X
Carlos Frederico

Cronicas Pitorescas da história do Brasil VII

Compartilhe:

A-

A+

Carlos Frederico Corrêa da Costa
E-mail
cfccosta@terra.com.br

Caramuru! Caramuru!

Um dos mais memoráveis colaboradores dos portugueses na colonização do Brasil foi o navegador Diogo Álvares, o Caramuru, que em meados de 1509 conseguiu sobreviver a um naufrágio. Tendo sido lançado à costa, na altura da Bahia, foi encontrado pelos índios tupinambás. Estava desacordado e envolto em algas marinhas na cavidade de um penhasco. Parecia uma moréia atirada à cosa pela maré alta. Os índios acharam que se tratava de um belo exemplar do grande peixe que eles chamavam de caramuru, e assim que viram o náufrago enrolado em algas começaram a gritar Caramuru! Caramuru!

Daí é que veio o apelido dado ao navegador Diogo Álvares, que quase foi devorado pelos tupinambás, mas foi salvo pela índia Paraguaçu, filha do morubixaba da tribo, atraída pelo belo porte físico de Diogo Álvares, ela deu-lhe proteção.

Amparado pela índia salvadora, Diogo Álvares reanimou-se, e assim que se sentiu mais forte dirigiu-se aos destroços do seu barco naufragado, onde encontrou um arcabuz (tipo de espingarda antiga) e uma barrica de pólvora. Carregou a arma, e talvez para experimentá-la, disparou um tiro, abatendo um pássaro em pleno vôo e provocando um grande alvoroço entre os índios, que passaram a respeitá-lo como homem do fogo, filho do trovão.

Diogo Álvares casou-se com Paraguaçu, deixando uma grande descendência, e pela forte autoridade que tinha sobre os indígenas, tanto Caramuru como Paraguaçu prestaram valiosos serviços aos colonizadores portugueses, especial a Tomé de Souza, primeiro Governador-Geral do Brasil.

Adeus, Filho Querido

No dia 6 de abril de 1831 a multidão agitada no Campo de Santana, no Rio de Janeiro, exigia que o imperador D. Pedro I cumprisse a Constituição que havia jurado defender. Contrariado com o que ele julgava ser uma incompreensão por parte do povo, n o dia seguinte, 7 de abril, D. Pedro tomou a sofrida decisão de abdicar ao trono do Brasil em favor de seu filho Pedro II, que era ainda uma criança com 6 anos de idade. Tendo abdicado ao trono, D. Pedro I deveria deixar o país, mas não poderia levar seu filho estimado, pois ele era o herdeiro do trono e aqui deveria permanecer.

A dramática despedida se deu uma semana depois, na madrugada do dia 13 de abril. D. Pedro, emocionado, entrou no quarto onde dormia tranquilamente o filho que ele tanto amava e que era a ele tão apegado. As imagens dos bons tempos de convívio com o filhinho querido passaram rápidas pela sua mente: brincadeira de rolar no chão, montar os pôneis da cavalariça real, lambuzar-se com a sobremesa e passar as mãozinhas na roupa limpa, empurrar o balanço, alegrar-se com o riso claro e inocente do pequeno Pedrinho.

Seria uma despedida para sempre, e sua vontade era acordar o menino para o último abraço entre pai e filho, mas não teve coragem, e ali ficou, olhando demoradamente o filhinho que dormia tranqüilo, e um angustiante aperto sufocou sua garganta e as lágrimas arderam em seus olhos.

No mais absoluto silêncio, baixou a cabeça até o leito e beijou a fronte do filho amado, e lágrimas quentes deslizaram rápidas, aquecendo o rostinho sereno, mergulhado na placidez do sono inocente, e misturando-se aos pensamentos atormentados de um pai à beira do desespero, um grito silencioso ecoava no coração de D. Pedro I: "Adeus, filho querido."

Referência Bibliográfica
COSTA, C. F. C. da (Adaptador de) TERRA, Eloy. 500 anos - Crônicas pitorescas da história do Brasil. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 1999. p. 34-37.

*Carlos Frederico Corrêa da Costa é doutor em História Social, professor no Departamento de História/CPAQ/UFMS

VEJA TAMBÉM

ÚLTIMAS

Odilon Ribeiro reúne jovens e lideranças em agenda em Aquidauana

Eleições 2026

Odilon Ribeiro reúne jovens e lideranças em agenda em Aquidauana

Candidato a deputado estadual pelo PL participou de encontros nesta quarta-feira; ele apresentou propostas voltadas à geração de emprego e renda, investimentos e ampliação das oportunidades para a população da região

Viviane Luiza defende saúde, educação e infraestrutura na fronteira

Eleições 2026

Viviane Luiza defende saúde, educação e infraestrutura na fronteira

Candidata a deputada federal pelo PSDB destacou demandas de Bela Vista; saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento estão entre as prioridades

Voltar ao topo

Logo O Pantaneiro Rodapé

Rua XV de Agosto, 339 - Bairro Alto - Aquidauana/MS

©2026 O Pantaneiro. Todos os Direitos Reservados.

Layout

Software

2
Entre em nosso grupo