dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:03
Carlos Frederico Corrêa da Costa
E-mail cfccosta@terra.com.br
A Marquesa Poderosa
O romance de D. Pedro I com a Marquesa de Santos trazia muitos constrangimentos para a imperatriz Dona Leopoldina, que por sua formação religiosa, por sua cultura e pelo peso da responsabilidade como imperatriz, mantinha uma posição de nobreza e respeito.
No seu leito de morte, quando as forças estavam lhe faltando, Dona Leopoldina abraçou e beijou a pequena Duquesa de Goiás, filha de D.Pedro e da Marquesa de Santos, e ao abraçá-la, balbuciou num sopro de voz:
- Adeus minha querida, adeus para sempre. Tu não tens culpa. Que Deus te abençoe e te faça feliz.
Ao tomar conhecimento do que tinha acontecido, a Marquesa de Santos ficou tão comovida que resolveu fazer as pazes com a imperatriz no seu leito de morte e com seu jeito impetuoso abriu a porta do quarto, mas logo parou, ali estava, ao lado da imperatriz moribunda, o Marquês de Aracaty, primeiro-ministro, que falou de modo firme e ríspido:
- Saia daqui, senhora Marquesa. Não consentirei que insulte os últimos instantes de vida da imperatriz com a sua presença indesejada, respeite na morte a quem não soube respeitar em vida.
Mas a Marquesa, sempre impetuosa, retrucou:
- E se eu entrar?
O Marquês de Aracaty foi peremptório:
- Mandarei prende-la, sou o primeiro-ministro do Império.
E a Marque não desistia:
- E depois de me prender, o que fará comigo?
Aproveitando a ausência de D. Pedro I, que estava em visita a Porto Alegre, o marquês falou mansamente, colocando uma ameaça implícita na voz:
- Depois, senhora marquesa... antes que o senhor D. Pedro regresse do Rio Grande do Sul, vossa excelência será processada e condenada. E eu, primeiro-ministro do Brasil, mandarei enforcar em praça pública a senhora Marquesa de Santos. Saia já, eu ordeno, neste momento quem manda aqui sou eu.
A Marquesa de Santos saiu. E quando D. Pedro I desembarcou no Rio de Janeiro, de regresso do sul, quem agora saiu foi o Marquês de Aracaty, que perdeu o cargo de primeiro-ministro.
A Expulsão dos Judeus
Na Segunda Guerra Mundial a brutalidade nazista torturou, humilhou e matou mais de seis milhões de judeus, e percorrendo os caminhos da história, vamos encontrar outra mancha de brutalidade anti-semita, desta vez em terras brasileiras.
Em 1634, ameaçados pelos tribunais da Inquisição da Igreja Católica, em Portugal, muitos judeus vieram para o Brasil e encontraram aqui boa acolhida em Pernambuco, naquela época sob o domínio dos holandeses, pois havia liberdade de expressão religiosa.
Durante 20 anos, com dedicação e trabalho, os judeus contribuíram para o desenvolvimento do comércio, da indústria e das artes no Brasil Colônia, respirando o ar puro da liberdade e do reconhecimento.
Em 1654 os holandeses foram vencidos e expulsos do Brasil, e o governo da Capitania de Pernambuco foi entregue ao general português Barreto de Menezes, que deu um prazo de 90 dias para que os judeus liquidassem seus negócios e partissem junto com os holandeses.
Nem todos conseguiram cumprir o prazo extremamente curto para liquidar os negócios e seguir com os holandeses para a Holanda [nessa época a maior parte do dinheiro do mundo encontrava-se na Holanda nas mãos de judeus] e foram mandados de volta a Portugal e entregues à brutalidade dos terríveis e implacáveis tribunais da Inquisição, e assim foi escrita uma triste página de intolerância na história do Brasil.
Referência Bibliográfica
COSTA, C. F. C. da (Adaptador de) TERRA, Eloy. 500 anos - Crônicas pitorescas da história do Brasil. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 1999. p. 51-53
*Carlos Frederico Corrêa da Costa é doutor em História Social, professor no Departamento de História/CPAQ/UFMS
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