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Mulher

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A gente não nasceu mulher, torna-se mulher.
Simone de Beauvoir

Mulher - esse animal, segundo alguns, racional, sem o qual o homem nada é, nada, nem mesmo corno, como afirma o "filósofo" José Simão, ou, como já afirmava Ovídio (43 aC-17 aC) - umas dão, outras recusam, mas gostam de ser solicitadas. Esses seres inevitáveis, que acondicionam o nosso dia/dia em alegrias/iras/dor-de-cotovelo/felicidades/saudades. . . o nosso pleito.

O comércio cretinamente elegeu o mês de março (dia 08) com as suas 24 horas de homenagens, relegando os demais e, isso é inaceitável, como passar algumas horas sem as mesmas, essas guerreiras/companheiras/amadas - idolatradas, parceiras de lutas e conquistas-mães amantes/esposas/namoradas-admiradas, imitadas-referências- "mulher-história".

Mulher beleza, calor, cheiro, riso, cadência, prazer, ternura, mulher-história, que marcam ou marcaram o nosso existir. . . algumas só foram valorizadas após a partida, os eternos respeitos do sexo oposto.

A mulher será sempre o perigo de todos os paraísos (Paul Claudel - 1868/1955); elas vivem a vida, ao passo que os homens falam à respeito dela (Lin Yutang - 1895/1976) . . . paradigmas que, para os criacionistas são originárias das "costelas de Adão", . . . por que das costelas? Tudo menos daí. . . daí temos os evolucionistas que suas teorias do "elo perdido", de Chita (amiga de Tarzan) como "tataravô" de Juliana Paes, de Ana Paula Arósio, de Camila Pitanga, de Raquel Fuina. . . teorias/hipóteses que não convencem à respeito da origem do "bicho-bão", seja a ciência ou a religião a fonte, o importante é que elas aí estão para amenizar a jornada que denominaram de existência.

Mas, não é apenas a beleza que transforma uma pessoa em mulher-história, pode ser a voz, uma Piaff, uma Elis Regina, uma Angela Maria, . . . um jogo de pernas em seus dribles encantados de Marta e seu invejável futebol, uma Talita e seus voleios nas quadras e, quantas mais, convivem ao nosso lado ou, perpassaram em forma de fotos/notícias. . . cozinheiras, lavadeiras, bailantes, mestras do cotidiano. . . não importando a etnia, idade, cor. . . são "mulher-história", artíficies do ato/fato e que fizeram/fazendo bem, muito bem, aquilo a que se propuzeram e, por assim serem, tornaram-se exemplos.

Toda comunidade contém em seu bojo tais personagens/personagens que, em sua época/cultura demarcaram um existir. Aquidauana não poderia ser diferente. Temos gravado em nosso passado, uma jovem que atendia num bar de "beira-estrada", parada de comitivas/cavaleiros e viajantes, um "conquistador" de terras, conheceu-a, amaram-se, juntos ficaram, ela tornou-se esteio/mãe/avó. . . a família persiste em esconder esse ontem, desvalorizando o após, a guerreira, a companheira, a parceira dos momentos difíceis - é uma história ainda a ser contada, de nossa terra, de nossa gente.

No início de nosso processo universitário, a faculdade era estadual (UEMT-CPA), ocupávamos a parte superior do CEJAR, ali uma auxiliar administrativa servia-nos café, era uma fidalga no seu andar compassado, vestidos de modelos simples, tecidos de cores neutras, sua face sempre tranqüila, sua voz baixa, seu sorriso espontâneo era um mero alongar dos lábios, olhos sempre atentos, era uma verdadeira dama, essa "princesa" terena, tinha o nome de Tereza, Dona Tereza de Oliveira, uma mulher-história!

Doceiras, costureiras, cantoras/"cantadeiras" de procissões -Sophia Rondon, sobre uma cadeira lentamente desenrolava o sudário enebriando-nos com uma prece ritmada "Oh vós que passais pelo caminho, atende e vede a dor. . .", o rosto sacro do contestador surgia/surgia em nosso âmago a emoção: . . . cantoras de violão/sanfona, pianistas. . . a professora que cuidou de nossos filhos, ensinando-lhes as primeiras letras, a primeira médica, a enfermeira que velava, cuidava de nossos males. . . mulheres "construtoras" de uma cidade pré-pantanal.

Cientes estamos de que você, amigo/a leitor/a, conhece várias outras.Tente lembrar de sua mãe, de tias, namoradas. . . do que elas tinham de mais notável, tente recordar/anotar/documentar. . . elas serão a "história" de seus filhos/netos. . . o nosso ontem, eternamente gravado.

Mulheres de zona, infantilmente conhecidas como de "vida-fácil", que emprestaram o regaço, em passado que o sexo era visto como pecaminoso, quantas de vocês nos ajudaram a crescer, a entender os altos e baixos do percurso, mulher-história.

Falando em história-acontecimentos, não podemos olvidar de Maria Quitéria, Anita Garibaldi, Olga Benário, parceira/protetora de Luiz Carlos Prestes, de Iara Iavelberg a "guerrilheira" de Carlos Lamarca. . . e tantas outras de envolvimento afetivo ideológico-libertário.

- Simone de Beauvoir (1908-1986) - considerada a "inventora do feminismo", companheira de Jean Paul Sartre, o filósofo do existencialismo, formavam um casal ímpar, moravam isolados, ele com suas amantes/amantes de ambos os sexos, ela. Essa francesa aguerrida, ousou pousar nua para fotos artísticas, legou ao mundo uma obra clássica - O Segundo Sexo, publicado em 1949, re/descoberto na década de 60, cujo texto inspirou/fundamenta milhões de jovens e, sem o qual o assumir em nível de paridade, o aborto, mulheres em cargos públicos de mando. . . seria no mínimo, retardado. . . Simones, Marias, Antonias, Vilmas . . . mulher-história-êta tróço para ser admirado!

a. begossi
a.begossi@opantaneiro.com.br
13/03/08

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