dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
Um grupo, um indivíduo só consegue refletir/optar racionalmente quando tem informações que, transformadas em conhecimentos podem fornecer "estoques" para deliberações; quem lê pode escrever/comunicar-discordar/fundamentar-sem "reservas" qualquer nação/ser está fadada a estagnação e a juventude, a superação.
Em nossa comunidade, o número de assíduos leitores é reduzido, não ouso citar os textos clássicos, nossa juventude não aprecia jornais, nem mesmo os locais, quem dirá os regionais/nacionais. Quando o fazem, é na coluna/caderno de esportes, geralmente futebol ou citações sociais, para saber das "fofocas", das pessoas em evidência. . . não somos contra mas, isso não basta, para a formação de seres que podem transformarem-se em pessoas, em autores de processos e não meros atores.
Nas escolas, quando o professor/a solicita a leitura de uma obra, perguntas surgem: o livro é grosso? O "cara" é chato? Têm palavras difíceis? E, na maioria das vezes, na classe dois/três lêem, os demais vão na "cola" e, o tempo-desgastado.
Assim "passam" pelo ensino fundamental/médio, quando ambicionam um vestibular, surge uma relação de obras/autores "não conhecidos", acarretando sobrecarga-dez/quinze textos que, se não forem programados, nas vésperas será uma catástrofe; aí, surge o famoso "jeitinho brasileiro" - compra-se resumos dos mesmos-desse modo, sabe-se a estória, os personagens mas, não se têm contato com o estilo, o vocabulário do autor, a sua arte de frasear e, o pseudo-leitor perde. . . apesar de conseguir ser aprovado, num momento histórico que, até analfabetos conseguem "passar" no processo seletivo, fazendo o notável (x) nos espaços, é a conhecida teoria das probabilidades; o pior é que, o profissional solicitante da leitura num ontem recente, passa a ser considerado "mala sem alça" êta país do faz de conta!
Algumas instituições de ensino superior estão tentando, baseando-se nos últimos resultados, criar tipos de questões, estabelecendo relações, forçando a leitura integral das obras, cuja ordem de assimilação, depende da orientação de educadores capacitados.
Quando surgem "anomalias", isto é, candidatos metódicos, a leitura das obras fundamentais da literatura, propicia afinidades com o estudo das outras disciplinas, no caso de re/leitura, aprofundam-se as reflexões e podem "nascer", resumos pessoais/próprios, até mesmo, fichas de leituras.
No caso dos vestibulandos, as obras podem/devem ser lidas nos horários livres, disponíveis nos intervalos dos textos de matemática, física, química. . . havendo programação/planejamento, dez/quinze autores solicitados podem ser apreciados nos três anos do ensino médio. . . se o rol solicitado foi alterado, a leitura não foi perda de tempo, os textos auxiliam, sempre, na formação seja como pessoa e/ou profissional.
A internet/apostilas oferecem sínteses de obras, a contextualização do autor, o seu momento histórico fica relegado e, o neófito cínicamente informa: li o livro tal!??
Estamos chegando a uma resultante perigosa ao identificarmos a escola como reformatório/castigo e não como potencial de conteúdos de libertação, de fuga da submissão/ignorância: - afinal, o que queremos para nós? Para nossos filhos? As amostragens inter/nacionais demonstram, nossos resultados perante as Américas e o Mundo, são pífios/irrisórios. . . quando recebemos o esperado "canudo", surge a indagação:- e agora? Até quando vou conseguir enganar?
Alguns autores são essenciais para o repensar do cotidiano; aprendemos a língua, só assim conseguiremos orientar olhares ao que nos cerca; aprendemos a escolher objetos/referências; a estabelecer conotações; a multiplicar subentendidos e, muitas vezes "falam" por nós, identificamo-nos com este ou aquele personagem/contexto.
Determinados "livros ensinam nas entrelinhas" - "O Príncipe", tão citado e integralmente tão pouco lido, foi escrito por Nicolau Maquiavel e publicado em 1532 em Florença (Itália), sintetiza o que um príncipe deveria saber para governar e obter sucesso. O texto é repleto de "reflexões a respeito do poder: como consegui-lo, aumenta-lo e mantê-lo."
Comenta-se sobre a estabilidade a ser conseguida. As medidas a serem tomadas. O amado, o temido. . ., a lealdade, os mercenários. . . assuntos que interessam do empresário ao operário, do eleitor ao político. . . do jovem que quer assumir a cidadania.
"Robinson Crusoé" de Daniel Defoe é outro clássico com dezenas de sínteses/traduções; infelizmente não nos é dado o direito de lermos na língua original (francês), uma vez que, a maioria de nós, mal consegue ler/entender textos em português. A narrativa é sobre um náufrago e a sua persistência em subsistir. Para produzir, faz-se necessário capital (ferramentas/utensílios. . .), mão de obra (trabalho. . .) e matéria prima. O personagem tenta/busca, não se entrega. Sua vida, transcorre numa ilha que o "acolhe", dura quase trinta anos, anos de solidão, onde elabora um calendário de madeira, faz cultura (milho. . .) aprende a caçar/pescar, cria cabras. . . encontra nativos, náufragos. . . pela carência, desenvolveu habilidades básicas a pequenos e micro-empresários.
Duas citações, a de Maquiavel muito indicada para os cursos de humanas e a de Defoe idem (economia, sociologia, administração, psicologia. . .), são verdadeiros "estudos de casos". Crusoé, foi adaptado para o cinema, a última versão foi "O náufrago".
Outros enredos aí estão para que possamos divagar/refletir/comunicar-subsistir!
"A arte de ler é a arte de pensar com um pouco de ajuda." - Emile Faguet (1847-1916).
a.begossi
a.begossi@opantaneiro.com.br
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