la. As orelhas eram retiradas, a boca/pálpebras costuradas.
O tratamento do "objeto" envolvia o uso de pedras quentes e o interior recebia areia quente... encolhida a peça ficava com 9/10 centímetros, remoldada com fibras de algodão/palha... a abertura (garganta) costurada, recebendo o nome de Tsantsa ou Chancha... passando a categoria de "troféu de guerra", essa operação era efetivada pelos elementos masculinos do grupo.
Nos meados do século XIX, esses amuletos (sorte) começaram a ganhar mercado, disputados por colecionadores e por curiosos dos costumes indígenas, o exotismo ganhou preço no mercado negro (paralelo), e o interesse fez com que os "civilizados" participassem do processo, até a interferência da Igreja Católica, ameaçando de excomunhão... caçadores/comerciantes.
A degola dos inimigos, a elaboração dos amuletos pelos Jivaros, seres de estatura mediana, robustos, olhos escuros, cabelos longos, estiletes de bambu nos lóbulos das orelhas... estranhos hábitos, estranhos... e, o que não é estranho sob os olhos dos outros?
a.begossi
13/02/08
a.begossi@opantaneiro.com.br
Autores "visitados": - Mr. Tlaloc; Jacques Meunier; Philippe Descola; Pe. Vacas Galindo...
- Pesquisa Internet: Roberto Lavarda
Eleições 2026
Candidato a deputado estadual pelo PL participou de encontros nesta quarta-feira; ele apresentou propostas voltadas à geração de emprego e renda, investimentos e ampliação das oportunidades para a população da região
Eleições 2026
Candidata a deputada federal pelo PSDB destacou demandas de Bela Vista; saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento estão entre as prioridades
Voltar ao topo