dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:03
A Intuição Curativa
Martim Rodrigues era o homem mais letrado da vila de Piratininga, e até os padres recorriam a ele quando se viam em dificuldade para entender os documentos importantes da comunidade. Além de letrado, ele tinha a intuição dos fenômenos da natureza e também muita paciência para observá-los e estuda-los, tirando daí as relações de causa e efeito, e assim ele ia alimentando e enriquecendo sua intuição.
Em meado de 1590, uma doença um tanto estranha começou a se alastrar numa das pernas de Martim Rodrigues. Era uma ferida braba, que já estava chegando no osso e resistira a todos os esforços dos médicos da Bahia e do Rio de Janeiro, e a única solução, de acordo com os médicos, seria a amputação da canela, para que se conservasse pelo menos o resto da perna.
Observando como os índios se curavam de certas infecções, Martim Rodrigues resolveu tentar um tratamento que tinha chamado sua atenção e despertado sua curiosidade. E assim,durante várias semanas, por volta do meio-dia, sentava-se à sombra, mas de tal modo que a ferida ficasse exposta aos raios solares, e ali permanecia, pacientemente, ao longo de uma hora.
À medida que o tempo foi passando, a ferida ia regredindo e a perna ia voltando ao seu estado normal, e ao cabo de um mês, para espanto daqueles que queriam amputar sua canela, Martim Rodrigues curou-se radicalmente de uma necrose da tíbia.
Com o fruto das suas observações, ele tivera a intuição da helioterapia e do poder curativo dos raios ultravioleta.
Qualidades e Picuinhas
Os primeiros índios que tiveram contato com os portugueses foram os tupis. Eles se dividiam em muitas tribos, que se diferenciavam por apelidos curiosos que significam honra, acatamento, desprezo, ódio ou então indicavam alguma qualidade ou modo de viver.
Por isso eram conhecidos como: Potiguares - papa-camarões; Caetés - matutos, gente do mato; Tupinambás - guerreiros, valentes; Tupiniquins - amigos, gente de confiança; Goitacazes - andarilhos, corredores, velozes; Tamoios - sábios, anciãos, veneráveis. Guaianazes - irmãos, que praticavam a fraternidade; Carijós - assim chamados porque tinham a pele mais clara; Cariris - índios de temperamento tristonho, que viviam nas brenhas do mato; Caiapós - fazedores de queimadas, salteadores; Mundurucus - temidos cortadores de cabeças; Tremembés - nômades, vagabundos; Tabajaras - os que viviam nas aldeias, índios caseiros; Purus - antropófagos; Aimorés - a ralé, a escória; Tapuias - bárbaros, atrevidos, mal-educados.
Como se pode constatar, muitos desses apelidos revelavam qualidades e valores, mas alguns deles era fruto das picuinhas e da maledicência entre as tribos rivais.
Referência bibliográfica
TERRA, Eloy. 500 anos - Crônicas pitorescas da história do Brasil. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 1999. p. 26-29.
*Carlos Frederico Corrêa da Costa é doutor em História Social, professor no Departamento de História/CPAQ/UFMS
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