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A Begossi

'Coisas falsas podem ser imaginadas e compostas; mas só a verdade pode ser inventada'

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Leonardo terminara o curso de Técnico Contábil na capital e voltara para a cidade era onde morara até então. Filho mais velho , deveria auxiliar o pai no comércio que possuíam; um comércio ?diversificado? , vendia desde escovas, vassouras, peças de trator, instrumentos musicais . . . um ?bazar? de ofertas para todas as necessidades, era o slogan na emissora local.
 
Era um local ?estranho? para um habitante de cidade grande  mas o pai , nunca quisera reduzir em nível de ofertas , só aumentava  . . . era um galpão imenso para admitir a diversidade . As vezes , nem sabiam o que tinham ?armazenado?.
 
A casa onde moravam era ?estilo europeu?, a parte inferior em pedra, andar superior em madeira, isso sem falar no sótão, espaço entre o teto do andar e o telhado, geralmente  utilizado como depósito e, no telhado de ?duas águas?, janelas em cada extremidade, que não era comum na Europa.
 
Leonardo dividia o quarto com os dois irmãos menores , pouco espaço para quem já estava acostumado a privacidade . O sótão era um sonho , se não estivesse tão ?apinhado? de tranqueiras . Assim o jovem começara a ?investigar? o que poderia ser doado /deslocado.
 
A ?garimpagem dos cascalhos? resulta  na seleção de 3 estrados de cama ,5 colchões , cadeiras quebradas à espera de conserto que, nunca vieram, baús de roupas da ?época de Carlitos? e o famoso baú do nono.
 
Baú muito comentado mas nunca aberto , ?território proibido?, muito falado mas com conteúdo desconhecido. Na arrumação o baú ?viajou? de um lado para outro . . . Leonardo separou uma cama, um colchão ?menos ruim?, algumas roupas e o ?saldo? desceu para a mãe fazer a triagem ,  . . . o que não foi difícil. Limpo o local, parecia maior, janelas abertas nas extremidades, até achara um ventilador, ainda funcionando.
 
À  noite, cansado mas pensando no ? baú do nono?. . . decidiu ?invadir? o relicário do ancião . . . o cadeado foi estourado e, tudo ali . . . ?poeira do tempo?, papéis, fotos, caixas . . . e, uma caixa de madeira com um recado manuscrito : - se  não fores adepto do sobrenatural , não abra . . . papel amarelado , partindo ao contato . . .  um chapéu , uma arma da 2ª G G  , uma Lhuguer . . . a caixa foi aberta com um canivete.
 
A caixa medindo ao redor de 30 cm por 15 e 10 de altura ; madeira cheirosa, pano branco envolvendo algo . . .  o pano era uma calça com manchas de sangue, resguardando uma pata esquerda de um bichano . . . osso, pele, poucos pelos . . . era um objeto curioso, quase sinistro, segurou-o . . . sentiu algo estranho . . . imaginação?
 
Continuou pesquisando . . . cadernos e mais cadernos , num o nome Conchetta , o nome da nona . . . com um começo . . . Desculpas mas eu preciso relatar o que aconteceu  . . . era uma bela jovem à espera do casamento, quando achei a garra numa caixa de madeira, embrulhada pelo tataravô . . . abri e guardei ? a novamente . . . como ficar fora da caixa ? Tentei guardá-la , amarrando a caixa, sem romper o amarril, ela ?pousou? fora . . . resolvi mostrá-la para Conchetta.
 
Ficou sob sua guarda, numa noite de Lua Cheia, ela praticamente ?perdeu os sentidos? e dormiu além do horário previsto (6 horas), 7 horas e nada, a sogra preocupada foi ao quarto. . . ao abrir a porta, ficou horrorizada . . . lençol  cheio de sangue, chamou-a e não foi atendida , levantou a camisola , no baixo ventre uma poça de sangue; coxas com ?rasgos? de unhas de felino  , sangue/sangue nos seios, mamilos quase arrancados e a jovem desmaiada. Deixara  de ser virgem com a agressão . . .
 
Acordada, dolorida, toda machucada . . . não entendendo o que passara. A ?garra? sumira e aparecera no sótão, dentro de um copo d?água . . . ainda suja de sangue . . .  nas anotações tentei buscar como livrar da maldição, como o nono deveria . . . e agora , questiono o ocorrido .
 
 
Arnaldo Begossi

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