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Carlos Frederico

Cronicas Pitorescas da história do Brasil X

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A Terrível Arma Biológica

Quando o espírito não é bem formado na infância, as contingências da vida acabam endurecendo o coração e os homens se transformam em feras. A vida dos outros passa a não ter nenhum valor para eles. Seu único valor é a sua própria cobiça. Vamos conhecer agora um episódio que bem retrata a inclemência do ser humano com o espírito formado.

Lá por volta do ano de 1850, um português de sobrenome Castro resolveu fixar residência no Brasil. Ele tinha sido negreiro, vivia cruzando o oceano e vendendo escravos, mas na metade do século XIX aquele tipo de comércio estava começando a entrar em declínio e ele resolveu mudar de ramos, veio para o Brasil, entrou sertão a dentro e nas proximidades da Serra dos Aimorés escolheu um recanto para fixar sua fazenda.

Ao iniciar os primeiros trabalhos, começaram as hostilidades dos índios que ali já habitavam e Castro afastou-os à bala, matou alguns índios e conseguiu erguer os galpões e as moendas, com certa tranqüilidade, mas os índios voltaram e os tiroteios se repetiram e mais índios morreram.

Aí então a oportunidade se apresentou, e ele concebeu um plano para exterminar aqueles índios. Na sua fazenda um homem havia morrido de varíola e Castro mandou recolher a mochila, as roupas, o prato, a caneca e a faca do falecido e colocou tudo aquilo nas margens de uma lagoa onde os índios se abasteciam de água.

Os índios apanharam as roupas e os utensílios ali deixados e levaram para sua aldeia, provocando uma epidemia de varíola na tribo, e os índios sobreviventes aterrorizados com aquela doença desconhecida e fatal, abandonaram a aldeia da Serra dos Aimorés.

O português Castro conseguiu viver e florescer tranquilamente, sendo um dos precursores da Guerra Biológica, que faz pouco tempo matou milhares de curdos no Iraque.

A Rainha que odiou o Brasil

Quando D. João VI teve que voltar para Portugal, saiu chorando do Brasil, a terra que ele tanto amou. Mas o mesmo não aconteceu com a rainha Dona Carlota Joaquina, que tinha um ódio de morte pelo Brasil e pelos brasileiros.

Desde o primeiro dia da chegada da família real ao Brasil, em 7 de março de 1808, Dona Carlota chorava e se maldizia por ter que viver numa terra de gente inculta e de clima sufocante, sem o conforto e sem as pompas da Corte portuguesa, sem os esplendores da Europa. Foram 13 anos de permanente contrariedade.

Ela finalmente respirou aliviada. Quando às seis horas da manhã do dia 26 de abril de 1821, embarcou para a Europa. Dona Carlota Joaquina ao embarcar no navio de volta para a sua querida Europa, mandou escovar até mesmo as solas dos sapatos, para que nenhuma partícula de poeira do maldito Brasil fosse levada por ela para Portugal.

José Bonifácio de Andrada e Silva, o futuro Patriarca da Independência do Brasil, num manifesto reservado da maçonaria, fez as seguintes referências a Dona Carlota Joaquina: "É um dragão, que alguns anos depois cobriu de sangue e horrores a malfadada Lisboa, apressou a morte do infeliz esposo, que ensinou um filho a revoltar-se contra o pai, trair o irmão e arrancar o trono à sua sobrinha".

Referência Bibliográfica

COSTA, C. F. C. da (Adaptador de) TERRA, Eloy. 500 anos - Crônicas pitorescas da história do Brasil. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 1999. p. 48-50.

*Carlos Frederico Corrêa da Costa é doutor em História Social, professor no Departamento de História/CPAQ/UFMS.

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