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A Begossi

Afeto fraterno

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A presente narrativa é mais uma do velho Pepe, que ele só conta quando o grupo é pequeno e de total confiança, pois, envolve pessoas de muita estima.
 
Um casal de estudantes, ele cursava engenharia e ela pós em educação e, era na sapataria que discutiam sobre ideologias ? marxismo, anarquismo, socialismo . . . autores, teorias . . . uma amizade duradoura que permaneceu após o casamento, isto é, da decisão de morarem juntos.
 
Foram morar na periferia, numa casa pequena ? quarto , sala , wc, cozinha , uma ?amostra ?de quintal , água encanada e a energia desligada . O inquilino anterior havia deixado dívidas, ficaram semanas à ?luz de velas? . Poucos móveis, foram ganhando uns, comprando outros usados, que reformavam pintando, lixando, encerando  . . . só iam para casa à noite e eram felizes. Numa madrugada escutaram o ?choro? de um animal, era um cãozinho de dias, um perfeito ?vira-lata?, que adotou os dois adultos de imediato e recebeu na ?família? o nome de Sócrates.
 
O casal queria filhos mas, nada . . . ambos capazes e a gravidez não vinha. Três anos de tentativas e num mês, a menstruação tardou, no mês seguinte idem. Pepe foi o primeiro a ser informado , era mais um à espera. Seis , sete . . . tudo confirmado e segundo o médico do SUS, possibilidade de gêmeos, tal aconteceu.
 
Duas lindas crianças, Douglair foi a primeira, Douglas o segundo, com uma diferença de 2 minutos. Pepe foi o padrinho de ambas, era só felicidade. Com o crescer ficavam cada vez mais bonitas. Aos 7 anos, já chamavam as atenções por onde iam, eram quase idênticas, apenas a roupa variava segundo o sexo.
 
Por essa época o ?nosso? sapateiro havia ?assumido? o destino de um ?pivete? que, entrara na sapataria para fugir da polícia, entrara e ali ficara. Menino de rua, só com a roupa do corpo, comia quando roubava . . . Pepe dividia o pouco que tinha e também o pernoite. Entregava os calçados consertados, engraxados . . . foi adquirindo um comportamento menos violento, até Pepe arrumar um emprego para o guri, com um industrial conhecido.Trabalhava, estudava, tinha onde ficar,? bem longe da rua?.
 
Esse rapazinho, na vida da família foi ?engrenando?, conheceu Douglair, foi ?amor a 1ª vista? . . . ela um tanto refrataria mas, só Pepe sabia do caprichoso afeto. O pai notou os olhares trocados e resolveu conversar com o sapateiro: - eram muito crianças; concordavam e resolveram esperar, mas o rapaz começou a frequentar a casa, brincar com os irmãos, agora eram 3, mais Sócrates para ?aprontar?.
 
Saiam juntos, iam ao cinema, ao parque municipal, Douglair dando a mão para um e para o outro. Douglas não abandonava a irmã e cada vez ficavam mais parecidos ? rosto imberbe , mesmos olhos, lábios grossos, ela de cabelo curto,ele só aparado. Era um trio de alegria e muito sorriso.
 
O rapaz já se considerava ?namorado? da jovem e vivia ?apoquentado? com as interferências do irmão que não dava sossego , sempre/sempre juntos. Já conseguira por as mãos nas pernas da guria, sentir o volume de seus seios, ver suas coxas que eram ? uma pintura?, e . . . queria mais/mas Douglas quando percebia algo ?estranho?, aumentava a ?marcação? . A insegurança chegou ao ponto que Pepe foi procurado e calado ouviu o relato do enamorado . Afinal já notara algo estranho com os afilhados . . . o tempo é um fiel conselheiro.
 
Uma noite, dormindo/acordado foi com a voz do engenheiro e as batidas na porta: -Pepe, me ajude. Grossas lágrimas corriam por trás dos óculos. ? Pepe não sei o que fazer. Levantei para tomar água, resolvi olhar as crianças, estavam dormindo numa mesma cama, abraçados como um casal. Tenho notado que não se largam mais, dormir . . .
 
Numa noite foi vigia-los e encontrou-os nus na cama, tendo relações . . . mais uma vez, Pepe foi informado e ficaram preocupados com uma indesejável gravidez, o que fazer? Pepe tentou acalmá-lo dizendo que essa relação entre irmãos, primos, amigos são mais comuns do que se espera, as crianças ludibriam, escamoteiam , quando não são as mães . . . o caso estava explícito .
 
O enamorado estava angustiado. Douglas não dava chance nem para o beijo de ?despedida?, sentia ciúmes da irmã, o rapaz resolveu fazer uma visita noturna, sem avisar. O quarto da jovem era no 1º andar, uma treliça  sustentava a trepadeira e por ela, o ?invasor? subiu, venezianas semi ? abertas possibilitou a visão . . . ambos só com peças íntimas, numa cama . . . a vontade era gritar mas, só as lágrimas corriam.
 
Duas noites e resolve espiar novamente . Lua cheia ,luar /claridade . . . venezianas abertas. Os irmãos estão em relações, espera o momento da penetração , Douglas de costas . . . .  tira da cintura o 38 ?amigo de longa data?, aponta e faz dois disparos seguidos . Pula a janela e mais dois tiros . Ajoelha-se e o último tiro é na têmpora . . . três jovens, mortos/unidos pelo amor. Sócrates não latiu .
 
*Inspirado na dissertação de mestrado ? Letras - Marcia Helena Franco Santos Godoy
UEMS -2013 ? ?Incesto Consentido? .
 
 
A.Begossi ? 07/10/15

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