“...Gozar o dia de hoje, pois amanhã quem sabe ? ”- Anacreonte ( 2ª metade do séc.VI a.C )
A história, os fatos/acontecimentos para efeitos didáticos ( ensino/aprendizado mais eficiente), é dividida em períodos/fases/etapas, é uma divisão meramente convencional do mundo ocidental, considerando o nascimento de Cristo como o Ano Zero – ponto de partida. Do Zero a 476 d.C ( queda do Império Romano do Ocidente) é chamada de Antiga; do século V ao XV, a datação refere-se a Idade Média (1453 – queda de Constantinopla). O espaço/tempo de 1000 anos (séc.V – séc. XV ) provocou inúmeras mudanças comportamentais, identificadas/ocasionadas por invasões, conquistas, submissões, descobertas, e a maneira de ser, dentre homens/mulheres – jovens/adultos, foi alterando-se, inclusive nas práticas de cunho político/religioso.
Na citada época ( Idade Média ), o sexo ficou ainda mais recatado/oprimido com a dominância da Igreja Católica. O sentido/aceite do pecado adquiriu diversos estágios de culpa. As relações físicas entre as pessoas, tinham conotações de procriação, sexo pelo sexo era indevido/condenado...isso não quer dizer que, não fosse praticado.
Pensar/imaginar o proibido, era pecado (culpa/transgressão de imposições religiosas). A situação era ambígua pois, o senhor feudal postava “ cinto de castidade” em sua predileta ou esposa por ocasião de viagens mas, mantinha o direito de posse de qualquer noiva, na primeira noite do casamento – o poder real/religioso identificavam-se nos interesses; quando não era um único representante a ocupar o trono, leigo e religioso.
No Oriente, as práticas eram menos conflitantes e os asiáticos tinham maior liberdade quanto ao uso do corpo.
Ao redor do século XII “acasalar”, era uma atração de interesses, um acordo selado por objetivos econômicos, os “interessados” conheciam-se por imagens ( geralmente quadros pintados à óleo ). Esses arranjos tinham toda uma ritualística : o lenço da amada, era considerado um troféu...o ficar juntos, para o conhecer à dois, praticamente inviável.
A Igreja Católica praticamente regrava até as posições entre o par, permitia-se a conhecida “papai/mamãe”, missionária como era chamada – os religiosos tentavam alterar o predomínio da posse praticada como os animais quadrúpedes ( cães, gatos, bovinos, eqüinos...). A relação sexual era tão vetusta, que comum era, usar-se um lençol com um orifício, evitando assim, um contato mais amplo/íntimo – carnal.
O conhecer do físico, o saciar desejos solitários ( masturbação ) era ofensivo aos preceitos cristãos...o rapaz que a praticasse, teria “ espinhas nas faces ou calos nas mãos”, cresceriam pelos nas mesmas ; as meninas em suas buscas pessoais, sofreriam a ação direta de Satanás. O corpo era tão vedado que, o banho vestido, foi uma prática comum que durou por séculos, inclusive em algumas escolas tradicionais no Brasil ( colégios religiosos ) em inícios do século XX.
A união legal ( casamento ) ocorria logo após a menarca ( primeira menstruação ). A família da noiva, “ pagava um dote ( dinheiro ou bens ) ao noivo”. Algumas proibições já existiam, como o casamento entre primos. Como toda proibição, nem sempre acatada.
Falar à respeito de higiene corporal nessa época, é ousadia. O famoso “cinto de castidade”, de diferenciados modelos, deve datar do século XIII – “Feito de metal, ele tinha aberturas farpadas que permitiam urinar, mas não copular”. Em alguns grupos sociais havia a prática da infibulação ( costura dos grandes lábios vaginais, impedindo a penetração ). Essa agressão, ainda é encontrada em alguns redutos da Ásia, África...
Com tantos bloqueios, com o prazer oficialmente proibido, os homens partiam para o saciar orgástico nos prostíbulos. A mulher não podia apresentar o mínimo “sintoma” de gozo, devia ser recatada, caso contrário seria alcunhada de “impura”. O ato sexual tinha conotação quase religiosa, deveria ser praticado para a procriação, para perpetuar a espécie. As “auxiliares do prazer” ( prostitutas ), eram malvistas pela sociedade e pela Igreja, entretanto, “tinham que doar metade de seus lucros ao clero na época do papa Clemente II ( 1046/1047 ).”
A Suma Teológica de São Tomas de Aquino, escrita por volta de 1265/1273, cita os pecados pela luxúria ; - fornicação (cópula); adultério ( infidelidade conjugal ); masturbação; zoofilia ( sexo com animais ); homossexualidade e “práticas antinaturais” ( sexo oral, anal )
A homossexualidade ( sodomia ) era encarada com pena de morte. Os praticantes poderiam enfrentar a fogueira, o degredo (exílio)...na historia do Brasil colônia, temos vários processos à respeito, inclusive alguns, atingindo autoridades religiosas.
O tempo, os lugares, os costumes alteram-se. Hoje o termo “pecado” perdeu peso, parte da culpabilidade, do medo que encerrava. A influência da Igreja e a visão de castigo, idem. A sociedade tornou-se mais flexível...onde chegaremos ? Só o amanhã poderá responder. As pessoas com mais de 40 anos, por certo entenderão os sinais !
a.begossi
06/01/2010
Fonte: -Mundo Estranho – Editora Abril- Abril de 2009, pág 54, 55...