Novembro principiava , resolvera enfrentar a estrada na sexta e retornar ; tinha sempre uma maleta no porta ? malas para uma emergência ... camisas , cuecas, meias, bermudas ... era um profissional precavido . Antes de percorrer o asfalto , passara na floricultura e retirara a encomenda :- ?quatro orquídeas?, promessa de um passado recente.
Viagem tranqüila, grande movimento mas , fluindo normalmente, poucos caminhões, chegou rápido, em Anastácio foi para o hotel , fez a reserva , foi para o cemitério em Aquidauana . Gente lavando túmulo , colocando flores, acendendo velas, orando , chegou a sepultura onde repousava os restos mortais da ex-noiva , depositou as flores sobre a lápide. Olhou o retrato da jovem em porcelana , ?registrou? ? ela era linda.
Era o quarto ano , quatro orquídeas e as lembranças vieram em ?tempestade? , seus olhos lacrimejaram, morte repentina , os planos a dois , a solidão na ausência ... depositada a oferenda , orou, saiu andando pelos caminhos do campo sagrado , revendo pessoas , nomes de famílias conhecidas , retornou ao jazigo para despedir-se . Na frente do mesmo uma jovem de preto , cabelos molhados como se tivesse saído do banho , balbuciava algo em baixa voz, gesticulando suavemente com as mãos.
- Você conhecia essa moça ? Indagou calmamente.
- Não , não , eu estou admirando as orquídeas , são lindas . Tão bonitas que estou pensando em levá-las em troca de orações . Falou de modo seguro e com muita convicção.
O depositário das flores, riu , afirmando: - não acredito que a jovem vá reclamar mas, você não acha que elas estão lindas onde repousam?
Iniciaram um breve diálogo , de assuntos pertinentes ao local, ao dia, as circunstâncias, saíram caminhando entre os túmulos, trocando idéias ... convidou-a para um lanche , degustado , deixou - a frente ao Hotel Portal, combinando uma saída logo mais a noite , ao redor das 20:30 horas.
Retornou ao Fenix, uma rápida descansada , no horário programado foi buscá-la que, já o esperava na calçada . Passearam pela cidade, terminaram comendo pizza no Jóinha . Nessa altura pareciam conhecer-se a longo tempo . No carro as intimidades foram acelerando-se , ?mãos navegaram por águas revoltas?, terminaram a noite num motel.
Noite pródiga , pareciam adivinhar o desejo um do outro, não era necessário insinuar , as dobras , reentrâncias , aberturas foram sobejamente utilizadas , ?meladas? ... no raiar do dia, entre a troca de salivas, bolinações , despediram ? se marcando encontro para logo mais, ... uma passada no cemitério , almoço em Piraputanga e a tardinha retornariam a Campo Grande , ambos queriam passar o domingo na capital.
Cemitério, orações , viagem enfrentando trecho de terra, carro baixo , almoço além das expectativas ... peixes, cervejas no ?ponto?, retornam cansados mas felizes, dispostos a saírem após as 19:00 horas .
Tudo arrumado , nosso personagem feliz pela conquista , encontrara uma ?parceira? de palavra fácil , alegre , ótima na ?horizontal?, cheirosa , participativa , exceto os cabelos sempre molhados mas, isso era relevante mas não desanimador ... bermudas, sandália , camisa Pollo, já pensando na viagem ... fecha a conta no hotel, confere o mostrador, 19:00 horas , parte em busca da ?passageira?. Não está na calçada , nem na varanda ... 19:30 horas nada , dirige-se a recepção do hotel:
- Por favor, o senhor poderia avisar a senhorita Lúcia que, o seu ?motorista? chegou.
- Lúcia ? Não temos nenhuma hóspede com esse nome.
- É uma jovem , sempre de cabelos molhados , muito falante ...será que ela fez a ficha com outro nome ?
- Meu senhor, não temos ninguém, nenhuma jovem hospedada com essas características ... nem só , nem com familiares.
Agradeceu ... entrou no carro sem entender , ainda sentia o perfume, ... olhou o relógio , 21:15 horas ... ligou para o Fenix ,á espera de um desencontro, de um recado ... nada, partiu só, com suas lembranças ... continuou sem entender !
A.Begossi ? 03/11/15